O escritor peruano Mario Vargas Llosa revelou que o seu próximo romance será inspirado numa história ocorrida na Guatemala, e que surgiu num jantar que o aborreceu sobremaneira
Mario Vargas Llosa, prémio Nobel da Literatura de 2010, adiantou que está a trabalhar num novo projecto literário, mas escusou-se a entrar em detalhes devido a uma superstição sua, para evitar que o livro não seja publicado. Segundo o escritor, a ideia nasceu há alguns anos num jantar onde se sentia “absolutamente aborrecido”.
“Quando já estava a terminar e as pessoas começavam a ir embora, uma voz ao meu lado disse-me: ‘Mario, eu tenho uma história para você escrever. Eu pensei: ‘Que horror!’. Basta que digam a um escritor: ‘tenho uma história para você’ para que essa história não seja escrita”, contou à jornalista cubana Yoani Sánchez, durante uma conversa no Hay Festival de Arequipa, cidade natal do romancista peruano.
“No entanto, contou-me uma história de um país que eu tinha visitado apenas como turista, a Guatemala, e pouco a pouco, com o passar dos dias e das semanas, esse personagem da história começou a ser uma presença”, acrescentou.
O escritor de 82 anos explicou que começou então a ler “muitas coisas para ver se a época mais ou menos correspondia” com a história que lhe relataram e, ao mesmo tempo, tomava notas. “De repente apercebi-me que tinha em mãos um projecto novelístico”, destacou Vargas Llosa, último sobrevivente da geração do “boom” do romance latino-americano.
Vargas Llosa publicou neste ano “La llamada de la tribu” (“O apelo da tribo”), um livro de ensaios onde explica a sua transição do socialismo e do comunismo para o liberalismo. O seu último romance remonta a 2016, quando lançou “Cinco esquinas”, uma história ambientada no corrupto Peru dos anos 90, durante o regime do ex-presidente Alberto Fujimori.
Nos últimos tempos, o escritor também seguido com especial atenção, e um olhar muito crítico, a crise na Venezuela. “O trágico caso da Venezuela é que agora não há eleições livres, não há liberdade de expressão. Foi estabelecida uma ditadura totalitária”, disse em entrevista ao jornal peruano “La República”.
Para o autor, o modelo venezuelano não é uma fórmula que traga prosperidade, justiça ou que sirva de exemplo na América Latina. “O terrível fracasso daquela sociedade, aquela sociedade potencialmente tão rica que hoje é um país miserável, aquela sociedade potencialmente tão rica que hoje é um país miserável que está a colocar os pobres venezuelanos nas estradas em busca de sobrevivência”, lamentou.
Vargas Llosa também abordou os casos de corrupção nos países sul-americanos. “Temos uma democracia muito corrupta, vivenciamos a corrupção brasileira muito directamente através da Odebrecht e através de Lula”, disse, após criticar duramente o ex-presidente e amigo Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018) por ter indultado a prisão por corrupção do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000). “A sua imagem política não tem salvação, ele será como um presidente que desapontou”, disse, instando os peruanos a evitar a escolha de um congresso “fujimorista” nas próximas eleições de 2021.
JTM com agências internacionais



