Um dos pilotos locais de maior veterania nas corridas do Grande Prémio de Macau é Rui Valente. Desde 1988 que participa nas provas de suporte do evento, com apenas duas ausências. Vai, por isso, estar na linha de partida pela 34ª vez e parece que não pensa em retirar-se tão cedo. Valente vai tripular o mesmo Subaru do ano passado, na corrida de “Roadsport Challenge”, e salienta que, em primeiro lugar, quer chegar ao fim e, depois, “se tiver sorte, ocupar um dos lugares do pódio”

VÍTOR REBELO

 

As corridas de suporte do Grande Prémio de Macau (GPM) voltam este ano a dar brilho a um dos maiores eventos automobilísticos do continente asiático, pela diversidade de provas que integra. Para além do prestígio que já granjearam as Taças do Mundo FIA GT e “TCR World Tour”, a que se acrescenta agora a Fórmula Regional, as chamadas competições secundárias são sempre do agrado do público e dos próprios pilotos de Macau, Hong Kong e da República Popular da China (RPC), principalmente.

Rui Valente é um piloto veterano, quase com 63 anos de idade, certamente o mais antigo de Macau dos que ainda estão nestas andanças. Esta será a sua 34ª participação, que só não é de forma consecutiva desde 1988, altura em que se estreou, porque falhou duas edições.

“Aqui estou eu mais uma vez pronto para correr no Grande Prémio de Macau e para já não tenciono retirar-me”, começou por dizer ao Jornal TRIBUNA DE MACAU. “Só quando sentir que não consigo, em condições normais, andar entre os da frente, ou que fique fora dos 10 primeiros classificados, é que irei pensar em afastar-me”, acrescentou.

Rui Valente é um dos 11 pilotos da RAEM inscritos na “Roadsport Challenge”, juntamente com mais 13 de Hong Kong e dois da RPC, numa grelha de 26. Será um autêntico “Interport” entre os representantes das duas regiões administrativas especiais, numa rivalidade muitas vezes salutar, mas algo conturbada e turbulenta noutros momentos da história da corrida no Circuito da Guia.

Em 2024, a luta vai por certo manter-se, até porque os pilotos da RAEHK quererão repetir o título do ano passado, quando Tse Ka Hing bateu toda a concorrência, à frente de Lam Kam San de Macau e de Ivan Szeto Wing Shun de Hong Kong.

“Estou um bocadinho mais bem preparado do que em 2023”, salientou Rui Valente, que foi nessa altura nono na primeira corrida e abandonou na segunda. “Como sempre, nas corridas de automóveis, 60% da responsabilidade para uma boa corrida é do piloto, outros 20% do carro e o resto é sorte”, refere o piloto, adiantando que o Subaru está mais rápido do que no ano passado.

Sobre os apoios aos pilotos locais que se inscreveram para a competição da RAEM, o veterano do Circuito da Guia confirma que todos recebem 80.000 patacas, mas se quiserem correr no exterior não podem ter mais do que 35 anos. “Eu tenho quase 63, por isso, já quase que merecia o dobro do subsídio”, frisou em jeito de brincadeira. “Se ainda estamos a correr, não obstante a idade mais avançada, é porque ainda temos condições para participar”, enfatiza.

Na opinião do piloto, há cada vez menos locais em pista, tudo por causa dos apoios financeiros. “Antigamente tínhamos a Fundação Macau a dar algum dinheiro e nessa altura havia mais gente a correr”, salienta, mencionando que, neste momento, “há talvez menos 50 a 60% de pilotos de Macau a inscrever-se no Grande Prémio e há três ou quatro novos”, como Tiago Rodrigues.

Rui Valente afirma que o seu principal objectivo é o mesmo de todos os anos, ou seja, pelo menos chegar ao fim. Depois, “terminar nos cinco primeiros e se tiver sorte até posso ir ao pódio”, conclui.

 

Badaraco tripula Toyota

com objectivo do “top 5”

Jerónimo Badaraco é outro dos pilotos locais presentes na grelha da corrida Roadsport Challenge, preparando-se para tripular um Toyota GR 86, da “Son Veng Racing Team”. Na edição passada, o macaense competiu no TCR Ásia.

A mudança deve-se ao facto “desta corrida ser mais interessante e das despesas serem muito inferiores”, disse o piloto ao Jornal TRIBUNA DE MACAU.

Para Badaraco, de 49 anos, as qualificações na China não correram muito bem, com resultados que ficaram aquém das suas expectativas. “Não tive tempo de testar o carro e nunca andei naquele circuito”, afirma o piloto, que reconhece estar ainda a habituar-se ao carro, muito diferente do que tinha andado.

“Em 2023, tripulei um Volkswagen Golf e este Toyota é completamente diferente, até os travões são originais. Isto quer dizer que há ABS”, menciona, acrescentando que necessita de se habituar aos travões, à caixa das velocidades e ao sítio das mudanças manuais, cuja posição é em locais diferentes. Por isso, “tenho de adaptar-me a muitas coisas”.

Para entrar no ritmo das corridas, Jerónimo Badaraco fez uma prova em Zhuhai, “que serviu para aquecer”, não tendo terminado uma das corridas. Falando de objectivos para o GPM deste ano, o piloto quer terminar nos cinco primeiros postos. “Essa é sempre a meta que pretendo atingir”.

A corrida volta a ser interessante pela luta que desencadeará entre os pilotos de Macau e Hong Kong. Badaraco garante que “o contingente de Macau está com grande confiança, apesar das nossas habituais dificuldades em treinar, já que os pilotos de Hong Kong estão mais disponíveis para fazer vários testes”.

Badaraco já venceu algumas corridas no GPM, com destaque para a derradeira prova do Troféu ACP em Macau, em 1999, na primeira vez que correu na Guia. “Este é o meu circuito preferido”, rematou.

 

Organização mantém corridas

em caso de sinal 3 de tempestade

O Instituto do Desporto (ID) e a Comissão Organizadora do Grande Prémio (COGPM), em colaboração com a Federação Internacional do Automóvel (FIA), prepararam medidas para a eventualidade do mau tempo afectar o programa de corridas. Em comunicado, o ID refere que, apesar da influência do ciclone tropical “Toraji” e da possibilidade de estar içado o sinal 3, as provas seguirão o programa previamente estabelecido. Porém, “se a situação piorar, como ventos fortes e chuva, serão adoptados ajustamentos”. O ID prometeu manter uma comunicação próxima com os Serviços Meteorológicos e Geofísicos para “assegurar que as corridas decorram sob condições seguras através da tomada de medidas”. No que respeita aos espectadores e ao pessoal de apoio ao evento, o ID e a COGPM planearam várias medidas, incluindo a consolidação de instalações no interior da pista e nas redondezas, e o ajustamento ou remoção de instalações que possam ser facilmente afectadas pelo vento forte. Em coordenação com a FIA, e tendo em vista a segurança dos espectadores, a COGPM não irá montar a cobertura das bancadas e vai disponibilizar capas de chuva. É recomendada, por outro lado, a não utilização de guarda-chuvas “para não perturbar a visão das corridas”.