Imagens raras feitas por uma sonda espacial japonesa durante o sobrevoo de um asteróide próximo da Terra revelaram que a rocha espacial parecia um boneco de neve, informaram cientistas.

A sonda Hayabusa2, do tamanho de uma geladeira, passou de raspão no domingo pelo asteróide Torifune, numa missão que demonstrou a capacidade de desviar da Terra uma rocha espacial potencialmente perigosa. Uma nova imagem divulgada pela Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA) pode ajudar nesses esforços, já que os investigadores afirmam que as características dos asteróides próximos da Terra variam em tamanho, forma e superfície.

“No momento em que vi de facto esta imagem e os dados científicos, fiquei realmente arrepiado”, disse à imprensa o cientista da JAXA Yuya Mimasu, acrescentando que o asteróide lhe “pareceu um boneco de neve”.

A imagem em preto e branco, feita por uma câmara telescópica, mostrava o que pareciam ser dois objectos redondos unidos.

Embora já se soubesse que Torifune tinha uma forma alongada, os seus detalhes eram desconhecidos. “Dá para ver as rochas. Realmente não esperava conseguir tirar uma foto como esta, por isso, estou absolutamente nas nuvens”, afirmou.

A missão ocorre após o teste bem-sucedido realizado pela NASA em 2022, que conseguiu alterar a órbita do asteróide Dimorphos ao atingi-lo deliberadamente com uma nave espacial.

Deslocando-se a uma velocidade de mais de 18.000 km/h, a sonda deveria passar a menos de 800 metros do asteróide, mas a JAXA informou que analisará a distância posteriormente. O objectivo era avaliar se uma nave deste tipo conseguiria desviar um asteróide que representasse uma ameaça para a Terra.

A sonda Hayabusa2, que se deslocava a mais de 18.000 km por hora, não foi projectada para colidir com o asteróide Torifune. Os cientistas apenas queriam comprovar se podiam controlar com grande precisão a trajectória da sonda, o que seria essencial para uma eventual missão de desvio de asteróides.

Imagens divulgadas online pela agência espacial japonesa mostraram os cientistas a aplaudir na sala de controle.

Se for confirmado que a nave passou a menos de 800 metros de Torifune, a operação tornar-se-á um dos sobrevoos mais próximos já realizados em um asteróide próximo da Terra.

As câmaras da Hayabusa2 também deviam compilar dados sobre a superfície do asteróide, inclusive as suas características geográficas, textura e temperatura, informações consideradas cruciais para futuras missões de defesa da Terra.

A missão não responde a nenhuma ameaça real e imediata para a Terra.

Lançada em 2014, a Hayabusa2 já tinha impressionado a comunidade científica ao pousar no asteróide Ryugu, situado a cerca de 300 milhões de quilómetros do nosso planeta, e recolher amostras da sua superfície. Seis anos depois, a nave voltou à Terra com fragmentos do asteróide, que permitiram aos cientistas obter pistas sobre como era o sistema solar nas suas origens.

Após a missão em Torifune, está previsto que a sonda tente, em 2031, um “encontro” com outro asteróide, denominado 1998 KY26, uma manobra que consiste em voar junto do corpo celeste e, inclusive, pousar nele para compilar informações detalhadas.

 

JTM com agências internacionais