Ocasionalmente, um odor forte atinge os peões enquanto caminham pelos passeios de Seul ou esperam nas paragens de autocarro na Coreia do Sul.
Embora o cheiro geralmente desapareça em segundos, queixas semelhantes têm sido feitas repetidamente por residentes e visitantes, e publicações que descrevem explosões repentinas de odores semelhantes a esgotos podem ser facilmente encontradas em comunidades online coreanas e internacionais.
Grande parte do cheiro parece vir do sistema de esgotos.
De acordo com um relatório de 2025 do Instituto de Seul, os odores relacionados com esgotos representam cerca de metade das queixas civis da cidade sobre maus odores.
Embora as queixas tenham diminuído depois de Seul ter lançado medidas em 2015, voltaram a aumentar desde então. A cidade tem vindo a esforçar-se para lidar com o problema há mais de uma década, mas ainda há dúvidas sobre se as medidas de mitigação são suficientes para eliminar o odor persistente.
A principal fonte do odor é o sulfureto de hidrogénio, um gás conhecido pelo cheiro a ovos podres. Forma-se quando a matéria orgânica presente no esgoto se decompõe em ambientes com pouco oxigénio.
O sistema de esgotos de Seul tem tido dificuldades em acompanhar o rápido crescimento urbano da cidade, e muitos edifícios instalaram fossas sépticas como medida provisória antes de o esgoto ser despejado nas tubagens subterrâneas.
Embora estas fossas removam parte dos resíduos sólidos, a matéria orgânica dissolvida permanece nas águas residuais que fluem para os esgotos subterrâneos, onde se pode decompor e produzir ácido sulfídrico.
Durante chuvas intensas, o aumento do fluxo de água ajuda a eliminar o esgoto pelo sistema e reduz a acumulação de gases causadores de maus odores.
Mas durante períodos quentes e secos, com pouca chuva, o sulfureto de hidrogénio pode acumular-se nos esgotos e escapar por aberturas.
“Os odores podem ser causados por diversos factores complexos, pelo que devem ser tratados com base em diagnósticos de especialistas e caso a caso”, disse um funcionário da câmara municipal de Seul.
“Quedas acentuadas no fluxo de esgotos e a acumulação de sedimentos dentro dos canos podem contribuir para odores desagradáveis. Por isso, a cidade está a considerar medidas como a alteração das estruturas de esgotos e a dragagem dos sedimentos acumulados”.
Outro funcionário da câmara municipal afirmou que o sistema de esgotos combinado de Seul, onde o esgoto dos prédios e a água da chuva das ruas fluem através dos mesmos canos subterrâneos, também pode contribuir para problemas de odor.
Desde o início da década de 1990 que Seul considera a conversão do sistema para um em que o esgoto e a água da chuva sejam transportados através de tubagens separadas. No entanto, o progresso tem sido lento devido à dificuldade e ao elevado custo da substituição das redes de esgotos subterrâneas.
Em 2025, apenas 20,4% da rede total de esgotos de Seul tinha sido convertida para um sistema separado.
Seul deu prioridade à redução do odor do esgoto nas políticas ambientais, com uma equipa dedicada a supervisionar projectos de mitigação de odores.
O actual quadro jurídico centra-se principalmente na gestão de odores que excedem os limites permitidos, em vez de exigir que os governos locais tomem medidas proactivas para os combater.
Os especialistas afirmam que a cidade precisa de soluções mais fundamentais e a longo prazo, defendendo que uma grande metrópole como Seul deveria adoptar uma abordagem mais proactiva para lidar com problemas persistentes de odor.
O número de queixas sobre o odor a esgoto em Seul desceu de 3.095 em 2015 para 1.660 em 2020, em parte devido aos esforços da cidade, incluindo a instalação de dispositivos de redução de odor em grandes fossas sépticas. No entanto, as queixas voltaram a subir para 2.302 em 2024.
Ki Dong-won, investigador do Instituto de Seul, afirmou que uma abordagem baseada em queixas tem dificultado o estabelecimento de soluções padronizadas e de longo prazo.
“A Coreia ainda precisa de desenvolver modelos que possam prever como os odores de esgoto se espalham à superfície ou analisar os seus percursos de difusão, o que dificulta a identificação de áreas vulneráveis às queixas de odor”, disse Ki.
“Esforços como a criação de mapas de odor de esgoto estão em curso, mas ainda não estão ligados a indicadores de desempenho ou normas de avaliação para instalações de redução de odores”.
Park Seok-soon, professor emérito de engenharia ambiental na Universidade Feminina Ewha, afirmou que a água deveria ser recirculada artificialmente através das condutas de esgoto para evitar a estagnação e decomposição do esgoto, dada a dificuldade de substituir os sistemas de esgotos combinados.
“Quando a água permanece estagnada nos reservatórios durante muito tempo, a sua qualidade deteriora-se. Acredito que a introdução de água proveniente de hidrantes ou outras instalações poderia ajudar a circular a água através dos esgotos”, disse Park.
“Muitas grandes cidades no Japão e noutros países desenvolvidos ainda utilizam sistemas de esgotos combinados. Em última análise, tudo se resume à rigidez com que estes sistemas são geridos”.
JTM com agências de notícias ocidentais



