Exposições em diversos pontos da Alemanha estão a assinalar a passagem dos 200 anos da invenção da bicicleta pelo barão Karl von Drais, que solucionou diversas crises da época com o novo veículo
Mannheim, cidade do sudoeste da Alemanha, acolhe a principal exposição evocativa da invenção da bicicleta, começando por apresentar um retrato de Karl von Drais como um vanguardista no seu tempo, mas que, todavia, não pôde tirar proveito económico da sua importante criação. Em 1851, o barão de Karlsruhe acabou por morrer na pobreza e repleto de inimigos devido ao seu apoio a movimentos revolucionários liberais, o que o levou inclusive a renunciar ao seu título de nobreza.
“A ideia principal da invenção surgiu da patinagem no gelo”, disse Drais, numa revelação que a exposição resgata e que se diz ser praticamente a única que fornece pistas sobre as reflexões de carácter técnico que fez antes da sua invenção.
Conforme recorda a agência EFE, o artefacto produzido por Drais assemelhava-se, na essência, às bicicletas actuais, embora lhe faltasse um elemento fundamental: os pedais. Curiosamente, nas últimas décadas renasceu o modelo da bicicleta sem pedais para crianças, com o qual se aprende a manter o equilíbrio mais facilmente do que com as tradicionais duas rodinhas traseiras.
De qualquer modo, a bicicleta de Drais movimentava-se na medida em que o ciclista impulsionava-a alternativamente com os dois pés, como se estivesse a correr.
A 12 de Junho de 1817, o próprio Drais realizou a primeira viagem pública, entre Mannheim e Schwetzingen, cidade vizinha. O percurso, de ida e volta, numa distância de 14 quilómetros, foi percorrido em menos de uma hora, a uma velocidade média de cerca de 15 km/h, melhorando os registos das carruagens do correio da época.
Um ano depois, fez a primeira viagem em bicicleta de longa duração, entre Mannheim e Paris – cerca de 450 quilómetros, para apresentar a invenção na capital francesa.
A invenção chegou num bom momento, porque no início do século XIX existia um problema com o preço da aveia, devido a más colheitas, o que encareceu a alimentação dos cavalos. A situação agravou-se com a erupção do vulcão Tambora, situado na actual Indonésia, que teve repercussões climáticas globais, afectando as colheitas em todo o mundo. Devido ao impacto do Tambora, 1816 foi mesmo classificado como “o ano sem Verão”, marcado por crises de fome.
Quando os efeitos da catástrofe se atenuaram, muita gente já tinha comido os seus próprios cavalos, principal meio de transporte da época. Embora algumas décadas antes tivessem começado as experiências com veículos a vapor, estes eram caros e demasiado pesados, pelo que não estavam capazes de dar resposta às necessidades da vida diária e do transporte de pequenas cargas.
Nesse contexto, a invenção de Drais expandiu-se depressa e em várias cidades – Mannheim em 1817, Paris em 1818 e em Londres, Nova Iorque, Filadélfia e Calcutá em 1819 – foi expressamente proibido circular de bicicleta pelas calçadas. No entanto, e apesar de Drais ter patenteado a invenção em Paris, eram plágios que não geraram qualquer lucro para o criador.
Este auge da bicicleta durou uma década até que, após a normalização das colheitas, aumentou novamente o número de cavalos. A invenção de Drais caiu depois no esquecimento, durante décadas.
Na exposição universal de Paris de 1867, Pierre Michaux apresentou uma bicicleta com pedais que causou euforia e levou ao segundo apogeu da invenção, mas que o barão alemão já não pôde ver.
Este ano, por ocasião do segundo centenário da invenção da bicicleta, o governo alemão destinará 25 milhões de euros à construção de ciclovias rápidas. No entanto, segundo a EFE, o Clube Alemão da Bicicleta considera a quantia insuficiente e acredita que seriam necessários 250 milhões de euros.
JTM com agências internacionais



