VÍTOR REBELO
Isaías do Rosário e João Coimbra têm sido há vários anos comentadores das transmissões em directo da TDM, estação que tem a responsabilidade de mostrar a totalidade das corridas do Grande Prémio de Macau (GPM) aos espectadores do território, mas este ano, pela primeira vez, também aos de Portugal, Angola, Moçambique. Ambos fazem uma antevisão das provas principais do programa, nomeadamente Fórmula Regional (FR), Fórmula 4 (F4) e GT, todas com o título, sancionado pela Federação Internacional do Automóvel (FIA), de Taça do Mundo, e ainda a Corrida da Guia, integrada no “TCR World Tour” de carros de turismo, e o Grande Prémio de Motos.
No que diz respeito à competição-rainha, a FR, Isaías do Rosário disse ao Jornal TRIBUNA DE MACAU que, “apesar de algum cepticismo, face à ‘despromoção’ da Fórmula 3, a prova de cartaz continua a atrair jovens pilotos que pretendem demonstrar o seu valor aos olheiros do automobilismo de elite”.
Confirmando a importância desta Taça do Mundo de FR da FIA, observa que “estarão presentes vários nomes que num futuro próximo poderão alcançar a Fórmula 1, entre eles os três melhores classificados num dos mais importantes e competitivos campeonatos destes monolugares, o Campeonato Europeu de FR by Alpine que teve dez jornadas duplas em vários circuitos Europeus”.
Uma das principais equipas é a “R-ace GP”, onde surgem inscritos “nomes que fizeram as delícias dos apreciadores de boas corridas, quando no ano passado disputaram os melhores lugares nas sessões de qualificação e corrida final, como são os casos do japonês Jin Nakamura e do francês Enzo Deligny”, sublinha.
Isaías do Rosário realça também outra formação que “já faz parte da história do GPM”, a “Theodore Prema Racing”, apoiada pela SJM, “trazendo os experientes e rápidos Freddie Slater e Rashid Al Dhaheri e ainda o piloto local Leong Hon Chio (Charles), que esteve ausente da edição anterior”.
Acrescenta que há vários concorrentes “com reais aspirações ao pódio”, entre eles, Mari Boya, espanhol que volta a fazer parte da equipa KCMG Enya Pinnacle Motorsport e que em 2024 terminou na 7ª posição. “Com vários repetentes rápidos, esta corrida promete”, antecipa.
Japonês Rintaro Sato entre os candidatos na F4
Analisando a F4, o comentador da TDM antevê uma corrida “não menos importante e emocionante” do que a anterior, destacando a presença de dois pilotos locais, Cheong Man Hei e Tiago Rodrigues. Para além disso, “um dos nomes a reter será o irlandês Fionn McLaughlin, da Red Bull Junior Team, que obteve esta temporada cinco vitórias no campeonato britânico, estando encaminhado para disputar no próximo ano o campeonato FIA de F3”.
Alexander Munoz, de apenas 16 anos, “será mais um nome a disputar a vitória, ele que foi campeão francês, deixando atrás de si Arthur Dorison e Jules Roussel, piloto este que poderá também deixar boa impressão no Circuito da Guia”, expressa.
Outra figura sonante é Rintaro Sato, filho de Takuma Sato, ex-piloto de F1 e vencedor do Grande Prémio de Macau em 2001. “Rintaro, de 19 anos, competiu este ano no campeonato japonês e também no francês de F4, sendo que neste último com uma bolsa atribuída pela Honda’s Suzuka Racing School”, realça Isaías do Rosário.
Destaque ainda para o franco-tailandês Rayan Caretti, quarto classificado no campeonato de França, “depois de ter sido piloto revelação em 2024, na sua primeira participação”.
Também a reter, na perspectiva de Isaías do Rosário, Emanuel Olivieri, “vencedor do primeiro campeonato do Médio Oriente com chancela da FIA e neto do tri-campeão das 24 Horas de Le Mans, Rinaldo Capello, bem como Sebastian Wheldon, norte americano que disputou este ano, inicialmente, o campeonato de F4 do Médio Oriente e posteriormente o italiano, no qual terminou em terceiro”.
