Lisboa e Pequim atravessam uma fase de “excelente relacionamento político”, destacou o embaixador de Portugal na China, José Augusto Duarte, convicto de que a visita de Xi Jinping dará ainda maior ímpeto à cooperação bilateral em várias áreas

 

O embaixador português na China considera que a visita do Presidente chinês constituirá um marco histórico na relação entre os dois países. “Acredito que a visita do Presidente Xi Jinping a Portugal contribuirá para o aprofundamento da relação e conferirá um novo ímpeto no relacionamento político, económico e cultural entre os dois países”, realçou José Augusto Duarte, em entrevista à agência Xinhua.

Após o estabelecimento das relações diplomáticas em 1979, os laços de amizade entre Pequim e Lisboa desenvolveram-se em diversos campos, refere a Xinhua, sublinhando que os dois países estabeleceram uma “parceria estratégica abrangente” em 2005 e, nos últimos anos, tiveram “frequentes intercâmbios de alto nível” e resultados “frutíferos” na cooperação.

José Augusto Duarte enaltece o desenvolvimento das relações políticas entre Portugal e China. “Há excelente fluidez de contactos institucionais, há entendimento mútuo nas grandes questões bilaterais e internacionais. Estes elementos criam naturalmente um excelente relacionamento político”, apontou.

Portugal apoia o reforço da conectividade entre a Ásia e a Europa, com a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” a desempenhar um papel importante nesse sentido. “No nosso entendimento para que o plano de desenvolvimento das ligações ferroviárias e marítimas da Iniciativa Uma Faixa, Uma Rota fique completo – ligando efectivamente o extremo ocidente da Europa ao extremo oriente do continente euro-asiático – Portugal terá sempre um papel de enorme relevância”, disse o embaixador.

Na mesma entrevista, enfatizou que a ligação portuária entre os dois países é incontornável, exemplificando com o caso de Sines, grande porto europeu de águas profundas que assegura uma ligação geográfica ideal ao canal do Panamá e a todo o continente americano, bem como a África. “Julgo por isso que Portugal tem efectivamente condições de excepção para ter um papel da maior importância na nova Rota da Seda Marítima”, defendeu.

Segundo a Xinhua, José Augusto Duarte também destacou oo facto das relações económicas terem melhorado muito na última década, com um forte crescimento dos investimentos chineses em Portugal e a expansão das trocas comerciais.

Dados estatísticos da Alfândega chinesa indicam que o comércio bilateral totalizou cinco mil milhões de dólares nos primeiros 10 meses de 2018, reflectindo uma subida anual de 8%.

O embaixador aproveitou para frisar que Portugal oferece estabilidade e segurança, uma posição geográfica e um relacionamento privilegiado com Europa, África e América Latina, e é uma economia aberta com grande potencial. Nesse sentido, entende que a China deve tirar partido dessas condições, fazer novos investimentos em Portugal, por exemplo na área industrial, e estabelecer mais acordos comerciais com um país que lhe pode vender produtos agro-industriais de primeira qualidade a nível mundial, bem como fomentar as relações sino-lusófonas.

Olhando para o futuro, o diplomata perspectivou a consolidação e fortalecimento estável dos laços bilaterais. “Acho que temos muito espaço ainda para dinamizar e valorizar mais os vectores económico e cultural do relacionamento bilateral”, afirmou, relembrando que 2019 reveste-se de grande simbolismo, devido às celebrações dos 40 anos de relações diplomáticas entre a China e Portugal e dos 20 anos da transferência de soberania de Macau.

 

JTM com Agência Xinhua