Uma petição com mais de sete mil assinaturas de moradores de Seac Pai Van foi ontem submetida ao Chefe do Executivo na tentativa de impedir a construção de um armazém de substâncias perigosas, no COTAI. A representante dos moradores, Edith Mak, garantiu que se o projecto não for cancelado, poderão avançar com outras acções de protesto
Viviana Chan*
Duas dezenas de moradores de Seac Pai Van acompanhados pelos deputados Ng Kuok Cheong, Au Kam San, Pereira Coutinho e Sulu Sou, entregaram uma petição ao Governo solicitando que seja retirado o plano de instalação de armazéns de substâncias perigosas no COTAI. O grupo de moradores de Seac Pai Van diz ter reunido 7.426 assinaturas, mas a recolha continua a estar aberta a todos os cidadãos de Macau.
“Estamos muito preocupados e temos muito medo da construção do armazém de substâncias perigosas”, disse a representante do grupo de moradores, Edith Mak. “Este armazém ficará localizado a menos de 200 metros de distância das habitações. Não serve para depositar produtos normais, mas sim os que podem causar perigo à vida das pessoas. Estamos muito desiludidos com o Governo. Como é que pode tomar uma decisão que coloca em risco uma zona com um bairro habitacional bem desenvolvido?”, questionou.
Nas mãos, os moradores carregavam cartazes com frases como “não queremos viver ao lado de uma bomba de relógio”; “devolvam-nos um lar com paz”.
No mesmo dia, o Chefe do Executivo reconheceu que os respectivos serviços devem dar mais esclarecimentos sobre esta questão. “Se os moradores querer dar opinião, o Executivo está disponível para ouvir, mas está atento sobre como é que se pode dar um ambiente seguro aos moradores. O Executivo e os cidadãos têm o mesmo desejo, todos queremos viver numa cidade segura”, assegurou Chui Sai On.
Edith Mak salientou que “mais de 7.000 assinaturas representam uma opinião verdadeira da população”. “Por favor, ouçam esta opinião”, apelou, recordando que o Chefe do Executivo disse estar aberto a ouvir a população.
Em declarações aos jornalistas, Edith Mak salientou que “o Corpo de Bombeiros defendeu a localização do armazém por estar numa área remota, mas a zona de Seac Pai Van tem mais de 10 mil fracções habitacionais e vai ter 40 mil habitantes. Para além disso, o Governo está a planear projectos de grande dimensão de infra-estruturas, como por exemplo, escolas”.
Edith Mak, moradora do condomínio “One Oasis”, frisou que o objectivo de petição é simples: “Queremos que o Governo cancele o plano. Se não obtivermos uma resposta satisfatória, não excluímos avançar com outras acções de protesto”, disse.
O deputado Sulu Sou esteve do lado dos contestatários, indicando que “o caso não deve ser individual, quando os moradores desconhecem o plano de construção”.
Pereira Coutinho explicou que se juntou a esta iniciativa dos moradores, porque o Governo não consulta os moradores. “O Executivo foi pouco transparente na divulgação de informação sobre a escolha do local, devia, numa matéria tão importante, ter pelo menos contactado os deputados da Assembleia Legislativa e informado a Comissão de Acompanhamento sobre as intenções governativas.
* R.C.



