O segundo-comandante do CPSP Leong Heng Hong, o chefe substituto de uma divisão da corporação e um agente policial integram a lista de 12 arguidos colocados em prisão preventiva na sequência de um caso de exploração de uma rede de prostituição, segundo o Ministério Público. O caso levou ainda à detenção de mais 14 indivíduos, incluindo dois ex-agentes da Polícia Judiciária, que ficaram sujeitos a outras medidas de coacção

 

VÍTOR REBELO

 

Sob promoção do Ministério Público (MP), o Juízo de Instrução Criminal aplicou a medida de coacção de prisão preventiva a 12 das 26 pessoas detidas por alegado envolvimento num caso de exploração de prostituição. De acordo com um comunicado do MP, entre os arguidos sujeitos à medida de coacção máxima constam Leong Heng Hong, segundo-comandante do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), de 60 anos, o chefe substituto de uma divisão da corporação, de 51 anos, e um agente da mesma força policial, de 54 anos, bem como vários empresários, entre outros.

Por outro lado, foram aplicadas outras medidas de coacção aos restantes 14 arguidos, incluindo dois ex-agentes da Polícia Judiciária (PJ), de 58 e 65 anos.

O CPSP instaurou imediatamente um processo disciplinar, aplicando a medida da suspensão preventiva de funções aos agentes policiais envolvidos.

Na reacção ao sucedido, o Secretário para a Segurança salientou, através de comunicado, que o pessoal da direcção e chefia deve, especialmente, dar o exemplo, “tendo uma consciência profunda da grande responsabilidade inerente ao poder que possui”, exercendo o poder “legalmente com prudência para a população”. Por outro lado, Chan Tsz King afirmou que os corpos policiais se dedicam à “eliminação, com firmeza, dos teimosos vícios internos das forças policiais, no sentido de demonstrar a sua determinação em reajustamento da disciplina das forças de Serviços de Segurança”.

Após esta operação de “limpeza de estase”, o Secretário reiterou aos serviços sob a sua tutela, que a “integridade e a imparcialidade são qualidades morais indispensáveis”, instando-os a reforçar “ainda mais” a supervisão e a orientação diárias sobre a conduta do pessoal, a reverem continuamente o mecanismo de gestão interna e o regime de supervisão no âmbito das suas competências.

Também a PJ sublinhou que “não tolera qualquer acto ilegal”. A corporação indicou em comunicado que, “caso se venha a verificar o envolvimento de qualquer pessoal no activo ou aposentado, este será tratado com todo o rigor nos termos da lei, sem qualquer complacência”.

O caso foi descoberto pela PJ, que desmantelou uma rede criminosa de exploração sexual organizada em vários locais de prostituição e deteve 26 homens e mulheres de Macau, do Interior da China e de Hong Kong. Segundo as informações divulgadas, o grupo operava desde 2019 e detinha saunas que geraram lucros de 790 milhões de patacas desde 2024.

Os três elementos do CPSP e os dois reformados da PJ terão aceitado subornos de três milhões de patacas cada, em troca do fornecimento de informações sobre rusgas policiais. Os cinco são suspeitos de associação criminosa, exploração de prostituição e corrupção passiva.

A operação incluiu buscas em três saunas, cinco escritórios e outros 23 locais, tendo as autoridades policiais apreendido bens no valor de 50 milhões de patacas, livros de registos e “uma grande quantidade de utensílios criminais”. Segundo a PJ, a rede explorava saunas, oferecendo serviços de “spa” e massagem, mas contratando mulheres para prestar serviços sexuais a preços que variavam entre cerca de 2.000 e 8.000 patacas por sessão.

As saunas em causa tinham uma tabela de preços baseadas na nacionalidade das mulheres e nos serviços prestados, podendo as mulheres receber entre 1.000 e 2.000 patacas por acto sexual.

Na sequência da operação, a PJ levou para investigação 381 pessoas, incluindo trabalhadores ilegais e não documentados, indivíduos em situação de estada irregular e prostitutas.