A necessidade de diversificar a economia e as fontes de receita da Administração esteve entre as preocupações dos deputados no debate das Linhas de Acção Governativa da área da Economia e Finanças. Lionel Leong compreende as preocupações mas destaca: é preciso dar tempo para o sector das convenções e exposições poder crescer e para as receitas da componente não-jogo poderem tornar-se mais expressivas
Inês Almeida
Os turistas que chegam ao território para participar em convenções e exposições já registam um consumo médio diário de 3.000 patacas, valor mais elevado que a média dos visitantes em geral, 1.900 patacas, sublinhou o Secretário para a Economia e Finanças durante o segundo dia de debate das Linhas de Acção Governativa da sua tutela, realçando o aumento no consumo de produtos de venda a retalho, sobretudo jóias.
Essa tendência está em linha com a intenção de diversificar a economia. “A diversificação está no bom caminho. Houve uma subida de 70,9% nas receitas da construção, desde 2013, e na restauração de cerca de 27,5%. Isto também aconteceu noutras áreas”, frisou Lionel Leong.
“Como a origem das receitas é muito estreita, no futuro, temos de pensar na diversificação adequada da economia que proporciona mais escolhas de emprego aos jovens. Estamos a enfrentar cada vez mais concorrência, será que conseguimos manter sempre boas receitas de jogo?”, questionou o Secretário.
O governante aproveitou ainda para divulgar alguns dados. “As receitas oriundas da vertente não jogo são muito altas e registaram um aumento de 25% face a 2015”. “A nossa economia dá prioridade às convenções e, comparando dados de 2014 e 2016, podemos ver que houve um aumento de 24% no número de convenções realizadas, com mais 39% de participantes, atingindo 136.000 pessoas, contando-se 971 sessões realizadas, ao invés de 843”.
Ao nível do investimento, “o Governo está a tentar dar a mão ao sector privado para organizar as convenções”. “Nos primeiros três trimestres de 2017 houve receitas de mais de 45 milhões. Num curto prazo, três anos, o sector que precisava de um grande apoio financeiro do Governo, começou a crescer por ele próprio. Isto mostra que para um sector crescer e sobreviver é preciso tempo e de pessoas formadas na área”.
Assim, Lionel Leong antevê que, “pouco a pouco”, os salários nesta área venham a aumentar.
De acordo com estimativas preliminares, as receitas das actividades não ligadas ao jogo das seis operadoras cifraram-se em 26.684 milhões de patacas em 2016, representando uma subida de 11,6% face a 2015, enquanto as receitas do jogo atingiram pouco mais de 223 mil milhões de patacas, reflectindo uma quebra de 3,2% em termos anuais.
Entre as receitas da vertente não jogo, 40% são provenientes dos serviços hoteleiros, 23,4% da restauração e bebidas, 22,9% da venda a retalho e arrendamento de recintos, 4,3% do entretenimento e 8,6% de outros serviços. Além disso, em 2015, operavam nas instalações das operadoras de jogo um total de 582 empresas não relacionadas com o jogo, encontrando-se em funcionamento um total de 1.303 estabelecimentos comerciais, a maioria destinada às actividades do comércio a retalho de vestuário, restauração e bebidas.
Em 2015, as receitas provenientes dos estabelecimentos comerciais nas instalações das operadoras de jogo não explorada pelas mesmas cifraram-se em 33.623 mil milhões de patacas, representando a venda a retalho 31.142 mil milhões, os restaurantes 1.415 mil milhões, a saúde e massagens 67 milhões e o entretenimento 47 milhões.



