Entre sexta-feira e ontem, uma das zonas de exposição do Venetian Macau foi ocupada pela primeira convenção de tatuagens do território composta por cerca de 150 artistas de todo o mundo. A organização esteve a cargo de dois tatuadores locais que esperam que o evento venha a acontecer todos os anos. Os participantes vêm sobretudo para mostrar o seu trabalho e ficar a conhecer outros artistas e o seu estilo
Inês Almeida
Depois de ter sido anunciada há já mais de um ano, teve lugar este fim-de-semana, no Hall E, do “Cotai Expo”, no Venetian, a primeira convenção de tatuagens na RAEM. A preparação do evento foi “muito interessante e entusiasmante”, assegurou uma das organizadoras.
“[A convenção] traz a Macau muitos tatuadores de vários países, com muitos estilos diferentes, o que é muito interessante. Temos cerca de 150 tatuadores do Japão, Espanha, Portugal, Itália, Tailândia”, explicou Charlotte Long, que organizou o evento a par do marido, Cheung, à TRIBUNA DE MACAU. A ideia de criar o evento partiu da intenção de “trazer para Macau algo diferente”.
“Antes de virmos para Macau viajámos por vários países e estivemos em vários concursos de tatuagem onde conhecemos outros tatuadores e convidámo-los para virem a Macau e para convivermos. Há aqui pessoas que são nossos amigos”, destacou.
Por outro lado, enfatizou, esta é uma área com um desenvolvimento recente em Macau, por isso, os artistas têm de “aprender com outras pessoas e de conhecer não apenas um estilo mais adequado a certos clientes”. “É preciso que criem o seu próprio estilo. Temos de trazer a diferença porque alguns ainda não têm ideia de qual é o seu estilo, por isso, temos de lhes mostrar o que podem fazer”, sustentou Charlotte Long.
Apesar de este ser um meio recente, a população começa a ser mais aberta. “As pessoas têm curiosidade, sabem que há quem esteja interessado em fazer tatuagens e, ao verem, têm mais possibilidade de vir a fazer. As pessoas estão mais abertas. Mesmo quem trabalha para o Governo, se conseguir tapar [a tatuagem] com uma camisa, por exemplo, está tudo bem. Pode fazer”.
A organizadora disse não ter expectativas específicas em termos de adesão ao evento, frisando apenas que a intenção inicial era que ele fosse frequentado não apenas por pessoas de Macau mas também de Hong Kong, Taiwan, Japão e outras regiões.
Além de os artistas virem apresentar os seus trabalhos, a convenção inclui diferentes competições incluindo “a melhor tatuagem do dia”, concursos de tatuagens mais pequenas e ainda “a melhor tatuagem da convenção”, para a “que for mais bonita e mais poderosa”, indicou Charlotte Long.
“Esperamos fazer isto todos os anos. Todas as coisas são difíceis no arranque. Espero que no próximo ano possamos ter mais pessoas a participar na convenção de tatuagens para que ela possa continuar”, destacou a organizadora.
O entusiasmo é partilhado pelos tatuadores participantes que vieram a Macau sobretudo com dois objectivos: mostrar o seu trabalho e conhecer outros artistas.
“Recebi o convite e já tinha ouvido falar deste evento há algum tempo e pensei que era uma boa oportunidade para vir a Macau. Não tenho expectativas, vim para ver o que se passa. Tenho alguns trabalhos para mostrar mas tenho uma postura relaxada nas convenções”, destacou Jeremy Furniss, de Perth, na Austrália.
Questionado sobre expectativas relativamente à reacção do público, o australiano disse esperar apenas que o público tenha “tendências mais orientais”. “O público pode ser diferente mas vamos ver como corre e pode ser que saia daqui com a oportunidade de voltar no futuro para fazer mais tatuagens”, salientou.
