Os venezuelanos mantêm a crença colectiva de que o país tem as mulheres mais bonitas do mundo, mas milhares de potenciais rainhas da beleza emigraram devido à crise económica. Dezenas delas procuram agora representar as suas pátrias adoptivas em concursos internacionais
Só este ano, pelo menos 10 venezuelanas já se inscreveram em concursos de beleza em vários países, para onde rumaram devido à severa crise económica no país natal, tirando partido das suas duplas nacionalidades, um traço comum na Venezuela que recebeu milhões de imigrantes até à década passada. Desse lote, quatro jovens nascidas na Venezuela representarão este ano Chile, Portugal, Peru e Espanha em concursos internacionais de beleza como o Miss Terra, Miss Mundo e Miss Universo.
Com pais ou mães naturais de outros países, possuem a graça típica das misses venezuelanas, atributo que lhes permitiu vencer nas suas segundas pátrias e que antes transformou a Venezuela numa “fábrica de rainhas”.
Embora algumas “misses” de origem venezuelana já tenham representado outros países em concursos internacionais, o número deste ano supera o balanço das últimas quatro décadas. O fenómeno está associado aos 2,5 milhões de venezuelanos que, segundo estimativas, emigraram nos últimos quatro anos, um número que poderá atingir quatro milhões no final de 2018.
Carla Rodrigues de Flavis
“O que está a acontecer é consequência da diáspora. Acredito que isto será mais forte à medida que os anos passarem, quando as meninas que emigraram chegarem à maioridade”, explicou à Agência EFE o jornalista Orlando Suárez, que segue de perto este tipo de concursos nos últimos 30 anos.
Na perspectiva do jornalista, as venezuelanas “têm um chip na cabeça, que faz com que todas sejam formosas e futuras rainhas de beleza”, em resposta ao fanatismo nacional pela Miss Venezuela, de onde saíram sete vencedoras do Miss Universo, seis do Miss Mundo, sete do Miss Internacional, duas do Miss Terra e mais de dez outras vencedoras.
Andrea Díaz, jornalista nascida na Venezuela que representará o Chile no Miss Universo, encontrou na pátria do pai uma oportunidade de cumprir o sonho de participar num concurso de beleza internacional. “O Chile é o meu país e vou mostrar do que são feitos os chilenos”, disse Andrea, que também exibe nas redes sociais indícios de sua “venezuelanidade”.
No Chile, o título foi disputado entre ela e a compatriota Sabina Ahumada, que se define como “venechilena”.
Já Jéssica Russo, de mãe peruana, venceu o Miss Terra do Peru, e enfrentará agora as conterrâneas Diana Silva, que ganhou esse direito ao ficar com o título na Venezuela, e Carolina Jane, que representará a Espanha nesta competição. Para Jéssica, participar nos concursos de beleza “é um sonho com o qual as venezuelanas crescem”, enquanto Jane vê na Espanha o país que “abriu as portas para a realização de um sonho” que lhe permitirá representar as suas raízes europeias.
Depois de ter participado no Miss Venezuela em 2011, Carla Rodrigues de Flavis será a representante de Portugal no próximo Miss Mundo.
A migração da chamada indústria da beleza venezuelana também inclui maquilhadores, coreógrafos, treinadores, professores de passarelas, estilistas e modelistas que hoje estão espalhados pelo mundo e fazem parte da organização de outros concursos.
JTM com agências internacionais




