Embaixador Cai Run e Ministro Pedro Siza Vieira participaram em conferência sobre as relações luso-chinesas
Embaixador Cai Run e Ministro Pedro Siza Vieira participaram em conferência sobre as relações luso-chinesas

A China é um “país parceiro amigo de Portugal”, frisou o Ministro português da Economia, salientando porém a necessidade de conseguir um “investimento produtivo”

 

Portugal “preza” a relação com a China, “um país parceiro amigo”, afirmou ontem Pedro Siza Vieira na conferência “Portugal-China, uma relação com futuro”, em Belém. “Somos um país bem integrado na União Europeia, membro da NATO, mas que tem um relacionamento excelente com vários parceiros à volta do mundo e é nesse sentido que a relação que temos com a China tem sido muito importante”, disse o Ministro Adjunto e da Economia.

Pedro Siza Vieira reforçou que a China é “um parceiro comercial muito significativo”, desde logo por ser o 13º cliente de exportações, o 6º fornecedor de bens e por as trocas comerciais estarem a crescer. Ainda assim, isso “reflecte-se, sobretudo, ao nível do investimento estrangeiro” em Portugal, referiu, aludindo às “significativas aquisições de empresas e de activos”, em áreas como as finanças, a energia e a comunicação social.

Em causa estão companhias como a Global Media, a Fidelidade, a Rede Energéticas de Portugal (REN), a EDP, o BCP, a EDP e o grupo Superbock, cujos responsáveis estiveram ontem presentes na sessão.

Relembrando que o encontro aconteceu na véspera da visita oficial do Presidente chinês a Portugal, Pedro Siza Vieira afirmou que o executivo português quer aproveitar tal ocasião para “elevar a relação política e diplomática a um plano distinto”. “A ambição que ambos os países colocam nesta visita é significativa” e, do ponto de vista de Portugal, “gostaríamos de passar da aquisição de activos para um investimento produtivo”, vincou o governante, falando em “áreas a explorar” como os setores automóvel e da mobilidade eléctrica.

Além disso, Portugal quer “fazer crescer as exportações para a China”, aumentando assim a “penetração das mercadorias e serviços” portugueses, bem como fomentar o turismo. Acresce o “investimento português [que será feito] no desenvolvimento das comunicações com o resto do mundo”, constituindo, assim, o país “como ponto de acesso [da China] para a Europa”, referiu.

“Isso terá de respeitar as regras europeias, mas seguramente haverá a possibilidade de continuarmos a crescer nessa ordem de ideias”, adiantou.

Pedro Siza Vieira lembrou ainda que a relação entre Portugal e China “se foi consolidando nos últimos anos”, apesar de já ser antiga, e como exemplo assinalou o apoio dado por aquele país à candidatura de António Guterres a secretário-geral da Organização das Nações Unidas, em 2016.

Presente na ocasião, o Embaixador da China em Portugal, Cai Run, considerou que a deslocação de Xi Jinping a Lisboa “será uma visita de sucesso e com resultados frutuosos”.

Por seu lado, o presidente do Conselho de Administração do grupo Global Media, que organizou a conferência, disse que esta empresa de comunicação social está a “viver o sucesso dessa relação” com a China, desde logo por a empresa chinesa KNJ deter 30% do capital.

 

JTM com Lusa