Quase nove mil milhões de patacas serão utilizados para melhorar os serviços médicos, sendo que 74% das despesas são asseguradas pelo Governo. Apesar do montante ser “astronómico”, Alexis Tam acredita que os resultados estão à vista: o sistema de saúde está a melhorar e oferece serviços médicos de “excelência”
Catarina Almeida
Vão ser canalizados 8,5 mil milhões de patacas para as despesas médicas, anunciou o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. Trata-se de um encargo em que apenas 26% é suportado pela população, indicou Alexis Tam, durante um debate em que os gastos com a Saúde foram escrutinados pelos deputados confrontando-o sobre a gestão do erário público neste campo.
Em resposta, Alexis Tam reconheceu que o orçamento para as despesas médicas do território é, de facto, “astronómico” mas os resultados são evidentes: tempos de espera reduzidos, um sistema de saúde “bom”, que “tem vindo a melhorar”, com “serviços médicos de excelência” e gratuito.
“Em Taiwan, a população paga 40%. Em Hong Kong, o Governo paga 50% e população outra metade. Em Singapura, a população assegura 60%. Assim, [em termos comparativos] conseguem ver as apostas do Governo de Macau no sistema de saúde”, realçou Alexis Tam, apoiando-se também nas distinções internacionais para comprovar os resultados na área médica do território.
“Após quatro anos de reforma na área da saúde, e com o esforço prestado pelos profissionais de saúde, o bem-estar dos residentes foi aumentado significativamente e os serviços públicos de saúde reconhecidos pela Organização Mundial da Saúde e acreditados ao nível internacional, sendo assim aceites também pela população. […] No que toca à cobertura universal da saúde, Macau ocupa já uma das melhores posições a nível mundial”, disse, durante o discurso de abertura do debate, do qual voltou a estar ausente o presidente da Assembleia Legislativa, Ho Iat Seng, a recuperar de um problema de saúde.
Além disso, Alexis Tam recordou que, apesar dos “residentes não terem talvez um bom conhecimento sobre o sistema de saúde”, o Governo tem “dado alta importância à saúde da população”. “Os nossos serviços são gratuitos, temos as consultas das especialidades com um tempo de espera já muito curto. Noutros territórios é preciso pelo menos dois anos de espera e em Macau são cerca de cinco semanas para ter uma consulta na especialidade”, disse.
Mediante alguns dados fornecidos, o Secretário fez saber ainda que a esperança média de vida dos residentes é de 83,4 anos – colocando Macau nos primeiros lugares a nível mundial. Por outro lado, até Setembro, foram atendidos mais de dois milhões de utentes nos centros de saúde, isto é, mais 10% face a igual período de 2017. Já o número de serviços médicos prestados no Centro Hospitalar Conde de São Januário subiu 2%, disse.
Ainda este ano, foram lançados os vales de saúde electrónicos e prolongado o seu uso para dois anos, relembrou Alexis Tam, apesar das críticas de Si Ka Lon, por exemplo na demora da entrega de resultados médicos e no excesso de taxas cobradas para determinados documentos.
Atrasos no Hospital das Ilhas não travam reforço de pessoal
Ainda sem data de conclusão à vista, o Hospital das Ilhas motivou várias intervenções de deputados, nomeadamente devido à lentidão do projecto. Porém, o Secretário Alexis Tam respondeu às críticas, garantindo que o sistema público de saúde tem vindo a ser “apetrechado com os melhores recursos materiais e humanos” desde há quatro anos. “Temos vindo a recrutar mais profissionais médicos e não estamos à espera das novas instalações”, disse.



