O Rei de Espanha disse que a selecção do país teve um “triunfo épico” no Campeonato do Mundo de futebol, enquanto o primeiro-ministro realçou que “não há duas sem três” e sonha com nova vitória.

“Foi um triunfo épico”, disse Felipe VI, dirigindo-se aos jogadores e equipa técnica da selecção, que conquistou o Mundial2026, ao vencer a Argentina na final, por 1-0, após prolongamento, nos Estados Unidos.
Após a chegada a Espanha, e antes de um percurso pelas ruas de Madrid até à praça Cibeles, os jogadores da selecção espanhola foram recebidos pela família real no Palácio da Zarzuela e pelo primeiro-ministro, Pedro Sánchez, no Palácio da Moncloa.
Felipe VI destacou que Espanha é agora campeã do mundo de futebol em título tanto com a selecção masculina como a feminina e considerou que “é sempre extraordinário” vencer um mundial.
A selecção masculina conquistou o título pela segunda vez na história, 16 anos depois, e na segunda final do torneio que disputou, quando alguns dos hoje campeões “eram apenas bebés”.
“Quando joga a selecção, jogamos todos”, disse Felipe VI, considerando que a vitória foi conquistada pelos jogadores “para toda a Espanha”, antes de deixar um agradecimento a ‘la roja’: “Muito obrigado de toda a Espanha”.
Na passagem pela Moncloa, o PM agradeceu à equipa
“o jogo, o esforço e a vitória”. “Por que não sonhar com 2030? Não há duas sem três, ainda por cima, Espanha será anfitriã do Mundial”, disse Sánchez, que se referia ao Mundial2030, que será co-organizado por Espanha, Portugal e Marrocos.
Depois, a selecção campeã do mundo subiu para um autocarro aberto e iniciou um desfile pelas ruas de Madrid, para celebrações que levaram horas. As autoridades esperavam um milhão de pessoas nas ruas de Madrid e na praça Cibeles, onde a selecção terminou o percurso pela cidade.
A euforia espanhola com esta vitória foi visível logo no domingo à noite em praças e ruas de todo o país, onde milhares de pessoas se juntaram para seguir a final contra a Argentina em ecrãs gigantes e depois encheram as ruas de grandes e pequenas cidades com as celebrações, que se prolongaram pela madrugada.
Os espanhóis celebram a vitória no Campeonato do Mundo de uma selecção “que ilumina a melhor Espanha” e está a criar um “momento de emoção colectiva” raro num país com um discurso político e público muito polarizado, como escrevem o El Pais ou o El Mundo, nos respectivos editoriais.
Um Mundial de recordes
O Mundial2026 de futebol terminou com números inéditos de público e audiência, confirmou a FIFA, que aponta a “recordes batidos” tanto nos estádios como nas transmissões televisivas.
Antes da final, que consagrou a Espanha como campeã, o organismo já contabilizava 6,6 milhões de adeptos nos estádios dos três países que organizaram a fase final. Após o Espanha-Argentina (1-0), alguns meios de comunicação avançaram um total de 6,81 milhões de espectadores nos 104 jogos, à média de 65.490 por jogo.
A fasquia dos cinco milhões foi logo ultrapassada nos oitavos de final, no França-Suécia, superando largamente o máximo anterior de 3.587.538 do Mundial1994, numa edição organizada a solo pelos EUA, com 52 partidas, ou seja, metade do que sucedeu no actual formato.
Na edição deste ano, que decorreu entre 11 de Junho e 19 de Julho, a taxa de ocupação nos estádios atingiu 99,7%, apesar da polémica em torno dos preços elevados dos bilhetes.
“Sete milhões de pessoas nos estádios, dez milhões nas ruas dos Estados Unidos, Canadá e México, e milhares de milhões em frente às televisões”, disse o presidente da FIFA, Gianni Infantino.
Dispersa por 16 cidades – 11 dos Estados Unidos, três do México e duas do Canadá -, a prova teve 78 dos 104 duelos em território norte-americano, onde, segundo a revista Forbes, a final entre Espanha e Argentina incluiu os ingressos mais caros de sempre em eventos desportivos ali realizados.
Sem números finais divulgados, a FIFA garantiu que “recordes de audiência televisiva foram batidos, tanto nos países anfitriões como em todo o mundo”.
O total de prémios também subiu 15%, para 871 milhões de dólares.
O campeão em Nova Iorque arrecadava 50 milhões, enquanto cada selecção participante garantia um mínimo de 12,5 milhões, valor que não elimina o impacto dos custos acrescidos pela dimensão geográfica do torneio.
JTM com Lusa



