O Presidente chinês declarou a intenção de reforçar a cooperação pragmática entre China e Portugal, que tem dado resultados frutíferos para os dois lados
A “parte chinesa está disposta a fazer esforços conjuntos com a parte portuguesa para continuar a aprofundar o conhecimento e a confiança mútuos, e aumentar intrinsecamente a profundidade e a amplitude da cooperação pragmática, com fim de enriquecer ainda mais o conteúdo da Parceria Estratégica Global China-Portugal, criando em conjunto um futuro promissor para as relações dos dois países”, sublinhou Xi Jinping no artigo “Aqui… Onde a terra se acaba e o mar começa…”, publicado ontem no Jornal de Notícias e no Diário de Notícias.
Xi Jinping, que visitará Lisboa amanhã e quarta-feira, lembrou o estabelecimento das relações diplomáticas entre China e Portugal em Fevereiro de 1979. “Nestes 40 anos, os dois lados persistem em realizar a cooperação pragmática com base nos princípios de igualdade, benefício mútuo e ganhos compartilhados”, disse.
“Nestas quatro décadas, o relacionamento China-Portugal tem-se desenvolvido de forma estável e rápida, e tem percorrido uma trajectória invulgar”, acrescentou, lembrando que, após a crise financeira internacional de 2008 e a crise da dívida soberana europeia, a China e Portugal “envidaram esforços conjuntos” para resistir aos riscos e fazer face aos desafios derivados. “Uma após a outra, as empresas chinesas vieram investir em Portugal. Ao expandir os seus negócios fora da China, contribuíram também para a criação de postos de trabalho e o desenvolvimento socioeconómico de Portugal”.
Para aprofundar a cooperação pragmática, Xi Jinping disse que, em primeiro lugar, será reforçado o intercâmbio ao mais alto nível, a amizade, o respeito e a confiança mútuos. “Em segundo lugar, vamos construir em conjunto ‘uma faixa e uma rota’ e ser parceiros de desenvolvimento comum. Portugal é um ponto importante de ligação entre a Rota da Seda terrestre e a Rota da Seda marítima, por isso, a cooperação sino-portuguesa no âmbito de ‘uma faixa e uma rota’ é dotada de vantagens naturais”, explicou.
Xi quer o crescimento das trocas comerciais e a criação de novos pontos de crescimento para a cooperação nas áreas automóvel, novas energias, finanças, construção de portos e terceiros mercados. Também é preciso, na sua perspectiva, aprofundar o intercâmbio humano e cultural, assim como desenvolver a cooperação marítima, o reforço nas áreas de investigação científica relacionadas com o mar, exploração e protecção do mar, além da logística portuária.
Deseja ainda “intensificar as coordenações multilaterais e serem construtores e defensores do sistema internacional”, no âmbito das organizações internacionais como a ONU e a OMC.
“Nestes 40 anos, os dois lados persistem em tratar das relações bilaterais do ponto de vista estratégico e de longo prazo”, sublinhou, recordando que “resolveram em 1999, de forma apropriada, mediante negociações pacíficas, a questão de Macau, uma questão legada pelo passado, inaugurando uma nova era de desenvolvimento de Macau e das relações sino portuguesas”.
Realçando a amizade de “longa data” entre os dois países, lembrou como há centenas de anos a porcelana azul chinesa influenciou na criação dos azulejos portugueses e também na introdução das técnicas de sericultura em Portugal, fazendo ainda uma referência a Luís de Camões.
Não deixou também de falar nos “vários e excelentes” jogadores e técnicos de futebol que actuam na China, num casal de idosos chineses que vive em Portugal a ensinar a língua e a cultura chinesas, bem como nos pasteleiros chineses “que já sabem fazer o pastel de nata”.
JTM com Lusa



