O Executivo avançou ontem que vai apoiar os trabalhos sobre a classificação de lojas antigas com características únicas. Segundo um estudo promovido pela Associação de Cadeia de Lojas e Franquias, 80,2% dos cidadãos concordam com essa iniciativa. Mais de 76% dos inquiridos entendem que para serem lojas classificadas devem estar abertas há muito tempo e 60,2% consideram que tal título depende da singularidade dos produtos, serviços e técnicas

 

Rima Cui

 

Um estudo da Associação de Cadeia de Lojas e Franquias de Macau, elaborado em colaboração com a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, concluiu que das 513 pessoas auscultadas 80,2% são favoráveis à classificação das lojas antigas de características únicas. Além disso, 67,6% consideram que o Governo deve apoiar as lojas classificadas.

Para 78,3% dos participantes no estudo, os trabalhos de classificação e apoio podem ajudar a criar legados da história e cultura únicas de Macau, bem como a divulgar a imagem da cidade.

Os dados mostram que mais de metade dos cidadãos acreditam que as medidas vão ajudar as pequenas e médias empresas locais a encontrar novos caminhos para o desenvolvimento, contribuindo assim para a diversificação moderada da economia de Macau.

Sobre a classificação de lojas antigas, os inquiridos apresentam exigências distintas: 76,2% entendem que as marcas ou lojas devem ter uma história suficientemente longa; 60,2% exigem que possuam produtos, serviços ou técnicas singulares. Já 55,2% dos participantes destacaram a reputação e credibilidade dos estabelecimentos, enquanto 49,9% acham que as lojas devem ter características regionais e culturais evidentes. Para além disso, 49,1% atribuem importância ao registo de marca.

A maioria das lojas está aberta à classificação, mas também há uma parte que alerta para a necessidade dos trabalhos avançarem consoante a situação concreta do sector. Para o Governo, a classificação das lojas antigas é importante, pelo que apoia o avanço desse processo.

 

Ameaças distintas

Segundo o estudo, embora haja várias oportunidades, como o aumento da procura pela credibilidade do mercado e a construção da cidade turística inteligente, as lojas antigas também enfrentam muitas ameaças.

Por exemplo, esses estabelecimentos têm modelos operacionais relativamente atrasados, sendo incapazes de se adaptar às necessidades actuais. Ao mesmo tempo, não entendem os direitos de propriedade. Para além de enfrentarem rendas elevadas, também sofrem como uma concorrência acérrima, com origem em empresas do mesmo género e das regiões vizinhas.

Nesse sentido, a associação pediu a elaboração de normas para a classificação das lojas antigas de características únicas de Macau, aproveitando para criar um arquivo desses estabelecimentos.

Além disso, salientou a necessidade de criar uma etiqueta padronizada para as lojas classificadas. Assim, os estabelecimentos poderiam usar essa marca nos produtos e na decoração dos espaços.

Por outro lado, a associação enalteceu a importância de o Governo criar uma equipa direccionada para apoiar as lojas antigas e supervisionar o ambiente interior dos espaços.

Face à concorrência cada vez mais forte no mercado, é preciso criar uma plataforma online (página ou aplicação móvel), onde os consumidores possam saber mais sobre essas lojas, disse a Associação de Cadeia de Lojas e Franquias, sugerindo às autoridades que encorajem as lojas a desenvolver o mercado online.