A presença e envolvência dos jovens em eventos organizados pelas Casas de Macau em várias partes do mundo é cada vez mais um feito difícil de alcançar. Se na Austrália a participação tem até sido satisfatória, na Casa de Macau USA e na Casa de Macau em Portugal fica aquém das expectativas, apesar de os estudantes chineses em Portugal terem sido uma boa surpresa pelo entusiasmo demonstrado nas actividades. Na perspectiva de Antonieta Conceição Manolakis, presidente da Casa de Macau na Austrália, é natural que os jovens tenham mais dificuldade em ser activos devido à vida profissional
Catarina Pereira
É uma tarefa complicada manter os mais jovens em sintonia com os eventos e actividades organizados pelas Casas de Macau em várias partes do mundo, ainda assim, a presidente da Casa de Macau na Austrália, Antonieta Conceição Manolakis, considera que tudo depende das fases da vida em que cada pessoa se encontra. “De certa forma é difícil, porque há uma altura da vida em que as pessoas querem mais estar no seu canto, a fazer as suas coisas, e outras em que se querem dedicar mais à família, saber mais sobre as tradições e a língua”, explica em entrevista ao Jornal TRIBUNA DE MACAU.
Ainda assim, “nos últimos anos temos feito um evento relacionado com gastronomia, todos os meses, e este ano tivemos dois jovens a cozinhar para nós o que foi muito bom”, apontou Antonieta Conceição Manolakis. A presidente diz que na Casa de Macau na Austrália “tentamos introduzir diferentes eventos de forma a tentar encorajá-los”, mas diz entender que “com a vida profissional seja difícil” dedicarem-se a este género de actividades, prosseguiu. De resto, Antonieta Conceição Manolakis considera importante continuar o Encontro das Comunidades Macaenses de forma a preservar o legado dos macaenses.
Por outro lado, nos Estados Unidos há três associações de macaenses distintas – a Casa de Macau USA, o Lusitano Club of California e a União Macaense Americana (UMA) -, mas Henrique Manhão, presidente da Casa de Macau USA, diz que é difícil atrair a juventude. “Tentamos de tudo, há até o Dia da Juventude Macaense, apoiado pelo Conselho das Comunidades Macaenses, aí aparecem, mas falta qualquer coisa”, afirma.
“O problema principal é que, uma vez casados, já têm outras preocupações e não têm tempo, mas também porque não nasceram em Macau e isso faz uma grande diferença”, prossegue. Henrique Manhão acredita que o Lusitano Club da Califórnia é aquele que manterá portas abertas durante mais tempo, pois é o que tem maior número de jovens. “É o que vai aguentar mais tempo. Na nossa Casa já estamos todos com uma certa idade e não é fácil”, sublinha.
À frente da Casa de Macau USA desde que foi criada, Henrique Manhão diz mesmo quer entregar o testemunho, mas que “ninguém quer tomar conta daquilo”. “Caso contrário já tinha saído há muito tempo, é a vez dos mais novos trabalharem um pouco, têm mais entusiasmo e novas ideias”, acrescenta, frisando que o “fenómeno” não acontece apenas nos Estados Unidos.
Na Casa de Macau em Portugal, por sua vez, os associados são, de modo geral, “bastante participativos” nos eventos, afirma a presidente, Maria de Lourdes Vaz Albino. Porém, quando se fala nos jovens afirma apenas que os de famílias macaenses “mostram também algum interesse”. Assim, considera que é necessário “repensar formas de suscitar uma maior aproximação”, pois o objectivo é “de que futuramente sejam eles a dirigir os destinos da Casa de Macau”. “Terá que haver um dia uma mudança geracional”, acrescenta.
Em sentido contrário, sublinha que os jovens bolseiros chineses que estudam em Universidades Portuguesas “têm manifestado grande interesse em participar activamente na organização de actividades na Casa de Macau”, razão pela qual é intenção da presidente “estudar e analisar” a possibilidade de os envolver ainda mais.
PROGRAMA DO ENCONTRO
DIA 23 (SÁBADO)
18:00 Boas vindas aos participantes no Jardim de Infância D. José da Costa Nunes
DIA 24 (DOMINGO)
10:00 Sessão Cultural promovida pelo Instituto Internacional de Macau (IIM), no Centro de Ciência de Macau
14:30 Conferência sobre Gastronomia Macaense no Centro de Ciência de Macau
-Moderador: José Luís de Sales Marques, presidente do Conselho das Comunidades Macaenses (CCM) e do Instituto de Estudos Europeus de Macau (IEEM)
-Oradores: Manuel Fernandes rodrigues, Annabel Dorothy Jackson e Maria João Salvador dos Santos Ferreira, que fará o lançamento do livro “Macau: Cultural Tourism and Macanese Gastronomy”
19:30 Sessão Solene de Abertura no Kashgar Ballroom, Hotel Sheraton Grand Macao Cotai Central
DIA 25 (SEGUNDA-FEIRA)
9:00 Concurso de Cozinha Macaense no Centro de Actividades Educativas da Taipa
DIA 26 (TERÇA-FEIRA)
10:00 Cerimónia junto ao Monumento de Homenagem à Diáspora Macaense (somente para dirigentes das Casas de Macau)
10:00 Visita guiada por especialistas do Instituto Cultural de Macau a locais de interesse histórico (para os restantes participantes)
15:00 Sessão fotográfica junto às Ruínas de São Paulo
18:00 Missa e Te-Deum na Sé Catedral
DIAS 27 E 28 (QUARTA E QUINTA-FEIRA)
8:00 Passeio turístico à Grande Baía (Fat San) com o apoio do Gabinete de Ligação do Governo Central da China em Macau
DIA 29 (SEXTA-FEIRA)
19:30 Festa de encerramento no Grand Hall da Torre de Macau



