O verbo japonês totonou – utilizado para descrever a sensação de euforia e clareza mental associadas ao banho de sauna – tornou-se um fenómeno cultural nos últimos anos.

Os investigadores estão agora a tentar explicar cientificamente o que acontece dentro do corpo quando as pessoas alternam entre o calor da sauna, os banhos frios e os períodos de relaxamento ao ar livre, bem como a explorar formas de tornar o uso da sauna mais seguro.

No final de Janeiro, o professor Kota Kodama, da Universidade Hoshi de Tóquio, visitou uma sauna no bairro de Shibuya, na capital, para participar numa experiência com o objectivo de desvendar os mecanismos fisiológicos por detrás desta experiência.

Kodama, um autoproclamado entusiasta de saunas, ligou sensores de glicemia e um monitor de ritmo cardíaco ao seu corpo antes de entrar numa sauna durante 10 minutos. De seguida, passou três minutos num banho frio, seguidos de um período de descanso de cinco minutos. O ciclo foi repetido quatro vezes.

Estudos anteriores de pequena escala sugeriram que os níveis de açúcar no sangue aumentam numa sauna quente antes de descerem após o repouso subsequente a um banho frio. Os investigadores acreditam que as alterações podem estar ligadas ao sistema nervoso autónomo do corpo.

Acredita-se que a exposição à sauna e ao banho frio activa o sistema nervoso simpático, que excita o corpo e eleva os níveis de açúcar no sangue. Durante o período de repouso subsequente, o sistema nervoso parassimpático – associado ao relaxamento – torna-se mais activo, reduzindo os níveis de açúcar no sangue.

Se a sensação associada ao ciclo de sauna japonesa conhecido como totonou, nomeado para o prémio de palavra da moda do ano no Japão em 2021, é criada pela transição da excitação para o relaxamento, Kodama acredita que pode ser possível identificar este estado cientificamente, monitorizando as alterações na frequência cardíaca e nos níveis de açúcar no sangue.

“Espero demonstrar cientificamente como a variação da duração da sauna e do banho frio pode produzir um estado de completa satisfação física e mental”, disse Kodama.

Os investigadores pretendem recolher dados de mais de 100 pessoas antes de chegarem a conclusões definitivas. Mas, embora o forte contraste entre as saunas quentes e os banhos frios possa criar a sensação desejada, os investigadores afirmam que também apresenta riscos.

O professor associado Takuma Kogawa e os seus colegas do Instituto de Tecnologia de Shibaura estão a estudar formas de tornar o uso da sauna mais seguro, monitorizando o corpo em busca de sinais de choque térmico, uma condição causada por alterações repentinas da pressão arterial que podem levar ao desmaio ou enfarte do miocárdio. Embora a monitorização constante da pressão arterial em saunas e banhos frios fosse o ideal, os monitores de pressão arterial convencionais, utilizados no braço, não são concebidos para ambientes de alta temperatura.

Os investigadores começaram, então, a desenvolver um método para prever as flutuações da pressão arterial utilizando um dispositivo resistente ao calor, semelhante a um relógio smartwatch. Até à data, conseguiram estimar com precisão a temperatura corporal central de quatro utilizadores de saunas utilizando sensores de temperatura da pele.

Segundo a agência Kyodo, o desafio seguinte é estimar a pressão arterial utilizando dados de temperatura da pele e da temperatura corporal central. A equipa espera recolher informações de pessoas de diferentes idades e tipos físicos para desenvolver um sistema adequado para uma utilização mais ampla.

 

JTM com agências internacionais