No que diz respeito aos GT, salienta que será, “tal como tem vindo a acontecer no passado, a prova que reúne mais adeptos e entusiastas em Macau”. Não bastando as “máquinas” presentes, tais como Lamborghini, Ferrari, Audi, BMW e Porsche, “todos da espectacular categoria GT3, os nomes que as irão tripular não ficam atrás em termos de rapidez”, frisa.
Entre eles está o italo-suíço Edoardo Mortara, “apelidado de ‘Mister’ Macau por ter no seu palmarés sete vitórias no Circuito da Guia em diferentes categorias”. Há também Raffaele Marciello, que em 2024 teve um final inglório. “Na última volta, quando seguia na frente, um ‘desaguisado’ com um adversário da Ferrari na curva do Hotel Lisboa, fê-lo terminar na 18ª posição, numa corrida ganha por Maro Engel”, lembra.
Em foco também na grelha “o actual ‘às’ do desporto automóvel chinês e vencedor da geral das famosas 24 horas de Le Mans deste ano, Deng Yi.
Antevê-se, como tal, uma “disputa muito renhida e interessante de seguir”.
Mercedes de fora na Taça GT FIA
João Coimbra começa por abordar a F4, que é “a corrida mais interessante de acompanhar, pois para além de estarem presentes oito campeões, ou líderes em diferentes campeonatos realizados em diversas partes do Globo, ainda teremos de contar com o empenho dos restantes 12, que sempre têm a ambição de mostrar serviço em Macau”.
Sobre o piloto local Tiago Rodrigues acredita que “irá fazer melhor que no ano passado, quando entrou na corrida de FR”. Depois, “ainda teremos uma série de nomes, que nos soam como ‘familiares’, e que de facto mais não são do que filhos ou irmão de outros que, num passado mais ou menos recente, estiveram em Macau”. Por isso, “a expectativa é enorme”.
Na análise à FR, defende que o aparecimento da categoria no ano passado em Macau, “ainda hoje não foi muito bem compreendido”. Relativamente aos inscritos, “um nome, e uma equipa, sobressaem em relação a todos os outros”, concretamente Freddie Slater da “Theodore Prema Racing”.
No entanto, “a lista está repleta de jovens com talento e ambição, e aparecem dois irmãos com o nome Wurz, cujo pai foi um vencedor das 24h de Le Mans, e que certamente lhes dará bons conselhos”.
Igualmente candidatos, Mari Boya e Teophile Nael, “que este ano correram na Fórmula 3 e regressam a Macau, com muita ambição”. Por outro lado, “não podemos esquecer os sempre competitivos corredores do campeonato japonês, alguns deles estreantes em Macau, bem como alguns outsiders”.
Na Taça GT FIA, “a Mercedes optou por não se inscrever com alguma polémica à mistura por causa da introdução, por parte da FIA, dos sensores de binário nas provas de GT3, e que nas provas realizadas na Ásia nunca foram utilizados”. Dos que se deslocam ao território, os “favoritos” de João Coimbra são Mortara, Guven, Van der Lind, Fuoco, Marciello e L. Vanthoor.
“Espero que as bandeiras amarelas e vermelhas não sejam muito utilizadas, bem como anseio que o Safety Car, conduzido por Pedro Couceiro e/ou o Virtual Safety Car, não sejam chamados a actuar pelo Diretor da Prova, que tanto poderá ser o português Eduardo Freitas, como Miroslav Bartos”, sublinha.
Reflectindo sobre a competição dos TCR (World Tour), o comentador refere que, “olhando para as marcas, mais parece um Troféu Hyundai com 14 carros desta marca”, adiantando que “o sucesso da prova está garantido, não só pela presença de outras marcas bastante competitivas (4 Lynk & Co, 3 Honda Type R, 2 Cupra Leon, e 1 Audi RS3), mas também pelo formato habitual de dois treinos Livres, duas qualificações e duas corridas de 10 voltas cada”.
Entre os inscritos, há cinco ex-vencedores da Corrida da Guia, e que “virão certamente com vontade de bisar”, com a aliciante de que chegarão aqui sem se saber quem será o vencedor do Campeonato. “Coloco as minhas ‘fichas’ em três potenciais candidatos, Yvan Ehrlacher, Thed Bjork e Norbert Michelisz”, conclui.



