Várias dezenas de artistas participantes na Bienal de Arte de Veneza solicitaram aos organizadores que os excluam dos prémios deste ano, que serão decididos pelo público após a demissão do júri.

Este é o mais recente capítulo da crise em curso no evento. No final de Abril, o júri demitiu-se em massa devido à controvérsia em torno da presença dos pavilhões da Rússia e de Israel, países cujos líderes foram “acusados ​​de crimes contra a humanidade”.

Após esta renúncia, a Bienal anunciou que os prémios seriam decididos pelos visitantes do evento e que o anúncio do vencedor seria adiado de 9 de Maio para 22 de Novembro.

Pouco depois, cerca de meia centena de artistas participantes anunciaram a sua desistência do prémio em solidariedade com o júri na revista de arte contemporânea E-Flux, uma das mais prestigiadas publicações da área. Apesar deste anúncio, os nomes destes participantes mantiveram-se na lista de votos que cada visitante recebeu por e-mail para votar.

Assim, os participantes publicaram uma nova declaração na mesma revista – assinada por 77 artistas de 39 pavilhões – na qual afirmam ter enviado outra carta à Bienal a solicitar a exclusão dos seus nomes do prémio, mas não obtiveram resposta.

Entre os signatários estão artistas como o chileno Alfredo Jaar, Laurie Anderson, Walid Raad, Lubaina Himid, María Magdalena Campos-Pons, Zoe Leonard e os artistas dos pavilhões de Espanha (Oriol Vilanova), Inglaterra (Lubaina Himid), Itália (Chiara Camoni) e Dinamarca (Maja Malou Lyse, DIS, Chus Martínez, Commons Accounts).

Na carta, os signatários afirmam que a sua desistência da atribuição do prémio foi feita “em solidariedade” com o júri e “em defesa do seu direito de deliberar e articular livremente os fundamentos das suas decisões, de forma consciente e sem receio de represálias”.

“Para que fique claro: não temos qualquer problema com a votação do público para os prémios”, acrescentam. “Mas criar os prémios nesta fase desvia a atenção da demissão do júri e contradiz directamente o processo com o qual todos concordamos quando aceitamos o convite para expor os nossos trabalhos. Não queremos fazer parte disso”, sublinham.

Sem terem recebido resposta da Bienal de Arte de Veneza, os artistas afirmam que começaram a tomar medidas para interpor uma acção judicial.

De acordo com uma declaração de um porta-voz da Bienal ao jornal “The New York Times”, a organização decidiu manter os nomes dos artistas no boletim de voto para “garantir a liberdade de expressão de todos os visitantes” na votação. “Os votos dados aos artistas ou pavilhões que assinaram a carta de rejeição não serão contabilizados”, acrescentou.

Uriel Orlow, um artista suíço que está entre os signatários, disse ao jornal norte-americano que a Bienal de Arte de Veneza está a desrespeitar os artistas ao não retirar os seus nomes da lista de nomeados, e também os visitantes ao permitir que votem em artistas que não desejam receber os prémios.

 

JTM com agências internacionais