Ung Vai Meng
Ung Vai Meng

Um retrato da vida quotidiana de Macau no passado, através de uma exposição de Ung Vai Meng e Chan Hin Io, será um dos destaques da programação de 2019 do Museu Colecção Berardo, em Lisboa

 

A exposição “Guilherme & Chan: (Des)Construções da Memória”, com curadoria de João Miguel Barros, a partir do trabalho de dois artistas residentes em Macau, encerra a programação 2019 do Museu Colecção Berardo, a partir de 30 de Outubro, prolongando-se até Fevereiro de 2020.

Vinte anos após a transferência de soberania de Macau, esta exposição reúne uma série de objectos aparentemente triviais que testemunham os costumes e a vida quotidiana em Macau no passado. O projecto incluirá fotografias, objectos antigos, vídeos de performances e textos explicativos, prevendo-se ainda a construção de uma grande estrutura em bambu – tal como as que se utilizam na China em todas as edificações – no interior da galeria.

Ung Vai Meng nasceu em Macau, onde estudou desenho e aguarela com o pintor Kam Cheong Ling, e em 1991, com uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian e do Instituto Cultural de Macau, estudou no AR.CO, em Lisboa. Foi nomeado director do Museu de Arte de Macau em 1999 e chefe dos Serviços Culturais e Recreativos do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais em 2008, e, entre Janeiro de 2010 e Fevereiro de 2017, assumiu a presidência do Instituto Cultural.

Chan Hin Io

Por sua vez, Chan Hin Io é natural de Zhongshan, província de Guangdong, e reside actualmente em Macau, dedicando-se à fotografia desde 1996, com especial interesse pelas tradições, pela cultura e pela paisagem urbana do território. Algumas das suas obras fazem parte da colecção do Museu de Arte e do Arquivo de Macau.

Em foco no programa do Museu Berardo estará também o artista Miguel Palma, com a sua visão do “desconforto moderno”. “Miguel Palma: Ainda o Desconforto Moderno” estará patente a partir de 18 de Setembro de 2019, com curadoria de Miguel Von Hafe, sobre um trabalho maioritariamente produzido no campo da instalação, afirmando-se contra a progressiva alienação dos processos de produção.

“Em muitas das suas obras, encontramos um deslumbramento quase infantil com o fazer, que se espelha num encantamento pelos materiais e pela manufactura”, assinala um texto da programação do museu, enviado à agência Lusa.

A partir de 20 de Março surge a obra de outro artista português: “André Romão: Fauna”, assim se intitula a exposição, que tem curadoria de Pedro Lapa, e apresenta novos trabalhos encomendados. A exposição desenvolve-se mediante quatro núcleos, guiados por uma narrativa linear, livre e especulativa, construída em torno de ideias sobre a sobrevivência e das formas de habitar o mundo, tanto física como culturalmente, propondo “uma viagem nocturna surreal”.

“Victor Pires Vieira: Trash: Lixo de artista”, é o título preliminar da exposição que abrirá a 5 de Julho, construída em torno da ideia do lixo de artista, um tema que vem de 2008, e que Pires Vieira tem vindo a recuperar, produzindo alguns objectos.

 

JTM com Lusa