SANDRA MOUTINHO/CLÁUDIA JOAQUIM*
Os tachos da cozinha do restaurante guineense Mana Gra, em Massamá, só têm descanso quando os clientes deixam de entrar, o que não tem hora certa, porque são muitos os que, de várias partes do mundo, ali vão comer.

À porta, uma fase da autoria da cozinheira e proprietária, Graciete Kattar Madi: “A melhor receita de um restaurante é a fome”.
É também da sua autoria a decoração onde brilha o pano africano, que cobre as mesas e parte das paredes, além de uma bandeira da Guiné-Bissau, o seu país.
Assim que o lume é ligado, passam pelo fogão panelas cheias de pratos guineenses, e não só, com destaque para o caldo mancarra, o chabéu, o caldo branco de peixe, o caril, entre outros, acompanhados de sumos como o de calabaceira, tamarindo ou fole.
Actualmente não tem dificuldades em encontrar os produtos típicos da Guiné-Bissau para cozinhar, mas ainda se lembra de trazer pasta de amendoim e óleo de palma da Guiné para fazer em Portugal alguns dos pratos mais típicos, ou de pedir a amigos para o fazerem.
O restaurante está situado num centro comercial em Massamá, no concelho de Sintra, e durante a semana regista um entra e sai de clientes, de todas as idades e origens, como diz à Lusa a proprietária.
Graciete Kattar Madi, 52 anos, desde sempre que brilha na cozinha e é na restauração que trabalha desde 1998, quando veio para Portugal. O sonho de ter um espaço seu foi alcançado em 2021 e desde então que não lhe sobra tempo. E se durante a semana há sempre clientes a entrar, ao fim de semana mal pode circular entre as mesas, com a casa sempre cheia.
Não faz publicidade e sobre isso aponta para uma frase na parede de Philip Kotler, conhecido como o “pai” do marketing moderno: “A melhor propaganda é feita por clientes satisfeitos”.
Graciete gosta de frases e decorou parte das paredes com elas. E parece que as mesmas têm ajudado a não deixar a crise chegar ao seu restaurante.
Mas é sobretudo a ginástica que faz diariamente para conseguir os melhores produtos ao melhor preço que garante este sucesso. Conta para isso com a sua “simpatia” que cativa os fornecedores, os quais a avisam das promoções de valem a pena.
“Temos de ser simpáticos. Assim, eles avisam-me quando algum produto está em promoção e eu vejo se consigo incluí-lo nos pratos”, explica.
Além dos portugueses que diariamente escolhem fazer neste restaurante as suas refeições, a comunidade guineense faz questão de ali ir recordar a comida da sua terra, mas também guineenses que vivem em outros países e que pelos conterrâneos a viver em Portugal são informados do Mana Ga.
“Quem vem pela primeira vez não conhece, mas como gosta transmite aos amigos”, diz.
*Jornalistas da agência Lusa



