Leonel Alves vai deixar a Assembleia Legislativa para se dedicar mais à família e ao âmbito profissional, apesar de manter o seu assento no Conselho Executivo. O deputado faz um balanço muito positivo das mais de três décadas no cargo mas acredita que “Macau precisa de sangue novo”

 

Inês Almeida

 

Foram “muitos anos de trabalho”, mais precisamente 33, por isso, aos 60 anos, Leonel Alves vai abandonar o seu assento na Assembleia Legislativa (AL). “Já é altura de se fechar um ciclo e iniciar outro, pessoal e público”, frisou o deputado em declarações ao Jornal TRIBUNA DE MACAU.

“Vou ter de dedicar mais tempo a mim próprio, à família e no âmbito profissional também”, frisou, ressalvando, porém, que continuará a ter uma intervenção pública. “Obviamente continuarei a desempenhar o meu papel no Conselho Executivo, portanto, em termos de intervenção pública continuo a ter um papel activo”.

Leonel Alves fala de um “período muito gratificante” referindo-se às mais de três décadas enquanto membro da Assembleia Legislativa, salientando que aprendeu “muito” e contribuiu “com alguma coisa”. “Acho que o actual quadro é propício a que faça outras coisas”, apontou.

De recordar que, em 2013, Leonel Alves foi eleito por sufrágio indirecto por via do colégio eleitoral do sector profissional, ficando no segundo lugar da lista da União dos Interesses Profissionais de Macau à qual pertenciam também Chui Sai Cheong e Chan Iek Lap.  Apesar de desde 1992 ser eleito pela via indirecta, em 1984 e 1988 foi eleito pelo sufrágio directo.

Questionado sobre as expectativas em relação ao acto eleitoral deste ano, Leonel Alves começou por referir que “é bastante concorrido”. “No sufrágio directo há um reactivar de aspirações de vários quadrantes da sociedade, o que é bom em termos de interacção democrática, troca de ideias e apresentação de novas propostas. Tudo isto é positivo para o desenvolvimento democrático de Macau”, defendeu.

“Vamos ver que resultados podem daí surgir, de qualquer maneira, espero que haja uma participação activa, mais caras novas e gente jovem”, frisou Leonel Alves.

No entender do deputado, “Macau precisa de sangue novo, de ideias novas e muita massa crítica” pois “tudo isso é positivo para que Macau tenha condições para iniciar um novo ciclo de desenvolvimento”.