Paulo Nunes, cabeça de lista da Alternativa Democrática Nacional pelo círculo Fora da Europa, promete que irá “apoiar dignamente a Diáspora e a comunidade portuguesa no estrangeiro, algo que não tem acontecido”. Em concreto, fala em mudanças ao nível do atendimento dos consulados e da questão da discriminação do voto dos emigrantes. Além disso, vinca que “as relações entre Portugal e Macau são multifacetadas e continuam a ser importantes para ambas as partes, apesar dos desafios que possam surgir no actual contexto político”
-Quais as principais linhas programáticas desta candidatura para o Círculo Fora da Europa?
-Apoiar dignamente a Diáspora e a comunidade portuguesa no estrangeiro, algo que não tem acontecido, nomeadamente em mudar a forma de atendimento dos consulados e a questão da discriminação do voto dos emigrantes, que na sua grande maioria ficam impedidos de exercer o seu direito de voto por questões burocráticas.
Defendemos medidas para facilitar a integração dos portugueses que vivem fora da Europa, iremos pugnar por fornecer uma assistência consular e diplomática eficaz, queremos promover programas culturais e educacionais para manter os laços afectivos com Portugal e garantir a protecção dos direitos dos cidadãos patriotas, que amam a sua Nação.
-Por que razão se candidata pelo Círculo Fora da Europa?
-A principal razão é porque fui emigrante durante 33 anos fora da Europa e sinto que tenho condições e conhecimentos para conseguir melhorar a vida dos nossos emigrantes e acabar com algumas dificuldades pelas quais eles passam cada vez que necessitam do apoio de Portugal.
Os 33 anos que vivi como emigrante deram-me um conhecimento profundo das necessidades e preocupações dos portugueses que residem noutros países.
É por ter experienciado essa realidade, que faço da minha missão fazer com que todos sejam apoiados por alguém que entende o que é ser emigrante.
-Quais as principais preocupações que têm recebido por parte dos emigrantes portugueses na Ásia, e em particular em Macau?
-O ADN tem apoiantes emigrantes em diversas regiões do mundo, em particular na Ásia.
No que respeita aos emigrantes portugueses na Ásia, sabemos que podem enfrentar uma série de desafios devido às diferenças culturais, barreiras linguísticas e ajustes ao estilo de vida, pelo que é muito importante apoiá-los nas questões relacionadas com as diferenças culturais, as práticas sociais, normas de comportamento, tradições e costumes que podem ser muito diferentes do que estão acostumados, o que pode levar a sentimentos de solidão e de isolamento.
Outras das preocupações são o acesso a cuidados de saúde de qualidade e educação para as crianças filhas de pais portugueses.
Por último, é urgente termos um apoio consular eficaz que ajude os emigrantes a navegar no sistema legal e administrativo dos países asiáticos, que pode ser complicado para os emigrantes, especialmente se não estiverem familiarizados com as leis e regulamentos locais.
Em relação a Macau, não podemos esquecer que o mercado de trabalho em Macau é altamente competitivo, especialmente nos sectores relacionados com o jogo e turismo, que são os principais impulsionadores da economia local. Os emigrantes portugueses podem enfrentar dificuldades para encontrar empregos adequados e principalmente na obtenção de vistos e autorizações de residência que pode ser complicado e burocrático em alguns casos, especialmente para aqueles que desejam permanecer em Macau por longos períodos.
-Como vê o papel do Conselho das Comunidades Portuguesas fora da Europa, e em particular na Ásia?
-O que vivi e o que tem chegado até mim é que em vários países é mesmo a falta de apoio e assistência consular e isso não pode acontecer, por isso eu na qualidade de candidato para o círculo fora da Europa é defender os direitos e interesses dos emigrantes do nosso povo tão sofrido, promover para que nossa cultura não perca suas raízes.
-Como olha para as relações entre Portugal e Macau tendo em conta o actual contexto político?
-Como bem sabemos, as relações entre Portugal e Macau são historicamente significativas e continuam a ser importantes no contexto político actual. Macau foi uma colónia portuguesa por mais de 400 anos, antes de ser devolvida à China em 1999, sob o princípio “um país, dois sistemas”, que previa garantir uma autonomia do território em muitas áreas, incluindo política, económica e no próprio sistema legal.
No actual contexto político, as relações entre Portugal e Macau compartilham laços culturais e históricos profundos, que continuam a ser valorizados e celebrados, influenciando a identidade cultural e histórica de Macau.
Não menos importante são as relações económicas e comerciais entre Portugal e Macau que se têm fortalecido ao longo dos anos. As empresas portuguesas têm interesse em fazer negócios em Macau, especialmente nas áreas de turismo, educação e serviços financeiros e é necessário manter todas as portas diplomáticas abertas, pois as relações entre Portugal e Macau são multifacetadas e continuam a ser importantes para ambas as partes, apesar dos desafios que possam surgir no actual contexto político.
-Quais as suas expectativas em termos de resultado das eleições?
-A minha expectativa é saber que os emigrantes portugueses são os mais resilientes do mundo e, por isso, vão ultrapassar todos os obstáculos e vão votar no ADN (Alternativa Democrática Nacional), para mostrar aos partidos do regime que não são portugueses de 2ª.
Como português que viveu como emigrante durante 33 anos, que sabe o que é ser emigrante, conto com a empatia de todos aqueles que se sentem abandonados pelos sucessivos governos de Portugal no país onde residem e votem no partido ADN.
Se querem ser bem representados e acolhidos nos nossos consulados ou embaixadas é necessário apoiar o ADN e o cabeça de lista Paulo Nunes.
Estou sempre grato a Portugal e ao povo português, e como está escrito no Hino Nacional “Heróis do mar, nobre povo, Nação valente, imortal, Levantai hoje de novo O esplendor de Portugal!” Eu, Paulo Nunes, vou ter sempre a porta aberta para receber o emigrante português, independentemente do partido em que vote ou apoie ou da religião que professe.
N.D.
O JTM nas eleições
legislativas em Portugal
Tendo em consideração a inegável importância das eleições legislativas em Portugal, agendadas para 10 de Março, o Jornal TRIBUNA DE MACAU contactou todas as candidaturas do Círculo de Fora da Europa, remetendo as mesmas questões aos respectivos cabeças de lista, para que a comunidade portuguesa residente na RAEM e os nossos leitores espalhados pelo mundo possam ter um conhecimento mais profundo sobre as ideias e visões dos partidos, designadamente sobre matérias relevantes na Ásia. Em nome da neutralidade e imparcialidade, reservámos o mesmo espaço para todos, fixando apenas um limite máximo, pelo que a responsabilidade do seu preenchimento cabe aos candidatos. A ordem de publicação das respostas recebidas segue os resultados gerais das eleições legislativas de 2022. Os títulos e as entradas dos textos são da responsabilidade do JTM



