A reabertura do Museu Metropolitano de Arte decorreu num ambiente festivo, num sinal de que Nova Iorque volta a ganhar animação depois da pandemia ter imposto um ritmo desconhecido durante quase seis meses
Entre aplausos, visitantes com os braços levantados em sinal comemoração e filas junto às bilheteiras, as manifestações de alegria foram bem perceptíveis em Nova Iorque durante a reabertura do Museu Metropolitano de Arte (Met), um dos mais visitados do mundo.
“Sou um grande fã dos museus e estou absolutamente emocionada por estar aqui. É um momento realmente importante para a cidade, tudo está a começar a voltar à vida”, disse à agência AFP a nova-iorquina Michelle Scully, de 39 anos, uma das primeiras a voltar ao imponente edifício da Quinta Avenida.
Nova Iorque é “a melhor cidade do mundo e estamos aqui, não vamos embora: será ainda melhor do que antes”, acrescentou.
Tal como centenas de pessoas, Scully fez fila desde as 10h de sábado e respeitou, sorridente, as novas regras sanitárias – uso de máscaras, medição da temperatura e reserva – para poder contemplar o Templo de Dendur e os tesouros, do antigo Egipto à arte contemporânea.
Tracy-Ann Samuel viajou de Connecticut, cidade vizinha da “Big Apple”, com as filhas de quatro e nove anos, ansiosa por estar mais uma vez “rodeada de belas obras de arte”, que considera uma “terapia para a alma”. A reabertura é “um primeiro passo importante”, na medida em que “significa que há uma aparência de normalidade”, disse, frisando que “o Met faz parte da história de Nova Iorque há 150 anos”.
Durante semanas, o Met viu grandes instituições europeias, como o Louvre, reabrirem portas, mas as autoridades de Nova Iorque, cidade que registou um número recorde de mais de 23.600 mortes, agiram de forma muito cautelosa para conter a pandemia e só agora deram “luz verde” para o regresso dos museus. O Museu de Arte Moderna (MoMA) reabriu na quinta-feira, limitado a 25% da sua capacidade.
Os funcionários do Met mostram-se tranquilos perante a possibilidade de uma “segunda onda” de COVID-19. “Ouvimos sobre o que está a acontecer noutros lugares e sabemos que (reabrir) de forma segura não é tão difícil”, disse Daniel Weiss, presidente do museu.
Também houve tempo para adaptações ao movimento histórico contra as desigualdades sociais que agita os EUA desde a morte do afro-americano George Floyd, no final de Maio. Segundo Weiss, o Met apresenta uma nova exposição dedicada ao artista Jacob Lawrence (1917-2000), reflectindo um museu “mais inclusivo” com a comunidade negra.
No entanto, o défice desta instituição, que depende mais da bilheteira do que os museus europeus e que planeava comemorar o 150º aniversário com um grande evento em Abril, é “muito substancial”: 150 milhões de dólares em perdas em 18 meses, segundo Weiss.
Com o desaparecimento dos turistas, o museu teve de reduzir as despesas e cortar cerca de 20% dos seus 2.000 funcionários. Além disso, durante meses, terá de operar com capacidade limitada: no dia da reabertura eram aguardadas entre 7.000 e 10.000 pessoas contra 30.000 a 40.000 num sábado “normal” de Agosto.
Contudo, o Met poderá sobreviver por ser “uma grande instituição”, afirmou Weiss. “Estou muito mais preocupado com as pequenas”.
Embora alguns vejam o futuro sombrio, Weiss está convicto, como muitos, de que a cidade ressurgirá. Desde os atentados de 11 de Setembro de 2001 ao furacão Sandy em 2012 e à crise financeira de 2008, “Nova Iorque passou por muitas, muitas coisas”, disse.
“Todos querem ver os turistas voltarem (…) Quando isso ocorrer, estaremos prontos”, assegurou.
JTM com agências



