Quase 4.900 residentes singulares da RAEM adquiriram habitação pela primeira vez no ano passado, representando 81,6% das compras de imóveis destinados a esse fim. As pessoas singulares e colectivas residentes foram responsáveis por mais de 99% das transacções de fracções habitacionais em 2021, ano em que o número total de vendas caiu 6,6% para 5.970 em relação a 2020 e o preço médio desceu 0,8%

 

Sérgio Terra

 

A compra da primeira habitação voltou a ter um peso preponderante nos negócios do sector imobiliário em 2021, comprovando a tendência de quebra do “factor investimento”. Ao longo do ano passado, 4.872 casas foram adquiridas por pessoas singulares residentes de Macau que ainda não possuíam qualquer imóvel destinado a habitação, o que representa 82,84% do total das aquisições efectuadas por indivíduos do território e 81,60% do volume global das transacções, revelam dados publicados na página electrónica dos Serviços de Finanças.

De acordo com as estatísticas respeitantes às fracções autónomas habitacionais declaradas para liquidação do imposto do selo por transmissões de bens, as pessoas singulares residentes de Macau protagonizaram 5.881 transacções no ano transacto. Nesse grupo, 838 já detinham uma casa antes da nova aquisição, correspondendo a 14,25% das compras feitas por residentes singulares, e 171 (2,91%) possuíam mais do que um imóvel com fins habitacionais.

O panorama geral de 2021 representa uma inversão relativamente à situação verificada em anos recentes. Em 2017, por exemplo, os residentes que já possuíam uma ou mais casas foram responsáveis por cerca de 55% das transacções de imóveis para habitação.

No que diz respeito às pessoas singulares não-residentes, os dados oficiais incluem apenas 44 transacções, todas envolvendo a compra da primeira habitação. Já as pessoas colectivas realizaram 45 aquisições, sendo que em 25 casos (55,56% do total) ainda não tinham qualquer fracção habitacional, três possuíam um imóvel e 17 eram proprietárias de mais do que um.

No cômputo geral, o número total de transacções de fracções autónomas para habitação desceu 6,63% para 5.970 em 2021, comparativamente às 6.394 registadas no ano anterior. Em 98,5% dos casos, os imóveis foram adquiridos por pessoas singulares residentes da RAEM.

O preço médio dos imóveis transaccionados desceu 0,81% para 101.310 patacas por metro quadrado, após ter atingido 102.141 patacas em 2020. No intervalo de um ano, os preços médios desceram 1,97% na Península (para 97.543 patacas) e 0,6% na Taipa (104.930 patacas), e aumentaram 5,71% em Coloane (120.077 patacas).

Em termos do número de transmissões de imóveis, verificaram-se descidas de 7,83% na Península (para 4.308 fracções) e 7,83% na Taipa (1.241). Em contrapartida, em Coloane cresceram 26,05% para 421.

 

Vendas caíram 40% no início de 2022

O declínio nas vendas de fracções habitacionais acentuou-se nos dois primeiros dois meses do corrente ano, segundo dados actualizados pelos Serviços de Finanças. No conjunto dos primeiros dois meses, realizaram-se 491 transacções, o que traduz uma descida de 40,41% em relação ao período homólogo de 2021.

Segundo os mesmos dados, em Janeiro foram declaradas 291 vendas de casas, a um preço médio de 89.122 patacas por metro quadrado, menos 9,67% do que no período homólogo do ano anterior. No primeiro mês de 2022, foram alienadas 210 fracções na Península, 66 na Taipa e 15 em Coloane.

Os negócios oficializados em Fevereiro englobaram 200 imóveis, incluindo 140 na Península, 48 na Taipa e 12 em Coloane. No mês passado, o preço médio das casas transaccionadas cifrou-se em 96.351 patacas por metro quadrado, mais 2,28% do que em Fevereiro de 2021.

 

PREÇO MÉDIO DAS CASAS VENDIDAS EM 2021

Coloane – 120.077 patacas

Taipa – 104.930 patacas

Península – 97.543 patacas

Geral- 101.310 patacas