A romancista, poetisa e ensaísta canadiana Margaret Atwood planeia lançar em Setembro de 2019 uma sequência do seu principal romance: “The Handmaid’s Tale”

 

A autora canadiana Margaret Atwood, de 79 anos, anunciou que, a 10 de Setembro do próximo ano, irá publicar uma sequela do seu romance “The Handmaid’s Tale” (“A História de uma serva”, na tradução portuguesa publicada pela Bertrand), prometendo aprofundar a sua visão dos Estados Unidos distópicos comandados por uma teocracia misógina.

Intitulado “The Testaments”, o novo livro seguirá as narrativas não resolvidas no original, de 1985, investigando o “funcionamento interno” da nação fictícia de Gilead, onde a história se desenrola. “A outra inspiração é o mundo onde vivemos hoje”, adiantou a famosa escritora numa mensagem de vídeo publicada no Twitter.

Narrada por três personagens femininas, a história decorre 15 anos após a cena final de Offred, protagonista do primeiro livro, o momento em que a porta da “van” preta bate e a personagem está prestes a ser levada para um futuro incerto ou de liberdade, ou de mais tortura e prisão, ou até mesmo de morte.

“Desde a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, o livro ‘The Handmaid’s Tale’ tornou-se um símbolo dos direitos das mulheres e de um posicionamento contra a misoginia. Agora, podemos revelar que Margaret Atwood está a escrever uma sequela”, destacou a editora britânica Penguin, em comunicado.

O sucesso de “The Handmaid’s Tale” tem sido amplificado pela grande popularidade da série da Hulu adaptada do romance. Foi exibida pela primeira vez em 2017, logo após os Estados Unidos assistirem à posse presidencial de Donald Trump. O pesadelo de Atwood de um país transformado numa sociedade totalitária, onde as mulheres são reduzidas à escravidão sexual, rapidamente se tornou uma parábola para muitos sobre a viragem política à direita e o reconhecimento nacional sobre abuso sexual.

Desde então, mulheres manifestaram-se em todo o mundo vestindo a roupa vermelha com a touca branca usada na TV pelas mulheres perseguidas de Gilead, em protestos a favor do direito ao aborto em Buenos Aires e Dublin, em comícios anti-Trump em Varsóvia, ou contra a nomeação de Brett Kavanaugh para a Suprema Corte dos Estados Unidos.

Desde o seu lançamento há 33 anos, o livro “The Handmaid’s inspirou um filme, um ballet, uma ópera e uma série de televisão.

No ano passado, a romancista, poetisa e activista ambiental recebeu o prémio internacional Franz Kafka 2017, recompensando o “trabalho de toda a sua vida”. Margaret Atwood escreveu 17 romances, sete livros infantis e cerca de 20 livros de poesia, e foi traduzida para cerca de 50 idiomas.

 

JTM com Lusa e agências internacionais