Promovido pela Associação República das Artes, o projecto “Anno” está de regresso depois de um ano de interregno, com 25 cães de fibra de vidro pintados por 25 pintores locais. Neste evento, que veio para ficar, será atribuído um prémio à melhor obra e está em discussão a possibilidade das esculturas serem alugadas por empresas
Liane Ferreira
O espaço de arte Nam Van, as Casas-Museu na Taipa, as praças de Tap Seac, da Amizade, do Senado e ainda de Eduardo Marques em Coloane vão ser palcos da mostra artística “Anno Cannis” para celebrar o Ano Lunar do Cão.
Filipe DeBritzz
Depois do sucesso das exposições anteriores dedicadas ao Ano do Cavalo, do Macaco e da Cabra, o curador e mentor do projecto, Mica Costa Grande, juntamente com a coordenadora Sofia Salgado regressam com o “Festival de arte de rua do Ano Novo Chinês”. As 25 esculturas foram decoradas à mão por 25 artistas locais de vários contextos e associações artísticas diferentes. Cada “cão” tem 90 centímetros de altura e é feito de fibra de vidro.
Os escultores Wong Ka Long e Gil Araújo, o “graffiter” Pat Lam, a artista plástica angolana Tchusca Songo, a estilista Bárbara Ian, o tatuador Filipe DeBritzz, o designer filipino Dan Sicado, a artista de marionetas Elisa Vilaça e a Faculdade de Indústrias Criativas da Universidade de São José são alguns dos participantes na exposição de rua.
À TRIBUNA DE MACAU, Mica Costa Grande explicou que a edição de 2017 teve de ser adiada devido à falta de financiamento. “Ainda tentámos organizar a meio do ano, mas tivemos o estúdio todo destruído pelo Hato. Mesmo a fábrica na China teve problemas para fazer os animais”, disse, adiantando que para compensar estão a pensar organizar uma actividade sobre o Ano do Galo.
“Esta é a continuação, será a quarta edição. É nos moldes de sempre, uma espécie de casamento entre a tradição chinesa e a arte moderna”, declarou, salientando que metade dos participantes são colaboradores fixos e outra parte novos artistas.
Lee Chi Hou
Segundo disse, a diferença face aos anos anteriores prende-se no facto de terem mudado os patrocinadores. Por isso mesmo, os apoios recolhidos são direccionados para a manufactura dos animais, ficando a decoração a cargo dos artistas.
O Venetian foi patrocinador nas outras edições. “O projecto foi muito bem aceite, mas por razões de política interna, que desconheço, não se mostraram interessados em continuar. Dois meses antes dos animais irem para a rua recebemos a notícia surpresa de que não iriam continuar”, referiu.
Assim, a organização teve de reformular os processos e agora conta com o apoio do Instituto Cultural (IC), Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais e Serviços de Turismo, que Mica Costa Grande espera que se possam tornar na base de apoio para o futuro.
“Em Macau, algumas coisas preservam-se para sempre, outras mudam muito rapidamente, como é o caso do IC que já teve três presidentes desde 2017. Mas espero que sim, nós queremos fazer todos os animais do zodíaco. Espero que este ano seja mais calmo e possamos solidificar o evento”, declarou.
Pat Lam
Mica Costa Grande indicou estar a ser equacionada a hipótese de fazer um “leasing” das peças às empresas, “para ajudar a compensar os artistas que tiveram muito trabalho”. “A associação fez a parte estratégica, de organização e de concepção do animal e depois eles fazem o resto”, frisou o fotógrafo.
Como incentivo, este ano será atribuído um prémio de 5.000 patacas ao melhor cão. “Até acho que [os artistas] se estão a esforçar mais. Ainda estamos a estudar, mas provavelmente vamos convidar uma série de pessoas ligadas às artes para no dia da inauguração escolherem o animal favorito. Talvez para o ano possamos atribuir um prémio do público”, avançou.
A cerimónia de abertura vai decorrer na tenda branca do Lago Nam Van amanhã ao final do dia e a exposição prolonga-se até 22 de Abril.



