Portugal é “um grande amigo e parceiro” da China e as relações entre os dois países estão a atingir o seu “melhor momento”, existindo “cada vez mais pontos de convergência”, sublinhou ontem Xi Jinping no início da visita oficial de dois dias a Lisboa. Marcelo Rebelo de Sousa aceitou um convite para visitar a China em Abril do próximo ano

 

Rima Cui

Enviada especial

 

Manifestando “grande satisfação” por visitar Lisboa e agradecendo a “recepção calorosa”, o Presidente chinês teceu rasgados elogios a Portugal e enalteceu os avanços nos laços entre os dois países. “A relação entre a China e Portugal está a chegar ao seu melhor momento”, frisou, apontando o país que agora o recebe como “um grande amigo e parceiro”.

Após um encontro com o Presidente de Portugal, no Palácio de Belém, Xi Jinping recorreu mesmo a um provérbio português, ao afirmar: “Vinho, azeite e amigo, quando mais antigo melhor”.

Ladeado por Marcelo Rebelo de Sousa, o líder chinês destacou a “confiança política e a cooperação pragmática” entre os dois países, observando que há “cada vez mais pontos de convergência”.

Xi apontou Portugal como um país relevante nas relações entre Ocidente e Oriente e que poderá desempenhar um papel importante na iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”. De resto, na conferência de imprensa conjunta, Marcelo Rebelo de Sousa confirmou que será assinado um memorando de entendimento bilateral sobre o plano “Uma Faixa, Uma Rota” e anunciou que, a convite de Xi, irá efectuar uma visita oficial à China em Abril de 2019. Essas duas decisões “simbolizam bem a parceria que desejamos continuar a construir, com diálogo político regular e contínuo, a pensar no muito que nos une”, realçou.

Embora reconhecendo que os dois países têm “aliados muito diferentes”, o Presidente português sustentou que “isso não nos impede de trabalharmos em conjunto para a valorização do papel do directo internacional, das organizações internacionais, a começar nas Nações Unidas”. “Nem de defender o multilateralismo, os direitos humanos, a resolução pacífica dos conflitos. Nem de apoiarmos o livre comércio e as pontes de entendimento entre Estados e povos. E estarmos em permanência atentos ao ambiente e às alterações climáticas”, acrescentou.

Antes, numa declaração de boas-vindas, Marcelo disse: “Sinta-se em casa, como nós nos sentimos em casa na China há 500 anos”. “Pertencemos a realidade diversas, mas isso não impediu de conviver em Macau”.

Xi Jinping iniciou a visita na Praça do Império, numa cerimónia com honras militares que precedeu a colocação de uma coroa de flores no túmulo de Luís de Camões, no Mosteiro dos Jerónimos. Rumou de seguida ao Palácio de Belém e à noite foi obsequiado com um jantar oficial no Palácio da Ajuda. Hoje, irá testemunhar a assinatura de 19 acordos entre os dois países.

 

Hotel Ritz “fechado” e sob vigilância máxima

Polícia de Lisboa empenhou todas as unidades nas operações de segurança

A visita de Xi Jinping levou à implementação de excepcionais medidas de segurança, tanto ao longo dos percursos visados pelo programa oficial como nas imediações do Hotel Ritz, onde ficou instalada a comitiva presidencial… e com regalias invulgares. Segundo o jornal “i”, a China pagou dois milhões de euros para ter o Ritz por sua conta durante dois dias, facto inédito na histórica unidade hoteleira, onde o líder chinês ocupou uma suite no 10º piso com vista privilegiada para a cidade de Lisboa.

Além dessa factura, irá suportar as despesas das obras de alargamento da entrada da garagem do hotel e do portão da saída de emergência do Aeroporto Humberto Delgado, uma vez que as três limusines blindadas da comitiva – que encheu dois aviões – têm dimensões superiores às habituais. O Ritz vai ainda adoptar o “buffet” exigido pela delegação chinesa, que integra o seu próprio cozinheiro.

A Polícia de Segurança Pública (PSP) garantiu à TRIBUNA DE MACAU que não poupou esforços para garantir a segurança da comitiva da China. “Temos o Corpo de Segurança da PSP, o Corpo de Intervenção, o Grupo Operacional Cinotécnico e também o Inactivação de Explosivos”, assegurou uma fonte do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, em declarações a este jornal, sublinhando que “todas as unidades estão empenhadas” e “o número de agentes mobilizados é grande”.

Segundo constatámos “in loco”, as imediações do Hotel Ritz foram completamente vedadas e controladas por agentes e veículos policiais.

De acordo com a mesma fonte, o trânsito na zona começou a ser sujeito a cortes temporários na segunda-feira e apenas voltará à normalidade depois da partida de Xi, ou seja, hoje à tarde (horário português). “Neste momento, ninguém pode estacionar na zona”, salientou a PSP.

Grupos de chineses concentraram-se nas zonas próximas do hotel

Moradores e trabalhadores dessa área de Lisboa foram alertados para as restrições com uma semana de antecedência. Para poderem entrar e sair da zona mais próxima do hotel, precisaram mesmo de solicitar uma acreditação especial.

Ontem de manhã, um pequeno grupo de chineses empunhando bandeiras da China e Portugal juntou-se perto do hotel, devidamente “equipado” com garrafas de água, pão e “tapau” com comida. Num jardim na rua oposta, concentrou-se um grupo ainda maior – incluindo membros da Associação Comercial de Zhejiang – que, além de água e comida, exibia revistas com Xi Jinping na capa.

 

Bloco de Esquerda rejeita cerimónias com Xi

O Bloco de Esquerda (BE) recusou participar nas iniciativas para que foi convidado no âmbito da visita de Xi Jinping, alegando que o país continua a desrespeitar os direitos humanos. “As posições do BE mantêm-se, nada mudou desde 2010, continua o desrespeito pelos direitos humanos e a repressão e, por isso, o Bloco não estará presente” nas iniciativas para que foi convidado, disse à Lusa fonte oficial do BE.