Nesta altura, apenas cerca de 10% das lojas estão abertas na zona da San Ma Lo, sendo sobretudo farmácias e joalharias. Segundo o presidente da Federação da Indústria e Comércio de Macau Centro e Sul Distritos, na Zona Central, cerca de metade está a adoptar licenças sem vencimento aos trabalhadores. Por sua vez, o presidente da Associação de Empregados de Estabelecimentos Comerciais revelou que a maioria dos trabalhadores das lojas de artigos de luxo, joalharias, centros comerciais e lavandarias deixou de receber o ordenado na sequência da suspensão do trabalho

 

Rima Cui

 

Com a evolução da pandemia e os apelos reforçados das autoridades para os cidadãos evitarem deslocações desnecessárias, muitas lojas resolveram fechar portas temporariamente. No coração da cidade, na zona da San Ma Lo, apenas 10% das lojas continuam abertas, sendo principalmente farmácias e joalharias, observou o presidente da Federação da Indústria e Comércio de Macau Centro e Sul Distritos.

Em declarações ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, Lei Cheok Kuan estimou que, até ao momento, metade das lojas na Zona Central terá adoptado licenças sem vencimento para os seus trabalhadores. Em geral, os restantes estabelecimentos ainda não fizeram cortes salariais.

Já o presidente da Associação de Empregados de Estabelecimentos Comerciais apontou que, durante a pandemia, a maioria dos trabalhadores das lojas de artigos de luxo, joalharias e centros comerciais teve de tirar licenças sem vencimento. E, nestes sectores, já há quem tenha perdido o emprego desde o início do actual surto.

Ao jornal “Ou Mun”, Chan Chi Ming descreveu ainda que o sector das lavandarias também tem sido um dos mais atingidos pela pandemia, com muitos trabalhadores sujeitos a licenças sem vencimento. Isto porque o número de turistas, que eram os principais clientes, caiu de forma drástica, pelo que as lojas e fábricas das lavandarias tiveram de suspender as operações.

Embora as lavandarias registem ainda alguns negócios através da prestação de serviços a alguns hotéis, estes trabalhos acentuam os riscos de contágio entre os trabalhadores, sublinhou. Chan Chi Ming apelou ainda aos empregadores dos referidos sectores para quando a pandemia ficar controlada irem recuperando, pelo menos, os trabalhos por turno.

Por outro lado, segundo o presidente da Federação Industrial e Comercial das Ilhas, o ambiente comercial das Ilhas “encontra-se às moscas” com apenas algumas farmácias, supermercados, mercearias e poucas lojas de venda a retalho a abrirem portas nesta altura.

Ainda que a maioria dos restaurantes em Coloane continue a operar com os serviços de comida de take-away, seguindo o modelo de trabalho por turnos, têm registado menos de 10% das receitas que ganham normalmente. Ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, Yeong Keng Hoi ressalvou que, até agora, a associação não recebeu um grande número de queixas sobre arranjos desfavoráveis aos trabalhadores, como licenças sem vencimento ou redução salarial.

 

126 pescadores com problemas para usufruir de medida de apoio

A Associação de Auxílio Mútuo de Pescadores e a Associação para o Desenvolvimento de Pesca no Oceano e de Proprietários de Barcos receberam nos últimos dias pedidos de ajuda de donos de barcos de pesca. Devido à falta de registo comercial, 126 barcos de pesca registados nos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA) estão excluídos da medida de apoio económico destinada aos operadores de estabelecimentos comerciais. Citados pelo jornal “Ou Mun”, responsáveis das associações apontaram que o registo comercial vai fazer com que as autoridades do Continente imponham restrições aos barcos da RAEM, incluindo o cancelamento do certificado de pesca no Continente. As associações instaram o Governo a considerar os registos dos barcos na DSAMA como prova para os proprietários usufruírem do referido apoio.