Desde a sua fundação, há quase três milénios, Roma tem sido palco de uma história turbulenta, forjada por reis, imperadores, papas e políticos. Esta vasta memória condensa-se agora numa exposição de 25 moedas excepcionais que têm gravadas nas suas faces a longa vida da Cidade Eterna.

Patente até 27 de Setembro, a exposição está dividida entre o Museu Nacional Romano, a área arqueológica do Coliseu e o Museu Vittoriano, localizado no centro da cidade, e representa uma colaboração inédita entre três instituições da capital italiana.

“Alcançámos um marco importante ao unir três grandes museus para contar esta grande história, a história de Roma, através das suas moedas”, declarou Alfonsina Russo, chefe do Departamento de Avaliação do Património do Ministério da Cultura, durante a antestreia da exposição à imprensa.

Para além do seu valor prático, puramente pecuniário ou comercial, as moedas foram utilizadas ao longo dos séculos para comemorar feitos, divulgar ideias ou como instrumento de propaganda. Por isso, as formas e figuras gravadas nas suas superfícies oferecem aos historiadores uma janela para os acontecimentos passados ​​e para as ambições e ressentimentos colectivos de povos e figuras poderosas.

Esta exposição visa precisamente traçar a história de Roma desde as suas origens até aos dias de hoje através de 25 moedas preservadas nos arquivos do país, bem como esculturas, frescos e documentos que complementam e enriquecem a narrativa.

A primeira parte da colecção está localizada nas Termas de Diocleciano e abrange o período em que Roma cresceu de um pequeno povoado nas margens do Tibre para dominar o Mediterrâneo. Ali pode ver-se uma das poucas moedas que apresenta o próprio Coliseu: um sestércio em honra do Imperador Tito, em cujo anverso foi cunhado o famoso anfiteatro, repleto de gente, em 82 d.C., pouco depois da sua inauguração.

Outra peça de grande interesse comemora a Guerra Social (91-87 a.C.) entre Roma e os povos itálicos. Um denário de prata mostra o touro dos insurrectos a matar a loba romana e o general Sula de cabeça para baixo, com a clara intenção de o denegrir.

Outras moedas louvam Júlio César e a sua “Ditadura Perpétua” ou celebram a Batalha da Ponte Mílvia (312 d.C.), na qual o imperador Constantino derrotou o usurpador Maxêncio.

A segunda secção da exposição abrange a Idade Média Romana e está localizada noutra parte da cidade, no coração dos Fóruns Imperiais, dentro do interior circular do Templo de Rómulo.

“Esta parte da colecção demonstra a descontinuidade da história de Roma, os seus momentos de ruptura e refundação desconhecidos para muitos”, explicou Simone Quilici, director do Parque Arqueológico do Coliseu, citado pela agência EFE.

Esta secção narra a história de uma cidade que sucumbiu à fragmentação e à divisão do Império, num período em que os antigos imperadores pereceram perante o crescente poder dos papas. Uma das peças desta época, um pequeno “numus” de bronze de 692, testemunha esta luta, recordando o momento em que o Papa Sérgio conseguiu resistir à tentativa de Justiniano II de o prender na longínqua capital bizantina, Constantinopla.

Outras homenageiam Carlos Magno, o rei dos Francos coroado pelo Papa Adriano I; evocam saques, levantamentos e sangrentas lutas entre nobres, sem esquecer os cismas dentro da Igreja, como o Papado de Avinhão (1309-1377).

A secção final desta exposição está situada no Vittoriano, ou Altar da Pátria, edifício monumental concebido em 1878, pouco depois da Unificação de Itália, que exibe hoje moedas da Roma moderna. Esta secção inclui peças com os brasões de papas do Renascimento, bem como outras que celebram os valores que inspiraram o processo de Unificação do século XIX e o primeiro rei de uma Itália unificada, Vittorio Emanuele II de Sabóia.

A exposição termina com o século XX, apresentando várias moedas que testemunham o seu percurso turbulento. A mais impressionante é uma moeda de 100 liras italianas que comemora a Marcha sobre Roma, com a qual Benito Mussolini impôs o seu infame regime fascista em 1922.

No entanto, seguem-se duas moedas mais esperançosas: uma moeda da República, o sistema instituído após a Segunda Guerra Mundial, e um euro, símbolo da integração da Itália na União Europeia, o capítulo mais recente de uma história romana que nunca parou de evoluir.

 

JTM com agências internacionais