Uma ultrapassagem arriscada, mas bem-sucedida, antes da icónica e exigente curva do Hotel Lisboa, a duas voltas do fim, foi determinante para o triunfo de Théophille Nael na corrida de Fórmula Regional do Grande Prémio de Macau. O britânico Slater e o espanhol Boya foram os outros principais protagonistas da luta pelo título
VÍTOR REBELO
O derradeiro dia do Grande Prémio de Macau (GPM) fechou com a corrida considerada de maior cartaz do programa, a Fórmula Regional (FR), “herdeira” da Fórmula 3, que contou com a presença de 27 jovens pilotos, alguns dos quais se sagraram vencedores dos campeonatos realizados em vários países.
Antes do arranque da competição, o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, acompanhado pela Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, assistiu à tradicional cerimónia da dança do leão e cumprimentou, como é habitual, todos os concorrentes.
Numa tarde de sol e calor, com os termómetros a marcarem 24 graus Celsius, a prova começou com o britânico Freddie Slater a defender a “pole position” obtida na Prova Classificativa, numa grelha em que se encontravam nas posições imediatas o espanhol Mari Boya e o francês Théophille Nael.
Foi Boya que arrancou melhor, assumindo a liderança logo a seguir à primeira curva, do Reservatório, à frente de Slater e Enzo Deligny (França), que havia saído da quinta posição da grelha. Nael fez uma má largada e desceu para o quarto posto.
O pelotão passou sem problemas na primeira passagem pela curva do Hotel Lisboa, mas à entrada para a Calçada de São Francisco ocorreu o primeiro acidente, envolvendo quatro monolugares.
O “safety car” entrou no circuito, mas não demorou muito a sair. No reatamento, os principais protagonistas, Boya e Slater, iniciaram um “duelo” que prometia. O primeiro “round” foi favorável ao inglês, que não demorou tempo a recuperar o comando, ultrapassando o seu rival na recta anterior à curva do Lisboa.
A luta pelo título travava-se entre o “teenager” britânico (17 anos) e o espanhol (quatro anos mais velho), que foram deixando para trás os restantes adversários, com destaque para Deligny e Nael.
A sete voltas do fim, uma batida do austríaco Oscar Wurz colocou de novo no circuito o “safety car” e reagrupou os concorrentes.
No relançamento da corrida, Boya aproveitou uma pequena distracção de Slater à entrada do Lisboa e voltou à liderança, arriscando, com sucesso, uma ultrapassagem por fora. Pouco depois, sem que nada fizesse prever, um erro de Slater atirou-o para fora da corrida, ao bater na curva R, imediatamente antes da recta da meta.
O “safety car” saiu a três voltas do fim e, até à última passagem pela meta, houve ainda tempo para surpresas. Numa das ultrapassagens de maior espectáculo da corrida, na icónica, apertada e perigosa curva do Lisboa, Nael aproveitou a “guerra” entre Boya e Deligny e colocou-se na dianteira.
Segundos depois, mais dois acidentes, um dos quais envolvendo o piloto de Macau Charles Leong, e a prova ficava por ali, já que o “safety car” teve de entrar de novo no circuito, o que foi pena, uma vez que a parte final prometia ainda mais espectáculo na luta pelo título.
Nael referiu na “flash interview”, antes de se deslocar para a cerimónia de pódio, onde recebeu os louros do triunfo das mãos de Sam Hou Fai, ter sido “um final incrível de corrida”. Nas últimas voltas “nunca acreditei que os meus adversários pudessem cometer erros”, expressou, agradecendo o trabalho da sua equipa, a “KCMG Enya Pinnacle Motosport”.
Desiludido estava Mari Boya. “Não estou, claro, nada satisfeito, porque consegui as ultrapassagens ao Slater e acabei por ser batido pelo Nael”, salientou o piloto francês, de 18 anos, que ganhou esta temporada o campeonato espanhol da categoria. No ano passado em Macau não se qualificou.
Na classificação final da Taça do Mundo de FR, logo atrás de Nael e Boya, posicionaram-se Deligny e o italiano Mattia Colnaghi.
Mesmo tendo sido uma corrida que terminou atrás do “safety car”, o que não agrada a ninguém, quer pilotos, quer espectadores, esta FR, que pelo segundo ano consecutivo integrou o programa do GPM, a prova proporcionou um bom espectáculo, fazendo de certo modo esquecer os muitos anos de passagem da Fórmula 3 pelo Circuito da Guia.





