As licenças sem vencimento ou parcialmente remuneradas voltaram a ser a principal causa de subemprego no primeiro trimestre, mas o número de trabalhadores nessa situação caiu 46% para 4.400 face aos três meses anteriores, segundo o relatório detalhado do Inquérito ao Emprego realizado pela DSEC. A população desempregada integrava 800 indivíduos à procura do primeiro emprego e 12.500 em busca de novo posto laboral, incluindo 5.600 afectados por despedimentos e falências
Sérgio Terra
A atribuição de licenças sem vencimento ou parcialmente remuneradas por parte das empresas representou 41,6% das causas do subemprego entre Janeiro e Março deste ano, mas essa medida implementada em resposta ao impacto da pandemia perdeu peso em relação aos 52,2% registados nos três meses anteriores. Segundo os dados detalhados do Inquérito ao Emprego, promovido pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), o número total de pessoas sujeitas a esse tipo de licenças desceu 46,3% para 4.400 no intervalo trimestral.
Factores como a “impossibilidade de encontrar outro trabalho” (30,7% do total) e a “falta de encomendas e de clientes ou estação baixa” (25,0%) também se destacaram entre as principais causas da precariedade laboral num período em que a população subempregada englobava 10.600 pessoas (menos 5.100 do que no trimestre anterior), incluindo 9.700 residentes (menos 5.300), e correspondia a uma taxa de 2,8% (menos 1,2 pontos percentuais). Nesse universo, 26,4% tinham idades compreendidas entre 35 e 44 anos e 22,7% pertenciam à faixa etária dos 45 aos 54 anos.
No primeiro trimestre, o sector do jogo (incluindo a actividade dos “junkets”) continuou a ser o maior foco de subemprego, com mais de 2.800 pessoas, ou 26,5% do total, no entanto, esses números reflectem decréscimos trimestrais de 54,84% (menos 3.400 pessoas) e 12,7 pontos percentuais. Seguem-se os ramos da construção (cerca de 2.300 pessoas, ou menos 8%), transportes e armazenagem (1.400; mais 27,3%) e comércio por grosso e a retalho (900; menos 47,1%). Nos hotéis, restaurantes e similares registou-se uma quebra de 14,3% para 1.200 pessoas, em comparação com o quarto trimestre de 2021.
A população empregada abrange os indivíduos que, nos sete dias anteriores à realização do inquérito, independentemente da situação na profissão, tinham trabalhado menos de 35 horas por razões involuntárias e estavam disponíveis para aceitar imediatamente um trabalho adicional, bem como os que, nos 30 dias antes, procuravam trabalho extra. Por isso, essa categoria do mercado laboral inclui os casos de licença sem vencimento.
Os empregados administrativos figuram como o grupo profissional mais afectado pelo fenómeno do subemprego, com 4.100 pessoas, destacando-se claramente dos trabalhadores da produção industrial e artesãos (1.700), pessoal dos serviços e vendedores (1.400), operadores de instalações e máquinas, condutores e montadores (1.200) e trabalhadores não qualificados (1.100). No trimestre em análise, cerca de 3.400 subempregados trabalharam menos de 10 horas por semana, 1.900 entre 10 e 19 horas, 3.600 entre 20 e 29 horas e 1.800 entre 30 e 24 horas.
800 à procura do primeiro emprego
Entre o último trimestre de 2021 e os primeiros três meses deste ano, a taxa geral de desemprego cresceu 0,4 pontos percentuais para 3,5%, o nível mais alto em 13 anos, enquanto a taxa de desemprego dos residentes também subiu 0,4 pontos para 4,5%, envolvendo 13.300 pessoas – 800 à procura do primeiro emprego (menos 500) e 12.500 (mais 1.800) que tentavam encontrar novos postos laborais. Os indivíduos que procuravam emprego há menos de quatro meses representavam 46,6% da população desempregada.

Cerca de 3.400 pessoas (27,3% do total) apontaram “razões pessoais ou familiares” como causas do desemprego, 2.900 (23,6%) foram vítimas da “extinção de estabelecimentos/empresas” e 2.700 (21,2%) alvo de “despedimento”. Entre os principais motivos, constam ainda o “fim de emprego temporário” (2.200 pessoas) e “condições de trabalho insatisfatórias” (1.200).
De acordo com os dados analisados pelo Jornal TRIBUNA DE MACAU, 3.400 desempregados trabalharam anteriormente no sector do jogo, o que representa um aumento trimestral de 54,5% e corresponde a cerca de 27,5% dos que procuravam novo emprego. Por outro lado, 2.400 deixaram o ramo da construção (mais 14,3%), 1.900 laboravam na área do comércio a retalho (mais 35,7%) e cerca de mil dedicavam-se a actividades imobiliárias e serviços prestados às empresas (mais 100%).
As estatísticas mostram ainda que os desempregados são predominantemente jovens – 1.300 têm entre 16 e 24 anos, 4.300 entre 25 e 34 e 2.900 integram o grupo etário dos 35 aos 44. No que diz respeito às habilitações literárias, 5.100 concluíram o ensino superior, 3.700 o secundário complementar, 2.700 o secundário geral e 1.500 o ensino primário.
Trabalhadores do jogo diminuíram 5%
Por sua vez, a população empregada diminuiu 1,6% para 371.200 pessoas no espaço de três meses, com a faixa etária dos 45 aos 54 anos a ser mais afectada, ao registar uma descida de 3,3%, ou 2.700 indivíduos. Cerca de 40,8% dos empregados tinham o ensino superior e 29,5% o ensino secundário complementar, percentagens que cresceram 0,1 e 1,9 pontos percentuais, respectivamente.
O sector do jogo assegurou 19,6% dos empregos no primeiro trimestre, porém, sofreu uma quebra de 4,9% para 72.700 no número de trabalhadores. A tendência de declínio estendeu-se também à construção (32.100 empregados), restauração (20.900) e actividades financeiras (12.300), com descidas de 4,2%, 10,7% e 4,7%, respectivamente. Em contrapartida, registaram-se aumentos de 1,7% no comércio a retalho (35.100), 5,5% nas actividades imobiliárias e serviços a empresas (34.700), 3,6% no sector hoteleiro (26.100) e 0,6% nos transportes, armazenagem e comunicações (16.800).
Em termos gerais, a mediana do rendimento mensal da população empregada subiu 2,6% para 16 mil patacas, face ao trimestre precedente, embora no caso dos residentes se tenha mantido em 20 mil patacas. O sector do jogo apresenta a mediana salarial mais elevada, com 20.500 patacas (mais 2,5%), contudo, os maiores aumentos sequenciais ocorreram no comércio a retalho e na hotelaria, onde avançaram 12,5% e 4,9% para 12 mil e 14.300 patacas, respectivamente. Em sentido inverso, as medianas do rendimento mensal caíram 5,4% nos transportes, armazenagem e comunicações (14 mil patacas) e 4,8% nas actividades financeiras (20 mil patacas).
A proporção da população empregada que trabalhou entre 45 e 49 horas por semana (49,8%) cresceu 1,5 pontos percentuais, em comparação com os três meses anteriores, enquanto a que laborou menos de 35 horas recuou 0,3 pontos. A mediana do tempo de trabalho semanal fixou-se em 45,6 horas.
A DSEC indicou ainda que o número de trabalhadores a tempo completo (que trabalharam 35 ou mais horas por semana) totalizou 320.500 (menos 1.500) e a respectiva mediana do rendimento mensal cifrou-se em 17.300 patacas (mais 1.300).



