Os dados do IAS revelam que, entre os 72 pedidos de ajuda relacionados com o distúrbio do vício do jogo registados nos primeiros seis meses deste ano, quase 53% foram considerados graves e 31% de grau moderado. Um quarto dos solicitantes de ajuda era jovem com idades entre os 30 e os 39 anos, enquanto os casos envolvendo menores representaram apenas 1,39% do total. Seguindo uma tendência verificada desde 2022, a “resolução da dificuldade financeira” voltou a constituir o principal motivo do jogo

 

Entre Janeiro e Junho do corrente ano, o Sistema de Registo Central dos Indivíduos afectados pelo Distúrbio do Vício do Jogo registou 72 casos, uma quebra de 23,4%, perante os 94 casos contabilizados no período homólogo do ano passado. De acordo com dados divulgados pelo Instituto de Acção Social (IAS), 52,94% foram considerados como casos graves. Recorde-se que, no cômputo geral de 2025, 32% dos casos registados no sistema central foram classificados como casos graves.

Além disso, no primeiro semestre, quase 31,4% foram diagnosticados com distúrbios de grau moderado, enquanto os casos de distúrbio ligeiro representaram 11,8% do total.

Os residentes ocuparam 54,1% dos indivíduos que procuraram ajuda devido aos distúrbios do vício do jogo, sendo que, à semelhança de 2025, a maioria era constituída por homens (69,4%). Por um lado, 31,9% das pessoas afectadas por esse problema tinham 20 ou mais anos de residência em Macau. Ao mesmo tempo, 34,7% viviam apenas menos de um ano no território.

Os dados mostram ainda que 25% tinham idades compreendidas entre os 30 e os 39 anos, ao passo que a percentagem dos pedidos de ajuda de pessoas com 40 a 49 anos se fixou em 20,8%. Já os indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos representaram 8,3% do total, enquanto os casos que se encontravam no grupo etário dos 18 aos 29 anos e envolvendo menores se referem apenas a 5,6% e a 1,39%, respectivamente, do total.

Correspondendo a uma tendência verificada em todos os anos desde 2022, a “resolução da dificuldade financeira” voltou a constituir o principal motivo do jogo (33,6%). Em 2022, 2023, 2024 e 2025 verificou-se, neste aspecto, percentagens de 29,8%, 29,7%, 24% e 30,5%, respectivamente. Por outro lado, no primeiro semestre, 23,5% dos indivíduos afectados pelo vício do jogo apontaram para o motivo de “desanuviar” e 16,8% disseram ter jogado por “entretenimento”.

No que respeita à antiguidade da prática da aposta, 27,8% já tinham 10 a 20 anos de experiência com o jogo e 18% com sete a 10 anos de experiência.

 

80,6% em situação de dívida

Os dados também indicam que, nos primeiros seis meses deste ano, 80,6% encontravam-se em situação de dívida. No cômputo geral de 2025, 69,6% estavam nesta situação. Relativamente aos montantes em dívida, em 31% dos casos, desconhecia-se o montante de dívida. Cerca de 8,62% deviam entre 250 mil a 500 mil patacas, ao passo que quem detinha dívidas de valores situados entre 50 mil a 100 mil patacas representou igualmente esta percentagem, à semelhança dos solicitantes de ajuda que deviam entre 10 mil e 50 mil patacas.

Por outro lado, 15,3% dos requerentes de ajuda gastaram, em média, no jogo, um montante mensal que variava entre 10 mil a 50 mil patacas, enquanto 8,3% despendiam entre 5.000 e 10 mil patacas por mês para jogar. No entanto, em 52,8% dos casos, não se conheciam os gastos médios mensais no jogo.

O bacará continuou a ser o tipo de jogo preferido, sendo a principal escolha para 62,9% dos indivíduos que sofriam do vício. As máquinas de póquer e mocha foram a segunda escolha (7,9%), seguidas do “Sic Po Cussec” (5,6%) e das apostas no futebol ou basquetebol (4,5%).

No que concerne à situação laboral destes indivíduos, na primeira metade do ano, 9,7% estavam desempregados, 8,3% eram estudantes, domésticos ou reformados, enquanto a maioria parte tinha emprego (81,9%). O sistema central refere ainda que 13,9% viviam sem rendimentos, 11,1% auferiam salários mensais entre 17.501 e 21.000 patacas e 9,7% ganhavam entre 7.001 e 10.500.

Das pessoas empregadas, 15,3% disseram ter de trabalhar por turnos. Em relação ao estatuto profissional, 12,3% eram comerciantes, 7,7% aposentados, 4,6% motoristas, 3% “croupiers” e 1,5% tinham “trabalhos relacionados com a indústria de jogo”. Noutra vertente, 30,6% completaram o ensino secundário, ao passo que 26,4% possuem bacharelato, licenciatura ou um nível de educação superior.

Por outro lado, 52,8% das pessoas que sofriam do vício não têm familiares que costumam fazer apostas. Outra conclusão é que 4,2% dos indivíduos sofriam também de outras perturbações psíquicas ou mentais. Já a perturbação depressiva afectava 1,4% dos que pediram ajuda e outros 1,4% sofriam da dependência do álcool.