Museu em Milão apresenta 80 obras de Bansky
Museu em Milão apresenta 80 obras de Bansky

A rebeldia artística de Banksy pode agora ser apreciada num Museu de Milão, numa exposição não autorizada pelo ícone da arte urbana. Uma associação de Bruxelas também teve uma ideia similar, mas as obras foram confiscadas pelas autoridades

 

Embora a identidade de Bansky continue a ser desconhecida, as suas obras geram cada vez mais fascínio. Para ajudar a “descobrir” o misterioso artista urbano britânico, o Museu da Cultura (Mudec) em Milão organizou uma exposição composta por 80 obras do rebelde mestre do grafite.

Esta exposição não foi autorizada por Bansky, pelo que a sua montagem revelou-se “muito difícil montá-la”, reconheceu o curador, Gianni Mercurio, sublinhando, inclusive, que “foi como trabalhar com um fantasma”.

O ícone mundial da arte urbana, cuja obra mistura política, ironia e poesia, rejeita desde o início, nos anos 1990, a comercialização da arte, não expõe em galerias e costuma criticar os preços exorbitantes que as suas criações atingem.

“Banksy deve muito do seu sucesso, ou melhor, da sua popularidade, ao facto de ser um artista anónimo, o que é uma contradição em si: a fama por meio do anonimato”, comentou Mercurio à Agência AFP.

Intitulada “A arte de Banksy, um protesto visual”, a exposição parte das suas fontes de inspiração, como o Movimento de Maio de 1968 e analisa a rebelião, tema fetiche para o artista. Entre os trabalhos expostos constam capas de vinis e CD desenhadas por Banksy para Blur ou Paris Hilton, trabalhos pouco conhecidos. Um documentário de 20 minutos e um espaço multimédia também viajam pelos lugares do mundo onde o artista trabalhou.

Um antigo supermercado de Bruxelas condenado à demolição também deveria servir de cenário até ao final do ano de uma exposição, igualmente sem o consentimento do autor, 61 obras de Banksy. A ideia partiu de Alexandra Lambert e Fred Atax, que há três anos fundaram a “Strokar”, associação sem fins lucrativos com a qual queriam posicionar Bruxelas no panorama internacional da arte urbana.

A mostra chegou a estar patente ao público, mas as autoridades belgas acabaram por confiscar 58 peças, devido a uma disputa entre uma empresa alemã que facilitou a exposição e Steve Lazarides, antigo “manager” de Banksy que alegadamente detém a maioria dos trabalhos.

“Escrevemos a Banksy para dizer que queríamos chamar a atenção sobre os artistas de arte urbana, que pagamos uma renda e despesas, que temos um proprietário que não quer que fiquemos… Perguntámos-lhe o que nos propunha, ou se queria vir fazer uma exposição gratuita, mas nunca nos respondeu”, declarou Lambert à Agência EFE, antes da apreensão das obras.

A poucos metros, um enorme painel com letras de molde pendurado numa parede indicava: “Hey, Banksy. Por que não respondes aos meus e-mails?”.

Segundo a co-fundadora da “Strokar”, os lucros da mostra “Banksy não autorizado” reverteriam para a criação de um spray “o mais ecológico possível” e desenvolvimento de um centro de arte em Cabo Verde.

 

JTM com agências internacionais