Augusto Santos Silva, candidato do Partido Socialista pelo Círculo Fora da Europa, compromete-se a “reforçar os serviços consulares”, nomeadamente o “bom funcionamento das ligações digitais”, e a “consolidar o ensino e a cultura portuguesa nos diferentes países e na Região Administrativa Especial de Macau”. Ademais, sublinha que “é essencial que tudo o que a Lei Básica determina em matéria de transição seja cumprido por ambas as partes”. Por outro lado, Santos Silva defende que instituições de “referência”, como a Escola Portuguesa ou o Instituto Português do Oriente, devem ser “acarinhadas e plenamente aproveitadas”
-Quais as principais linhas programáticas desta candidatura para o Círculo Fora da Europa?
-Reforçar os serviços consulares, assegurando designadamente o bom funcionamento das ligações digitais; consolidar o ensino e a cultura portuguesa nos diferentes países e na Região Administrativa Especial de Macau; apoiar o associativismo das comunidades portuguesas com especial atenção à formação de dirigentes e à promoção da participação de mais mulheres e mais jovens na vida associativa; desenvolver a colaboração com os portugueses e lusodescendentes que em vários países ocupam funções públicas de relevo (senadores, deputados, autarcas, altos responsáveis da justiça ou da educação), de modo a aumentar a nossa influência nesses países e a aproveitar plenamente a excelente integração que caracteriza as várias gerações de origem portuguesa; dedicar especial atenção aos países que vivem circunstâncias públicas com consequências para o bem-estar dos nossos compatriotas.
-Por que razão se candidata pelo Círculo Fora da Europa?
-Porque, tendo merecido a confiança dos eleitores em 2019 e 2022, apresento-me de novo ao seu juízo, com humildade democrática, pedindo a renovação da confiança que julgo ter merecido, através do desempenho das funções de Presidente da Assembleia da República, o primeiro oriundo de um círculo da emigração.
Gostaria de assinalar que me acompanha na lista a Francisca Garcia Beja, portuguesa residente em Macau.
-Quais as principais preocupações que tem recebido por parte dos emigrantes portugueses na Ásia, e em particular em Macau?
-O caso de Macau é muito particular, como todos sabemos. Exige, por isso, uma atenção permanente, com cuidado e muita ponderação, e a comunicação mais permanente e fluida possível com as autoridades chinesas. É essencial que tudo o que a Lei Básica determina em matéria de transição seja cumprido por ambas as partes. Ao mesmo tempo, instituições de referência, como por exemplo a Escola Portuguesa de Macau, o Instituto Português do Oriente e o próprio Consulado-Geral de Portugal em Macau devem ser acarinhadas e plenamente aproveitadas, não só no serviço que prestam à população portuguesa e lusodescendente como também pelo prestígio que trazem a Portugal e aos portugueses em Macau e em toda a China.
-Como vê o papel do Conselho das Comunidades Portuguesas fora da Europa, e em particular na Ásia?
-O Conselho das Comunidades Portugueses é indispensável a vários títulos: pela representação dos interesses das comunidades que assegura; um órgão consultivo do parlamento e do Governo; e como plataforma de organização e apresentação de propostas por parte das comunidades.
As suas competências foram recentemente reforçadas. A recente eleição trouxe uma importante renovação e incrementou a participação das conselheiras. Tudo isso contribui para que o Conselho cumpra o seu papel e aumente a sua influência.
-Como olha para as relações entre Portugal e Macau tendo em conta o actual contexto político?
-Essas relações são de consideração e respeito de parte a parte, de cooperação na prossecução de interesses comuns e de interlocução permanente, de modo a que eventuais problemas sejam precocemente identificados e atalhados, sempre no respeito pela soberania de cada um dos países e sem ingerência nos seus assuntos internos.
-Quais as suas expectativas em termos de resultado das eleições?
-Confio numa vitória robusta do PS que permita ao PS formar o próximo Governo.
N.D.
O JTM nas eleições
legislativas em Portugal
Tendo em consideração a inegável importância das eleições legislativas em Portugal, agendadas para 10 de Março, o Jornal TRIBUNA DE MACAU contactou todas as candidaturas do Círculo de Fora da Europa, remetendo as mesmas questões aos respectivos cabeças de lista, para que a comunidade portuguesa residente na RAEM e os nossos leitores espalhados pelo mundo possam ter um conhecimento mais profundo sobre as ideias e visões dos partidos, designadamente sobre matérias relevantes na Ásia. Em nome da neutralidade e imparcialidade, reservámos o mesmo espaço para todos, fixando apenas um limite máximo, pelo que a responsabilidade do seu preenchimento cabe aos candidatos. A ordem de publicação das respostas recebidas segue os resultados gerais das eleições legislativas de 2022. Os títulos e as entradas dos textos são da responsabilidade do JTM



