Prevê-se que sejam necessários 10 anos para a recuperação total das zonas florestais afectadas pelo tufão “Hato”. Já nas áreas urbanas espera-se uma replantação de 70% a 80% das árvores afectadas até ao final do ano
Salomé Fernandes
A recuperação total das zonas florestais afectadas pela passagem do tufão “Hato”, deverá demorar 10 anos, indicou Ung Sio Wai, chefe da Divisão de Espaços Verdes Urbanos do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). Em causa está uma área de 500 hectares, com 500 mil árvores danificadas.
“Durante a Semana Verde [que decorre entre 17 e 25 de Março] vamos fazer a plantação de 1.000 pés de árvores só nestas zonas florestadas. Mas os prejuízos foram tão graves que vai demorar anos a conseguir fazer uma recuperação total das zonas florestais das ilhas. Envolve um trabalho mais complexo, temos de fazer a limpeza e depois a replantação”, explicou Ung Sio Wai.
As zonas mais atingidas foram as dos trilhos, pelo que, após a passagem do tufão, têm sido realizados trabalhos de recuperação da paisagem num raio de 10 metros dos dois lados dos caminhos. Segue-se a recuperação ecológica de cada zona, apontou o IACM.
No entanto, a prioridade vai para as árvores de “arruamento”. Depois do desastre natural, o IACM tratou mais de 17.000 árvores nas zonas urbanas na Península de Macau, Taipa e Coloane, removeu 3.500 e endireitou mais de 1.000.
“Este ano vamos recuperar 70% a 80% das árvores afectadas, destruídas ou arrancadas”, afirmou Ung Sio Wai. Isto porque já foram plantadas 100 árvores e prevê-se que cheguem às 2.000 até ao final de 2018, em jardins, zonas de lazer e ruas. “Vamos iniciar com a plantação de 1.500 pés e temos um orçamento de oito milhões de patacas”, informou.
Esta replantação vai recorrer a 15 espécies, que “dão flores e que são mais resistentes ao vento”. A sua escolha decorreu de sugestões apresentadas por especialistas da Administração Florestal da Província de Guangdong, da Universidade de Agricultura da Região Sul da China e da Universidade Sun-Yat Sen. “Apresentaram algumas espécies de árvores que oferecem maior resistência ao vento normalmente usadas em cidades costeiras, bem como introduziram os trabalhos de recuperação florestal”.
De acordo com o chefe da Divisão de Espaços Verdes Urbanos, árvores presentes no cenário de Macau, como a pagoda, têm raízes grandes mas incapazes de descer a uma profundidade que permita segurar a árvore. Por isso, os peritos aconselharam que a replantação fosse feita com árvores mais adaptáveis.
Dado que o tufão também afectou as instalações dos fornecedores de mudas de árvores na província de Guangdong, a Administração Florestal desta província vai apoiar a aquisição de mudas de outras zonas do Interior da China. O IACM informou que, depois da plantação, as árvores vão demorar entre três a cinco anos para crescer de forma a adquirirem maior capacidade de resistência ao vento.
Quanto à replantação das caldeiras cimentadas vai depender das condições de trânsito. “Se, por exemplo, uma caldeira ficar junto de um ponto da estrada em que pode afectar a visão dos condutores, nesse caso não pensamos em tirar o cimento para fazer a replantação, depende das condições”, esclareceu Ung Sio Wai aos jornalistas. O trabalho de manutenção de arborização está a cargo de uma equipa de 43 trabalhadores da linha da frente e oito técnicos.
Durante a passagem do “Hato”, 44 árvores antigas ficaram afectadas, de entre as quais nove caíram e houve necessidade de as arrancar. Permanecem 555 árvores antigas no território. Até 31 de Janeiro de 2018 registaram-se 22.343 árvores nas áreas urbanas no “Sistema de Gestão e Conservação de Árvores”.



