O jovem piloto de Macau Tiago Rodrigues está de regresso à Fórmula 4 do Grande Prémio, depois de no ano passado ter participado na Fórmula Regional, na qual não foi feliz, devido a problemas no monolugar. O português disse ao Jornal TRIBUNA DE MACAU que “apenas quer fazer a sua corrida e dar o máximo”, sem pensar em resultados

 

VÍTOR REBELO

 

A prova de Fórmula 4 (F4) do Grande Prémio de Macau (GPM) deste ano vai contar apenas com um piloto da RAEM, Tiago Rodrigues. O jovem regressa a este tipo de monologares, dois anos depois de se ter sagrado campeão na China, mas desta feita numa corrida sem “duelo” de equipas, ou seja, com os participantes indicados por convite.

Será, por isso, “uma corrida diferente do habitual”, começou por dizer ao Jornal TRIBUNA DE MACAU o piloto do território, que na edição passada do GPM integrou a grelha de Fórmula Regional (FR). Nessa altura, “foram muitos os problemas no carro”, pelo que espera ter agora “mais sorte”. De qualquer modo, está apostado em dar o seu máximo.

“As minhas expectativas para a competição de F4 deste ano são de dar o meu melhor, sem pensar no resultado que vou ter, porque isso não é a abordagem certa na minha opinião”, salientou, acrescentando querer, acima de tudo, focar-se “em estar calmo”.

Esta temporada, o piloto só fez o campeonato dos Emirados Árabes Unidos de F4, tendo depois ficado parado durante cerca de seis meses. Há três semanas, correu na última ronda do campeonato da China. “O chassis do carro com que andei é o mesmo, só que a marca de pneus é diferente, ou seja, a primeira vez em que eu vou andar em condições de um carro de Macau vai ser mesmo no GPM”, mencionou, referindo que tem desvantagem comparativamente a outros adversários que já andaram no carro com que vão correr em Macau.

Por outro lado, conhecendo bem o Circuito da Guia, “pode ser uma vantagem”, admitiu. Sobre os adversários, frisa que “são todos de qualidade, alguns dos quais campeões em diversos países”.

Relativamente à corrida de FR em que participou na edição anterior do GPM, o jovem luso de 18 anos, lamenta os problemas que teve no carro. “Logo na primeira sessão andei perto de 10 minutos, sem o turbo do carro a funcionar, seguindo-se problemas na caixa de velocidades, daí que tivesse sido obrigado a parar, porque eram sempre problemas diferentes”, afirmou.

“Na qualificação, a roda da frente não ficou bem montada, ou seja, quando eu pisava no travão o carro não tratava assim tanto, por isso estava fora do meu controlo”, adianta. Se as coisas “tivessem corrido melhor da parte da equipa”, prossegue, “talvez pudesse ter tido um resultado muito melhor”.

Face às adversidades encontrados na experiência na FR em Macau, Tiago Rodrigues espera este ano ter sorte. “Se não tiver esse tipo de problemas no carro, julgo que consigo andar bem”, admite.

Relativamente ao futuro, ainda nada está decidido, mas “um bom resultado em Macau na F4 poderia dar-me oportunidade de continuar a correr e poder ser escolhido por uma academia em que eu não tivesse de pagar para lá estar”.

O piloto reconhece que este desporto é caro. “Já era assim há 19 anos, mas os orçamentos eram talvez metade do que são agora”, lamenta. “As razões de eu não poder andar na Fórmula 3, que anda em paralelo com a Fórmula 1 e 2, é porque uma temporada custa pelo menos um milhão de euros (cerca de nove milhões e meio de patacas), e se não houver o apoio de vários patrocinadores ou um Governo, é muito difícil”, refere.

Mesmo nas academias, diz, “há pilotos que em vez de serem pagos para correr e progredir na sua carreira, preferem esse título de Ferrari Júnior Driver ou Red Bull Júnior Driver e acabam por pagar para estar na academia, o que é uma situação contrária ao que se passava há cinco ou 10 anos”, acentua.