Ned Waldron, do Reino Unido mas a viver nas Filipinas, tem uma postura semelhante. “Como era a primeira convenção em Macau, resolvi vir experimentar. Crio e desenho máquinas para tatuar. Venho na esperança de vender algumas máquinas. Já estive no Vietname, Tailândia, mas é a primeira vez em Macau”, destacou. “A minha marca é conhecida em várias partes do mundo mas é a primeira vez que estou sequer perto da China”.
Entre os equipamentos em exposição estão canetas mais modernas, que suportam vários tipos de agulha, e outras máquinas semelhantes às que já se usam há mais de 150 anos porque, como explica o criador, “há quem goste dos equipamentos á moda antiga”.
De Portugal a Macau para fazer contactos
De geografias mais longínquas vieram Luís Loureiro e Tanis Biazus que se uniram para mostrar trabalho na RAEM pela primeira vez. “Sempre tive curiosidade em vir aqui porque tenho cá família. Entretanto, surgiu esta oportunidade e juntou-se o útil ao agradável. Quero conhecer mais pessoas, mais tatuadores, fazer amizades e contactos, que é o principal objectivo”, explicou Luís Loureiro, de Portugal, à TRIBUNA DE MACAU.
O tatuador procura ainda mostrar aquilo que gosta de fazer: tatuar. “Tanto eu como Tanis, apesar de termos estilos diferentes, queremos mostrar aquilo que conseguimos fazer aqui em Macau”.
Tatuador há oito anos, Luís Loureiro juntou-se a Tanis Biazus na convenção em Macau. “Somos bons amigos, já nos conhecemos há algum tempo, costumamos fazer convenções e trabalhar juntos em algumas lojas na Europa e juntámo-nos para esta convenção”. Em seguida, a dupla parte para a Alemanha.
A passagem por Macau é a primeira experiência na Ásia. “Estamos ainda perdidos por assim dizer porque não sabemos como é que as pessoas são, também é a primeira convenção, não sabemos como vai correr, mas esperamos que corra bem”.
Tanis Biazus tem expectativas semelhantes. “Esperamos que possamos mostrar o nosso trabalho, que seja um evento concorrido e consigamos conhecer novos artistas, trocar contactos e divulgar o trabalho”, sublinhou a tatuadora que exerce a função há oito anos.
Também Sergey Jaer, de Moscovo, espera fazer contactos na sua passagem por Macau. “É uma boa experiência para mim. Posso conhecer pessoas, outros artistas. Não tenho ainda marcações, mas espero que tenhamos cá pessoas e que possa fazer trabalhos interessantes”, sublinhou.
“Quero conhecer artistas de vários pontos da Ásia, ver como é o seu estilo, as diferenças entre os artistas e estilos europeus e asiáticos”, destacou o jovem que é tatuador há cerca de seis anos.
“Uma experiência diferente”
India M
akinucci, italiana a viver em Espanha, veio até Macau na esperança de ter “uma experiência diferente”. “Achei que seria uma oportunidade muito interessante, especialmente porque Macau é especial, é uma fusão entre os portugueses e chineses. Estava a pensar que como primeiro passo [na Ásia] seria muito interessante, até porque posso conhecer alguns artistas asiáticos, o que não é tão fácil na Europa”, contou à TRIBUNA DE MACAU.
Tatuadora há 10 anos, espera “aproveitar e ver o que oferece” o público de Macau. “Quero mostrar o meu trabalho e conhecer outros artistas. Há muitos do Japão, da China, e isso é muito interessante”, sublinhou India Makinucci que já tinha tido também a oportunidade de dialogar com potenciais clientes.
“São diferentes, muito detalhados, mas estou aberta a compreendê-los e a ver como é”, sustentou a tatuadora italiana.
De Hong Kong chegou o britânico Rob Kelly. “A primeira convenção de tatuagens de um sítio é sempre um evento interessante para participar. Além disso, eu vivo em Hong Kong, portanto, estou aqui perto”, destacou.



