O britânico Peter Hickman alcançou a terceira vitória no Grande Prémio de Motas, uma prova que foi interrompida a meio devido a um acidente. Michael Rutter que é presença assídua no Circuito da Guia desde a década de 90, assegura que para o ano regressa

Inês Almeida

Peter Hickman foi o vencedor do 52º Grande Prémio de Motas, uma corrida marcada por um acidente entre Phillip Crowe, que, segundo a organização, não precisou de ser transportado para o hospital, e Ben Wylie que ao início da noite de ontem estava sob observação médica embora esteja consciente e não corra perigo de vida.

O britânico que soma já três vitórias no Circuito da Guia recordou que o início da prova não lhe correu de feição. “Michael Rutter começou à minha frente, o que é normal. Estava muito feliz só por estar atrás dele. À terceira volta concentrei-me e tentei ganhar vantagem”. A última volta terminou com o surgimento da bandeira vermelha devido ao acidente e Peter Hickman destaca que “o importante é que os dois [pilotos] estejam bem”.

Por sua vez, Michael Rutter, que soma já oito vitórias no Circuito da Guia, ficou no segundo lugar do pódio. Confrontado com os momentos em que teve “estrada aberta”, o piloto disse ter ficado chocado. “Pensei que ia ser terrível mas correu perfeitamente e fiquei à frente. Correu bem até Peter [Hickman] ‘aparecer a voar’”.

Rutter é já presença assídua desde os anos 90 e promete voltar em 2019. “Gosto muito de estar naquele pódio, a olhar para os arranha-céus, e de pensar na imensa sorte que tenho em estar aqui. Da primeira vez que cá vi, em 1993 ou 1994, estar no pódio era um sonho”, recordou o piloto.

“Nunca quero dizer que esta corrida é a última, mas estou a ficar mais velho. A mota que tenho é fantástica. Se fosse conduzida por alguém com menos 20 anos talvez fosse algo completamente diferente porque a mota é incrível”. De qualquer modo, “é bom tentar melhorá-la. Sabemos o que podemos fazer para o próximo ano, por isso, devo voltar”, destacou.

Martin Jessop, que nunca venceu a prova, ocupou o terceiro lugar do pódio composto inteiramente por pilotos do Reino Unido. “Tenho estado com a mesma mota há seis anos e nunca ganhei, por isso, este ano pensei: porque não tentar algo diferente? Não ganhei muita prática. Tenho usado a mota nos últimos dias e tenho muito respeito pela mota e por esta pista, que aqui é preciso ter, e tentei não apressar nada. É uma abordagem muito diferente este ano”, disse na conferência de imprensa que se seguiu à prova.

O piloto vai fazer “algumas mudanças à mota”. “Vou sentar-me com a equipa e acho que eles conseguem aproximar-me um bocadinho [dos dois primeiros lugares]. Não estou a dizer que vou ultrapassar os dois [Michael Rutter e Peter Hickman] mas vou ver se consigo aproximar-me mais”, assegurou.

André Pires termina na 19ª posição

Aos comandos da sua Yamaha R1 o transmontano André Pires terminou mais uma participação – a sexta – no GP de Macau com o 19º posto final entre os 26 participantes naquela que foi a 52ª edição da prova reservada ás motos. Depois de ter qualificado na 21ª posição o ex-campeão nacional, actualmente o único luso que está dentro dos parâmetros de convite da organização do GPM, André Pires fechou as oito voltas aos 6120 metros do mítico Circuito da Guia na 19ª posição a pouco menos de um minuto e 15 segundos do vencedor, o britânico Peter Hickman. Falando à Rádio Macau, André fez um balanço “muito positivo” da participação recordando, porém, que teve alguns problemas com a mota que “era uma novidade em Macau”. Para o piloto “o arranque da corrida foi bom”. “Apesar de estar cá muito atrás ainda consegui ultrapassar alguns pilotos só que o grupo que, se calhar, eu conseguia andar mais confortável, os 15 primeiros, abriu um bocadinho e quando passei os mais lentos já não consegui buscá-los”, admitiu. De qualquer modo, no próximo ano, espera regressar. “Se continuar a ter apoios e uma equipa que me ajude a vir cá, certamente venho. Gosto de Macau. É uma grande prova. Estamos aqui pela adrenalina. Não há pista nenhuma que dê tanta adrenalina como a de Macau”, concluiu.