O Butão, reino dos Himalaias que trouxe ao mundo o conceito de felicidade nacional bruta, está pronto para construir uma “cidade de mindfulness” e lançou uma emissão de obrigações de 100 milhões de dólares para ajudar a iniciar o projecto.

A Gelephu Mindfulness City (GMC) ficará numa região administrativa especial com regras e leis separadas que terá como objectivo ser um corredor económico que ligue o Sul da Ásia ao Sudeste Asiático, disseram as autoridades. A cidade promoverá caminhadas e ciclismo para reduzir as emissões, espaços verdes para meditação e relaxamento, educação baseada na atenção plena, centros de saúde e bem-estar, actividades comunitárias públicas e ecoturismo.

A GMC estará espalhada por uma área de mais de 2.500 quilómetros quadrados na fronteira com o vizinho gigante Índia e oferecerá espaço para empresas nas áreas de finanças, turismo, energia verde, tecnologia, saúde, agricultura, aviação, logística, educação e espiritualidade.

O GMC Nation Building Bond com 10 anos, que abriu a 11 de Novembro, estará disponível para subscrição por butaneses não residentes até 17 de Dezembro, de acordo com o site do GMC. Os fundos angariados serão utilizados para construir infra-estruturas iniciais, para energia verde e conectividade, entre outros, afirma.

“Este ambicioso projecto irá redefinir o panorama económico do país… abrindo caminho para um Butão próspero e resiliente”, afirmou o Dr. Lotay Tshering, governador do GMC e antigo primeiro-ministro do país. O objectivo é atrair investimento, desenvolver competências e criar emprego no país de maioria budista conhecido pelo seu índice de Felicidade Nacional Bruta – um indicador económico que contabiliza factores ignorados pelas medidas do Produto Interno Bruto, como a recreação, o bem-estar emocional e o ambiente.

O GMC será construído por fases e deverá estar concluído em 21 anos. As autoridades esperam que cerca de 150 mil pessoas vivam ali nos primeiros sete a 10 anos, e mais de um milhão quando estiver concluído. Idealizada pelo rei Jigme Khesar Namgyel Wangchuck, GMC foi proposta em 2023 como uma cidade que abrangeria “negócios conscientes e sustentáveis, inspirados na herança espiritual budista” e ancorados nos valores budistas. “A atenção plena está no centro da nossa cidade baseada em valores e está alinhada com o espírito e a identidade da nossa nação”, disse Rabsel Dorji, alto funcionário do GMC.

O site do GMC refere que o projecto se baseia na herança e cultura budista do Butão, na sua ênfase na felicidade, no bem-estar e na atenção plena, e incorpora também uma arquitectura ecológica naquele que é o primeiro país negativo em carbono do mundo – que absorve mais carbono do que aquele que produz.

A Índia, maior parceiro económico e comercial do Butão, bem como doador, apoia o projecto e estenderia a sua rede rodoviária e ferroviária até à fronteira para ligar o GMC, disseram as autoridades. O GMC é uma “jogada inteligente”, mas a conectividade pode representar um sério desafio para o Butão, sem acesso ao mar, alertou Surya Raj Acharya, especialista em infra-estruturas e planeamento urbano no vizinho Nepal.

“O desenvolvimento da cidade como um centro de produção competitivo depende também da conectividade com a logística global”, disse Acharya, acrescentando que o acesso aos portos dependerá das infra-estruturas indianas. “Também deve ser atraente para os investidores internacionais. E estes são factores que não estão sob o controlo do Butão”, salientou.

 

JTM com agências internacionais