A declaração comum de Portugal e da China ontem divulgada dá especial destaque ao papel de Macau enquanto “ponte” entre os dois países

 

Reconhecendo “os notáveis êxitos de desenvolvimento que a Região Administrativa Especial de Macau alcançou desde o seu estabelecimento, e ao destacar o papel importante de Macau para o relacionamento luso-chinês, as duas partes [portuguesa e chinesa] expressaram a disposição de reforçar o seu papel como ponte e elo de ligação para promover as relações de amizade de longo prazo” luso-chinesa, salienta no documento.

A declaração conjunta, que resulta dos dois dias de visita a Portugal do Presidente Xi Jinping, alude, igualmente, à disposição dos dois países no sentido de continuarem “a apoiar o papel de Macau como plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os países de língua portuguesa”. “As duas partes reconheceram o papel importante desempenhado pelo Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum Macau), 15 anos após o seu estabelecimento, e reiteraram o compromisso para com a implementação dos frutos alcançados nas suas conferências ministeriais e para continuarem a promover a cooperação pragmática em todas as matérias com acções concretas no quadro do fórum”.

Portugal e China “reafirmaram ainda o interesse em fomentar a cooperação com países terceiros, em regiões como a África e a América Latina”.

Por outro lado, no documento com 21 pontos divulgado antes do Primeiro-Ministro português, António Costa, e o Presidente chinês, Xi Jinping, presidirem no Palácio de Queluz à cerimónia de assinatura de acordos bilaterais, Lisboa e Pequim “manifestaram o apoio a uma economia mundial aberta e repudiaram todas as formas de proteccionismo e unilateralismo, comprometendo-se a promover a liberalização e facilitação do comércio e investimento no âmbito das regras do sistema multilateral do comércio”.

Salientam também o papel de António Guterres como secretário-geral da ONU, expressando apoio “à reforma do sistema das Nações Unidas de modo a aumentar a sua autoridade e eficiência”. “As duas partes sublinharam o seu apoio aos esforços do secretário-geral da ONU neste âmbito”.

 

No capítulo sobre segurança internacional e multilateralismo, consta uma referência directa à questão dos direitos humanos. “As duas partes reafirmaram o seu empenho no multilateralismo, na defesa dos propósitos e princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, em apoiar o reforço do papel das Nações Unidas na comunidade internacional, na manutenção da paz e segurança internacionais, na promoção do desenvolvimento sustentável e na protecção dos direitos humanos”, sublinha-se.

Pequim avaliou ainda “como muito positivo o papel importante que Portugal desempenha em salvaguardar a estabilidade e impulsionar a integração da União Europeia”, e manifesta “apreço” pelo facto de Portugal ter reafirmado “a continuada adesão ao princípio ‘Uma só China’, bem como o apoio à posição chinesa na questão de Taiwan”.

 

JTM com Lusa