Mikael Fernandes, candidato do Nós, Cidadãos pelo Círculo Fora da Europa, considera que é preciso aumentar a representação parlamentar do círculo dos emigrantes, para que seja de “maior abrangência”. Segundo disse, a maior parte das preocupações que lhe têm chegado por parte de emigrantes estão relacionadas com a função dos postos consulares, pelo que é preciso “dar mais apoio” aos portugueses no estrangeiro. Mikael Fernandes defende ainda que o ensino de Português “deve ser gratuito para todos os lusodescendentes”

 

-Quais as principais linhas programáticas desta candidatura para o Círculo Fora da Europa?

– A medida principal será criar uma plataforma para que os cidadãos que estão no estrangeiro possam manifestar as suas preocupações, queixas, reclamações e demais assuntos directamente comigo, isto porque são o círculo que estou a representar e tenho a responsabilidade de ser uma ponte entre o poder legislativo e os cidadãos no estrangeiro. Desta forma consigo atender, ouvir e fazer ouvir as preocupações de todos os que estão no estrangeiro.

Aumentar a representação parlamentar do círculo dos emigrantes, para que seja de maior abrangência, não é possível que para mais de 1,5 milhões de portugueses no estrangeiro só sejam eleitos quatro deputados, para além do voto electrónico para os residentes no estrangeiro, de forma a facilitar o voto para os emigrantes e evitar constrangimentos no acto do voto, como por exemplo cadernos eleitorais perdidos.

Vou realizar vídeos em directo pelas redes sociais semanalmente, para assim dar um ponto de situação do trabalho realizado ao longo da semana a todos.

 

-Por que razão se candidata pelo Círculo Fora da Europa?

-Porque sou lusodescendente, filho de mãe e pai emigrantes, ambos naturais da ilha da Madeira. Eu nasci na Venezuela, e é por esse motivo que me candidato a este círculo, porque tanto a minha família como eu temos vivido o que muitos emigrantes vivem. Eu quero ser uma ponte entre os cidadãos que estão no estrangeiro e o poder legislativo, de forma a sentirmos um Portugal mais perto.

 

-Quais as principais preocupações que tem recebido por parte dos emigrantes portugueses na Ásia, e em particular em Macau?

-A maior parte é na função dos postos consulares que é insuficiente para dar apoio aos nossos cidadãos, não estão a dar resposta para todos, demoram muito, não conseguem agendar. Têm sido em grande parte a maioria das preocupações, temos de dar mais apoio, eu pessoalmente tenho dado o apoio a vários familiares que regressaram a Portugal e o apoio quer seja no território estrangeiro como em Portugal é mínimo. Outro ponto também é no ensino de Português, o qual deve ser gratuito para todos os lusodescendentes, eu por exemplo tive de aprender português ao calhas, porque em 2015 só tinha conhecimento de uma escola que dava português e cultura portuguesa em Caracas, a mesma ficava longe da minha casa, no entanto quando cheguei a Portugal falava “Portunhol” e em Lisboa tenho aperfeiçoado o português aos poucos.

 

-Como vê o papel do Conselho das Comunidades Portuguesas fora da Europa, e em particular na Ásia?

-O papel do Conselho das Comunidades no meu entender é orientar os emigrantes e o Ministério de Negócios Estrangeiros. Quando vivia na Venezuela nem sabia que existiam (no consulado nunca me chegaram a falar sobre este Conselho), cheguei a saber deste Conselho porque procurei informação para dar apoio a um familiar, e no único que conseguiram ajudar, foi em facultar na altura um contacto de email, sem conseguir fazer mais.

Na situação do papel deste conselho na Ásia, vejo que tentam dar soluções e voz aos problemas que atravessam os emigrantes, mas precisam de mais apoio, precisam também de alguém que não seja só o Ministro de Negócios Estrangeiros. Precisamos de trabalhar em equipa se queremos realmente mudar e fazer algo por todos nós.

 

-Como olha para as relações entre Portugal e Macau tendo em conta o actual contexto político?

-Actualmente não vejo qualquer problema relevante na relação entre ambos, mas devemos ter em conta que como qualquer relação, podem piorar, eu espero que isto nunca aconteça, mas apesar disso devemos sempre estar preparados para tudo, por isso é essencial garantir em todo momento (seja ou não em crise) a segurança e bem-estar dos nossos no estrangeiro.

 

-Quais as suas expectativas em termos de resultado das eleições?

-A minha expectativa é que pelo menos obtivéssemos um lugar deste círculo na Assembleia, assim consigo demonstrar que é possível fazer que a Assembleia fique também perto dos emigrantes. Não vamos mudar nada se votarmos sempre nos mesmos. Se tiver a oportunidade, acreditem que apesar da pouca experiência, a vontade de trabalhar é imensa.

 

 

N.D.

O JTM nas eleições

legislativas em Portugal

Tendo em consideração a inegável importância das eleições legislativas em Portugal, agendadas para 10 de Março, o Jornal TRIBUNA DE MACAU contactou todas as candidaturas do Círculo de Fora da Europa, remetendo as mesmas questões aos respectivos cabeças de lista, para que a comunidade portuguesa residente na RAEM e os nossos leitores espalhados pelo mundo possam ter um conhecimento mais profundo sobre as ideias e visões dos partidos, designadamente sobre matérias relevantes na Ásia. Em nome da neutralidade e imparcialidade, reservámos o mesmo espaço para todos, fixando apenas um limite máximo, pelo que a responsabilidade do seu preenchimento cabe aos candidatos. A ordem de publicação das respostas recebidas segue os resultados gerais das eleições legislativas de 2022. Os títulos e as entradas dos textos são da responsabilidade do JTM