Foto de arquivo de 25 de abril de 2024. A mulher que transformou o cravo no símbolo do 25 de Abril de 1974, Celeste Caeiro, morreu hoje aos 92 anos no Hospital de Leiria, disse a família à agência Lusa, 15 de novembro de 2024. A neta, Carolina Caeiro Fontela, confirmou à Lusa que a avó morreu hoje de manhã no Hospital de Leiria devido a problemas do foro respiratório, lamentando que Celeste Caeiro nunca tenha sido homenageada em vida. ANTÓNIO COTRIM/LUSA
Foto de arquivo de 25 de abril de 2024. A mulher que transformou o cravo no símbolo do 25 de Abril de 1974, Celeste Caeiro, morreu hoje aos 92 anos no Hospital de Leiria, disse a família à agência Lusa, 15 de novembro de 2024. A neta, Carolina Caeiro Fontela, confirmou à Lusa que a avó morreu hoje de manhã no Hospital de Leiria devido a problemas do foro respiratório, lamentando que Celeste Caeiro nunca tenha sido homenageada em vida. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

A mulher que transformou o cravo no símbolo do 25 de Abril de 1974, Celeste Caeiro, morreu aos 92 anos no Hospital de Leiria devido a problemas do foro respiratório.

Em Abril passado, por ocasião das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril de 1974, residentes em Alcobaça, esclareceram as lacunas da história: “Há muita gente que ainda pensa que foi uma florista [que deu um cravo a um soldado], mas a minha avó não era florista”, disse a neta à Lusa, lembrando que Celeste trabalhava num ‘self-service’ no edifício Franjinhas, na Rua Braamcamp, em Lisboa.

Com a mãe e uma filha de cinco anos a seu cargo e a viver numa “casa humilde, sem rádio e sem televisão”, só quando chegou ao emprego, no dia 25 de Abril de 1974, é que Celeste soube que estava a haver uma revolução.

Nesse dia, o ‘self-service’, que completava um ano, não iria abrir portas e o patrão, “que tinha mandado comprar cravos para oferecer aos clientes e decorar o espaço, disse aos funcionários que levassem um ramo cada um”.

Celeste pegou no seu ramo de cravos – “vermelhos e brancos” – e rumou ao Rossio para ver “o que há tanto tempo esperava que acontecesse”. Foi aí que perguntou a um soldado o que estavam ali a fazer e se precisava de alguma coisa.

O soldado, “de quem nunca soube a identidade, fez sinal de que queria um cigarro” e Celeste, que sofria dos pulmões e nunca fumou, deu-lhe antes um cravo, que o militar colocou no cano da arma e que acabaria por ser o símbolo da revolução.

A história de Celeste Caeiro, entrelaçada com aspectos políticos e sociais da época, foi contada num documentário da Comissão dos 50 anos do 25 de Abril, com argumento original de Vilma Reis e Roberto Faustino e produção de Tino Navarro e MGN Filmes Lisboa.

 

PR anuncia condecoração póstuma

O Presidente da República manifestou tristeza pela morte de Celeste Caeiro e anunciou que a irá condecorar a título póstumo. No fim da 29ª Cimeira Ibero-Americana, em Cuenca, no Equador, Marcelo Rebelo de Sousa declarou ter recebido a notícia da morte de Celeste Caeiro “com muita tristeza”.

“Eu estive com ela, depois combinámos uma ida a Belém para a condecoração, ela não pôde, uma ou duas vezes, caiu doente. E será certamente condecorada a título póstumo. Mas ela soube disso, ficou muito feliz com a notícia, infelizmente não pode receber as insígnias em vida”, acrescentou o chefe de Estado.

 

JTM com Lusa