“The Bye Bye Man”, de Stacy Title, é um dos poucos filmes de terror realizados por uma mulher
“The Bye Bye Man”, de Stacy Title, é um dos poucos filmes de terror realizados por uma mulher

As mulheres têm vindo a conquistar espaço no domínio da realização de filmes de terror, mas ainda são poucas, ao contrário do que sucede na plateia, onde a audiência feminina chega a representar 60% do total

 

Várias pesquisas nos Estados Unidos concluíram que as mulheres gostam mais de filmes de terror do que os homens, porém, encontrar uma realizadora que se dedique a este género é algo raro. Ainda assim, nos últimos anos, vários filmes de terror produzidos por mulheres fizeram sucesso nas bilheteiras e impuseram uma nova estética a este tipo de cinema.

O exemplo mais recente é “The Bye Bye Man”, de Stacy Title, que estreou no dia 13 nos Estados Unidos. O trailer, que deixou muitos cinéfilos ansiosos para ver o filme, tem de tudo: punhaladas, sangue, adolescentes em pânico, saltos de susto, no meio de um caos devastador.

Entre as produções mais recentes destacam-se também “The Babadook”, dirigido por Jennifer Kent, ou “A Girl Walks Home Alone at Night”, de Ana Lily Amirpou, aumentando o número de cineastas mulheres no género.

Mas, ainda são poucas, nota a agência AFP, ao salientar que, embora tenham sido produzidos milhares de filmes de terror desde que o francês Georges Méliès fez “Le manoir du diable” (“A mansão do diabo”) em 1896, o número de realizadoras desde o início do século XX não ultrapassa a centena, segundo dados do “Internet Movie Database”.

“Há uma geração perdida de mulheres talentosas que não estão a trabalhar porque infelizmente, para sorte dos homens, é um negócio sexista”, disse Stacy Title à AFP.

Centrado no Wisconsin dos anos 90, o seu filme conta a história de três estudantes que se mudam para uma casa velha fora do campus universitário, onde se vêem encurralados pelo “Bye Bye Man”, entidade sobrenatural malévola que, algumas décadas antes, já tinha aterrorizado vítimas desprevenidas.

O argumento baseia-se no compêndio que o historiador ocultista Robert Damon Schneck elaborou em 2005, intitulado “The President’s vampire: strange-but-true tales of the United States of America”, que conta as experiências de um amigo seu nesse estado americano e que afirmou ter enfrentado um espírito após jogar a Ouija, instrumento de comunicação com o além.

Stacy Title, que começou como editora e jornalista de investigação, tornou-se a mulher mais jovem a receber uma nomeação para o Óscar, por um curta-metragem de 1993: “Down on the Waterfront”. Mais tarde, dirigiu Cameron Diaz e Courtney B. Vance no terror cómico “The Last Supper” (1996) e cultivou o seu gosto pelo terror com “Snoop Dogg’s Hood of Horror”.

“Odeio dizer isto, mas fechamos os olhos, imaginamos o presidente, e é um homem. Independentemente do que pensarmos sobre Hillary Clinton, sabemos que ela sofreu um golpe muito mais duro do que um homem teria levado”, disse.

E isso, garante, estende-se à realização cinematográfica. “É difícil imaginar uma mulher nesse trabalho. Alguns homens servem como mentores de outros homens. É uma forma de eles se identificarem com alguém mais jovem, de recordarem a sua vida. As mulheres não se encaixam nesse papel”, acrescentou.

Title foi contratada pelo veterano Trevor Macy, que produziu mais de uma dúzia de filmes, como “Safe House”, com Denzel Washington e Ryan Reynolds, e “Oculus”, realizado pelo especialista em terror Mike Flanagan.

“Normalmente, num filme de terror de sucesso, 60% da audiência é composta por mulheres. E é ridículo que não haja mais vozes femininas atrás da câmara”, disse Macy à AFP.

 

JTM com agências internacionais