A veia artística do falecido Emílio Cervantes Júnior, mexicano que se radicou em Macau, poderá agora ser reapreciada na Fundação Rui Cunha, através de uma mostra preparada pela filha do pintor

A Fundação Rui Cunha (FRC) vai inaugurar hoje, pelas 18:30, a exposição de pintura “Inspiração – Paisagens Antigas de Macau”, que apresenta trabalhos do falecido artista nascido no México e radicado em Macau, Emílio Cervantes Júnior, com curadoria da filha, Joana Bañares Cervantes Nogueira. Nesta mostra serão exibidas imagens da Península de Macau e das Ilhas, ruas, edifícios, barcos e pessoas, pintadas ao longo dos últimos 17 anos de vida de Emílio Cervantes Júnior.
De acordo com a FRC, a exposição integra “um conjunto de 33 pinturas a óleo, aguarela, guache e tinta-da-china, que reflectem a cidade antiga, a paisagem verde, a população, a arquitectura de característica ocidental e oriental, maioritariamente de Macau, mas também da China continental”.
Nascido a 9 de Julho de 1931, no México, Emílio Cervantes Júnior tinha cinco anos de idade quando veio para Macau com os pais, acabando por nunca regressar à sua terra natal. “Começou a pintar na adolescência, em Macau, e nunca mais deixou o pincel até aos seus últimos meses de vida, em 2017”, realçou a filha.
“Para melhorar as habilidades na pintura, lia muitos livros, passeava pelas ruas e becos de Macau, Taipa e Coloane, e tirava fotografias de paisagens, casas antigas, juncos, etc. Era a partir das fotografias que pintava os seus quadros a óleo e, na década dos anos 90, começou a pintar também a aguarela”, explicou Joana Bañares Cervantes Nogueira, citada no comunicado.
Para além dos trabalhos de pintura, que apresentou em exposições locais, individuais e colectivas, Emílio Cervantes Júnior foi também autor de cartazes para campanhas institucionais dos Serviços de Saúde e do Grande Prémio de Macau, e desenhou selos para os Correios.
Fez carreira militar, estacionado no Quartel General em Macau até à reforma, contudo, era um homem de interesses variados, dedicando-se igualmente ao desporto e à música. Pertenceu à orquestra da Tuna Negro-Rubro, do Dr. Pedro José Lobo, onde tocava clarinete, saxofone, banjo e viola.
As suas obras estarão expostas na Galeria da FRC até ao dia 29 de Outubro.



