O Instituto Politécnico de Macau tem patente uma exposição sobre uma sala de aula totalmente desenhada por crianças de ensino primário. Os 60 pequenos “designers”, 30% dos quais do ensino integrado, introduziram no espaço uma abundância de cores e elementos naturais, como arco-íris e casa da árvore. A Associação do Exército de Salvação espera que a exposição inspire novos projectos de design para salas de aulas

 

Rima Cui

 

Elsa Tsang

Uma sala de aula pensada e desenhada por 60 crianças de escolas primárias de Macau, 30% das quais são alunos de ensino integrado, está em exposição no Instituto Politécnico de Macau. A “obra” faz parte de uma exposição promovida pelo Centro de Educação da Associação Exército de Salvação (Macau) e está disponível até quinta-feira.

À TRIBUNA DE MACAU, Elsa Tsang, directora de desenvolvimento de alto nível do departamento de serviços de educação do Exército de Salvação de Hong Kong e Macau, mostrou a sala de aula, composta por um labirinto de papelão, em cima do qual está pendurado um arco-íris. Logo ao lado, ergue-se uma árvore com uma pequena casa. A sala de aula de “sonho” das crianças abrange ainda um canto de leitura, com uma estante de livros e três pequenos sofás com cor e formato de morango.

“O arco-íris é essencial, porque as crianças procuram aprender num ambiente colorido. Quando vêem um espaço cheio de cores, muitas crianças ficam facilmente contentes”, explicou a responsável.

Segundo revelou, na planta pedida, muitas crianças desenharam árvores e casas na árvore, o que, para a associação, reflecte a paixão pela natureza e o desejo de estarem próximas dela. “A casa da árvore mostra a vontade de aventura dos mais pequenos. Eles esperam um espaço que só pertence a eles próprios, onde possam imaginar, estudar e desenvolver a criatividade”, destacou Elsa Tsang.

“A natureza é rica em experiências e oportunidades para as crianças ganharem uma maior capacidade de descompressão e de concentração. Olhar para um insecto traz-lhes muito mais do que olhar para uma televisão”, acrescentou.

Através desta iniciativa, a associação “descobriu” o talento das crianças para a observação, porque conseguiram encontrar as semelhanças e possíveis combinações entre um imóvel e uma fruta.

Segundo a mesma responsável, a exposição começou a ser preparada em Março deste ano. Durante as Férias do Verão, os 60 alunos foram convidados para transferir as ideias para o papel. Mais tarde, um arquitecto de Hong Kong assumiu a tarefa de tornar a maioria dos ambientes de sonho em realidade. “Gastámos pelo menos 100 mil dólares de Hong Kong na exposição”, revelou.

 

“Um bom início para chamar a atenção”

Se uma sala de aula deste género entrasse realmente em funcionamento, teria capacidade para acolher entre 10 e 20 alunos, e com espaço para andarem à vontade.

A responsável da associação referiu que a ideia de organizar esta mostra foi também inspirada pelo projecto “Obra do Céu Azul”, do Governo da RAEM. No entanto, até agora, ainda não existem planos para colaborar ou comunicar com as autoridades locais sobre o conceito. A exposição é apenas “um bom início para chamar a atenção”.

Segundo Elsa Tsang, em Hong Kong, apesar desta ideia ainda não ter sido transformada em realidade, a Associação do Exército de Salvação coopera com escolas no norte da região para que o ambiente escolar seja mais confortável e ideal para os mais novos, melhorando salas de aula, corredores e até escadas.

Ainda que o uso real deste tipo de sala de aula seja sem dúvida difícil, Elsa Tsang sugeriu que basta pintar as paredes das salas de aula com, por exemplo, um sol, chuvas ou nuvens, para que as crianças já se sintam estimuladas visualmente.

Por outro lado, reconhece que a implementação desses espaços enfrenta restrições, incluindo em termos de professores. “Uma sala de aula assim requer uma certa área, por isso, não basta um professor, porque não conseguirá manter a ordem. Teriam de ser destacados mais recursos humanos. Mas, em Hong Kong, os professores têm de fazer o exame público, e podem não ter mais energias para apostar nesta vertente”, confessou.

Além disso, a segurança das crianças também é uma questão sensível e inevitável, sobretudo numa sala de aula tão grande e com instalações distintas. Elsa Tsang admite que a instalação de câmaras de videovigilância é uma questão complicada que pode criar obstáculos à transformação do ambiente de aprendizagem, porque implica questões de privacidade.

“Se calhar, o tempo de uso deste tipo da sala de aula deve ser dividido em duas partes. Numa, as crianças estudam, noutra já possam explorar à vontade”, rematou.