A companhia aérea de baixo custo Spirit Airlines, em processo de falência, encerrou as suas operações a 2 de Maio, tornando-se a primeira vítima do sector aéreo ligada à guerra com o Irão, depois de não ter conseguido o apoio dos credores para um plano de resgate do Governo norte-americano.
O colapso da primeira companhia aérea norte-americana devido à duplicação do preço do combustível de aviação durante os dois meses de guerra com o Irão resultará na perda de milhares de postos de trabalho. É um golpe para o presidente Donald Trump, que tinha proposto 500 milhões de dólares para salvar a Spirit, apesar da oposição de alguns dos seus conselheiros mais próximos e de muitos republicanos no Congresso.
Nenhuma companhia aérea americana da dimensão da Spirit – que chegou a ser responsável por 5% dos voos nos EUA – tinha sido liquidada em duas décadas. A Spirit ajudou a manter as tarifas aéreas mais baixas nos mercados em que competia com as principais companhias aéreas.
Uma reunião do conselho da Spirit terminou sem acordo para resgatar a empresa, disse à Reuters uma pessoa próxima das discussões no final do início desta semana.
“Infelizmente, apesar dos esforços da empresa, o recente aumento substancial dos preços do petróleo e outras pressões sobre os negócios impactaram significativamente as perspectivas financeiras da Spirit”, disse a empresa num comunicado que anuncia “um encerramento ordenado das operações”.
Donald Trump dissera, no dia 1 de Maio, que a Casa Branca tinha apresentado à Spirit e aos seus credores uma proposta final de resgate, depois das negociações terem chegado a um impasse sobre um pacote de financiamento que teria ajudado a transportadora a continuar a operar durante o processo de falência.
“Se pudermos ajudá-los, ajudaremos, mas temos de ver primeiro”, disse Trump aos jornalistas. “Se pudéssemos fazer isso, fazíamos, mas apenas se for um bom negócio”.
O colapso demonstra como o choque nos preços dos combustíveis provocado pela guerra com o Irão expôs as fragilidades das companhias aéreas.
O plano de reestruturação da Spirit previa custos de combustível de aviação de cerca de 2,24 dólares por galão em 2026 e 2,14 dólares em 2027, mas os preços subiram para cerca de 4,51 dólares por galão no final de Abril, tornando a companhia aérea incapaz de sobreviver sem novo financiamento.
O Secretário dos Transportes, Sean Duffy, disse à Reuters que tentou convencer várias companhias aéreas a comprar a Spirit, mas não encontrou interessados. “O que é que alguém compraria?”, questionou Duffy. “Se mais ninguém a quer comprar, por que razão a compraríamos nós?”
Um credor próximo do negócio afirmou: “A administração Trump fez um esforço extraordinário para tentar salvar a Spirit, mas não se pode ressuscitar um cadáver. Perante isto, a empresa deveria esclarecer as suas intenções pelo bem dos seus clientes e funcionários”.
As acções da Spirit, negociadas em mercado de balcão, registaram uma queda de 25% no dia 1 de Maio. As acções da concorrente Frontier Airlines subiram 10%, enquanto as da JetBlue Airways ganharam 4%.
A Spirit tinha chegado a um acordo com os credores que a ajudariam a sair da sua segunda falência até ao final da Primavera ou início do Verão. Mas estes planos foram frustrados depois da guerra ter provocado um aumento dos preços do combustível de aviação, comprometendo as projecções de custos da Spirit e complicando a saída da bancarrota.
A Spirit tinha 4.119 voos domésticos programados entre 1 e 15 de Maio, oferecendo 809.638 lugares, de acordo com os dados mais recentes da Cirium.
Em Abril, Trump disse que a sua administração procurava comprar a companhia aérea pelo “preço certo”. Fontes disseram que o governo tinha proposto 500 milhões de dólares. em financiamento em troca de garantias equivalentes a 90% do capital da Spirit.
Havia divergências dentro da administração Trump sobre se e como financiar o resgate, noticiou o “Wall Street Journal”, citando pessoas familiarizadas com o assunto.
A Casa Branca contactou outras companhias aéreas para discutir como acomodar os passageiros com bilhetes da Spirit. A United Airlines, a American Airlines, a Frontier Airlines e a JetBlue disseram que estavam preparadas para apoiar os clientes da Spirit, mas foi impossível impedir a falência.
JTM com agências internacionais



