Rogério da Luz (São Paulo, Brasil)
Rogério da Luz
“Saí de Macau em 1967, havia os guardas vermelhos que estavam a agitar Macau depois do Motim 1, 2, 3, então o meu pai achou que era melhor ir embora do território porque não teria mais futuro (…) Vim a quase todas as edições dos Encontros, excepto às três últimas. Além de rever a terra, a gente mata saudades e revê algumas pessoas conhecidas, embora hoje em dia já sejam poucas. Há mais pessoas da comunidade norte-americana, que tiveram outro tipo de convívio em Hong Kong e Xangai (…) A gente morre muito de saudades do tempo dos portugueses, mas a realidade é que não há como escapar, Macau é China. Podiam ter terminado os Encontros desde a transição mas não o fizeram por isso considero que é um prestígio para nós macaenses (…) “Praticamente as diferenças são todas [no território]. A Macau de hoje, moderna, com construções e prédios a ocupar o espaço da memória daquela Macau antiga, diria provinciana, mas mais humana. No entanto o progresso é um processo natural como na maioria das cidades do mundo mas que leva o macaense que deixou Macau naqueles velhos tempos a empreender um esforço maior para sentir que está na sua terra natal, à procura de sítios que possam criar ligações com o passado”
António Faria Fernandes (Portugal)
“Só faltei aos dois primeiros Encontros ainda durante a administração portuguesa, o primeiro foi em 1999 e a partir daí tenho vindo a todos (…) Os encontros são importantes precisamente para reunir a ‘família macaense’ e para mim é particularmente importante porque primeiro é uma desculpa para regressar a Macau e depois porque saí daqui com 10 anos, há já 50 anos, e tenho sempre saudades de Macau. Saímos em 1970 porque o meu pai era tropa e estava aqui a cumprir a sua missão, quando acabou o serviço regressamos ao continente. É como quem vai à terra. Sinto-me macaense e encontro aqui sempre gente conhecida, familiares e amigos (…) Macau evoluiu muito mas para aqueles que são macaenses, e onde eu me incluo, continua a ser Macau. Há aqui um pulsar de coração que continua a ser o mesmo, continuamos a sentir que é Macau”.
José Manuel Silva (Portugal)
José Manuel da Silva
“Da parte do meu avô, sou a quinta geração de macaenses, da parte da minha avó vieram de caravelas em 1680. Sou macaense a 100%, falo português e chinês. O meu pai foi trabalhar para Portugal onde se casou com a minha mãe. A minha irmã nasceu em Lisboa, o meu irmão em Angola e eu em Macau. Sonho com Macau diariamente (…) Tenho vindo aos últimos encontros e é a única altura em que venho a Macau. É um matar saudades, um relembrar da minha escola infantil, da primária, do liceu que já não existe, das diversas casas onde vivemos, a vivência com os amigos, as antigas namoradas… É um relembrar de cheiros e sabores. No espaço de dois metros conheço 10 pessoas e sinto falta disto em Portugal. É um mar de recordações que tenho na minha cabeça e é um matar saudades (…) Macau está mais limpo, mais ordenado, falando só na parte antiga, arranjaram passeios, pintaram as casas, está mais turístico, já a parte moderna não me diz nada”.
Paula Ortiz (Califórnia, EUA)
Paula Ortiz
“Nasci em Macau e tinha 16 anos quando me fui embora. Consegui primeiro um trabalho em Hong Kong e depois mudei-me para Inglaterra, durante três anos. Após esse tempo, voltei a casa e depois emigrei para os Estados Unidos (…) Normalmente, tento vir a Macau a cada três anos, mas agora há já seis que não vinha ao território (…) O Encontro é muito importante para ver todos os amigos e família, é uma forma de relembrar as memórias e também a comida (…) Há 55 anos, Macau era muito diferente, havia muito mais áreas verdes, agora é quase só prédios. Está praticamente irreconhecível, era um lugar único”
Catarina Pereira



