Por ocasião dos 36 anos do Jornal TRIBUNA DE MACAU, a importância da imprensa em Língua Portuguesa voltou a ser enfatizada pelo Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam. Na cerimónia de aniversário, José Rocha Diniz renovou a promessa de continuar a missão de vulgarização do Português naquela que já figura como uma “aventura jornalística” com quase quatro décadas. A cerimónia ficou ainda marcada pela entrega dos prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia

 

Catarina Almeida

 

O 36º aniversário do Jornal TRIBUNA DE MACAU (JTM) foi assinalado ontem, no Clube Militar, com a presença de dezenas de convidados de vários quadrantes sociais, incluindo do Governo, que esteve representado pelo Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, e dos Cônsules de Portugal, Moçambique e Angola, respectivamente Paulo Cunha Alves, Rafael Marques e Sofia Pegado da Silva.

Na sua intervenção, que proferiu em Português, Alexis Tam desejou “votos de sucesso” e garantiu envidar mais esforços para apoiar a Língua Portuguesa no território. “Vou fazer o melhor possível para conseguir mais leitores, principalmente os nossos alunos que estão a estudar a Língua Portuguesa”, disse.

De um modo geral, e reiterando a importância da Língua de Camões, em geral, e da imprensa em Português, em particular, o governante salientou o contributo deste segmento dos media por “conseguir divulgar informações importantes em todas as áreas – cultura, educativa, económica”.

“Com a colaboração de Portugal e, claro, dos amigos portugueses e dos países de Língua Portuguesa, Macau está num caminho muito correcto”, vincou Alexis Tam, recordando uma altura em que “não havia recursos financeiros” para dar mais importância à Língua Portuguesa. “Mas, hoje em dia, temos meios e também temos a vontade de fazer e promover a Língua”, assegurou.

Por sua vez, depois de agradecer a presença do Secretário Alexis Tam, do General Garcia Leandro, antigo governador de Macau e actual presidente da Fundação Jorge Álvares, e dos representantes diplomáticos dos países de Língua Portuguesa, o administrador do JTM começou por destacar que a presença de dezenas de personalidades na cerimónia é um sinal do “modo como têm acompanhado esta aventura jornalística em prol da língua portuguesa”.

“É essa a promessa que anualmente aqui renovo: Um jornal sobre a vida sócio-económica e política de Macau, factual nas notícias, livre nas opiniões, e tudo isto em Língua Portuguesa e de acordo com o Código Deontológico dos Jornalistas Portugueses”, frisou José Rocha Diniz, assegurando que a TRIBUNA DE MACAU irá “continuar a ser responsável pela divulgação do trabalho de todas as instituições de matriz portuguesa e todos os eventos que ajudem a RAEM a tornar-se cada vez mais internacional”.

No mesmo discurso, José Rocha Diniz salientou também que foi com a missão de “defesa, apoio ao ensino e à vulgarização da Língua Portuguesa” que se concretizou mais uma edição dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos em 2017 em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e este ano com o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias.

Neste contexto, o General Garcia Leandro, na qualidade de presidente da Fundação Jorge Álvares destacou a relevância destes Prémios, que “não poderia deixar de apoiar por razões que estão relacionadas com a importância da Língua Portuguesa”.

Nesta segunda edição foram submetidas mais de quatro dezenas de trabalhos de autores de Macau, Portugal, Brasil e outros países de Língua Portuguesa.

Na categoria “Ensaio”, o júri distinguiu o trabalho “Miguel Torga: um poeta português em Macau”, da autoria de António Aresta. Tendo em conta que o investigador se encontra em Portugal, o cheque no valor pecuniário de 50 mil patacas foi simbolicamente entregue ao director deste jornal, Sérgio Terra.

Foi devido ao trabalho “Ler Sem Limites”, publicado no semanário Plataforma, que Catarina Brites Soares recebeu ontem o prémio de Jornalismo, no mesmo valor.

Para a jornalista, esta distinção é importante por várias razões, mas sobretudo por permitir transmitir a mensagem de que “em Macau existe, de facto, liberdade de expressão, acesso à informação” sobretudo numa altura em que “se fala tanto de ataque ao segundo sistema, em que muitos dos valores pilares e estruturais daquilo que é a história da região”. “Foi muito relevante ver que nas bibliotecas públicas, das escolas, nas livrarias, é possível aceder a esses livros”, explicou à TRIBUNA DE MACAU.

Reconhecendo que na fase inicial de elaboração da história, sentiu alguns receios das reacções que poderia causar, a jornalista defende a pertinência do tema, até porque “a mensagem que transmite era muito mais importante do que as repercussões eventualmente negativas que pudesse ter”.

Quanto ao prémio propriamente dito, Catarina Brites Soares entende que “vem dar visibilidade a uma área do mundo que muito tempo esteve ostracizado e que agora de alguma forma ganha protagonismo também muito por responsabilidade desta terra, Macau, e da China Continental”.