Um ano após ter decidido parar de publicar fotos de nudez na edição impressa, a “Playboy” anunciou que vai retomar a sua antiga tradição. Para o director criativo e filho do fundador da revista, a eliminação da nudez integral “foi um erro”
A revista “Playboy” vai voltar a publicar fotos de mulheres nuas, depois dos seus directores terem admitido que erraram quando decidiram retirar essas imagens que foram estampadas na publicação durante décadas. Anunciada em Outubro de 2015 e implementada a partir da edição de Março do ano seguinte, a histórica decisão de acabar com a publicação de fotos com nudez integral foi justificada pela direcção da revista como uma consequência da realidade imposta pela internet, onde abundam os conteúdos sexuais acessíveis gratuitamente em todo o mundo.
“Serei o primeiro a admitir que a forma como a revista retratava a nudez estava ultrapassada, mas eliminá-la totalmente foi um erro”, reconheceu Cooper Hefner, recém-nomeado director criativo da “Playboy” e filho do famoso fundador da revista, Hugh Hefner.
“A nudez não era o problema, porque a nudez não é um problema. Hoje nós recuperámos a nossa identidade e reivindicamos quem somos”, completou o executivo, num comunicado publicado no “Twitter”.
Depois de anunciar o regresso às suas origens, a Playboy divulgou a edição de Março/Abril com uma foto no Twitter da sua Playmate do Mês e a hashtag #NakedIsNormal (Nu é normal). A nova edição apresentará na capa a modelo Elizabeth Elam já sem roupa.
Além da sua mensagem no “Twitter”, Cooper Hefner também publicou um texto no site da revista para actualizar “a filosofia da Playboy” adoptada pelo seu pai, que agora tem 90 anos. “Ao longo dos anos, a ‘Playboy’ evoluiu para algo muito maior do que Hugh Hefner podia imaginar, e o (logótipo) do coelho transformou-se numa espécie de teste de Rorschach à atitude das pessoas em relação ao sexo. O que se vê neste coelho diz mais sobre alguém do que qualquer outra coisa”, escreveu, sustentando ainda que a revista lutou pelos direitos civis e a liberdade de expressão, e expressou a sua opinião sobre a política na actualidade.
“Ficou claro que o objectivo do meu pai ao lançar a ‘Playboy’ era promover uma conversa saudável sobre sexo, além de encorajar o diálogo sobre opiniões sociais, filosóficas e religiosas”, acrescentou o filho do fundador. No entanto, acrescentou, “muitos interpretaram mal essa mensagem ou não a entenderam, preferindo em vez disso focar-se no retrato sem remorso da nudez e da sua abordagem revolucionária do sexo”.
Para Cooper Hefner, essa constitui “a ironia final”, uma vez que “o sexo figurativamente é o ‘big bang’ por trás da vossa existência, da minha existência, de toda a existência consciente e da civilização em si”.
O novo anúncio marca um “rebranding” – que também remove o slogan “entretenimento para homens” das capas da revista lançada em 1953.
“A Playboy sempre será uma marca de estilo de vida focada nos interesses dos homens, mas como os papéis de género continuam a evoluir na sociedade, nós também continuaremos”, disse Cooper Hefner.
JTM com agências internacionais



